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Segunda-Feira, 06 de Março de 2017 @

Diz aí! | O rádio na era da Internet

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Nestes quase cem anos de existência as transmissões radiofônicas passaram por diversas transformações, como a existência e hegemonia das emissoras em AM, que eram a principal fonte de informação em tempo real na década de 1940, ou a readequação das transmissões radiofônicas pela emergência da televisão e das transmissões em FM entre as décadas de 1950 e 1980, as quais moldaram o quadro atual dos gêneros e formatos radiofônicos. 

A fase atual das transmissões radiofônicas é marcada pela digitalização e pela transmissão multiplataforma. O rádio deixou de transmitir apenas em radiodifusão analógica em AM ou FM para transmitir também em radiodifusão digital (utilizando diferentes padrões como os europeus Digital Audio Broadcasting – DAB – e Digital Radio Mondiale – DRM –, o norte americano In-Band On Channel – IBOC – e o japonês IDDB-TN – Integrated Services Digital Broadcasting - Terrestrial Narrowband), em transmissões por cabo (acessíveis por meio do aparelho de televisão) e pela Internet (por meio da tecnologia streaming em um processo chamado webcasting, o qual permite um download contínuo que possibilita a transmissão ao vivo de conteúdo). 
 
O rádio digital, possibilitado pela radiodifusão digital, ainda está em testes no Brasil e provavelmente não estará disseminada nos aparelhos receptores brasileiros nos próximos anos, mas que já é comum em países como a Holanda. Na Noruega o acesso à radiodifusão já é totalmente digital. O rádio por cabo é acessível por aparelhos de televisão ligados ao cabo, o que não permite uma mobilidade no processo de audição de conteúdos. O maior desenvolvimento está no rádio por meio da Internet, no qual para ouvir os conteúdos basta se conectar à rede mundial. Este rádio tem algumas particularidades, como um número máximo de ouvintes simultâneos (por causa do limite da banda de transmissão de dados) e acesso global do conteúdo (pois uma vez dentro da Internet o conteúdo pode ser acessado em qualquer lugar que tenha acesso a rede mundial de computadores). Outra particularidade é que, ao contrário da radiodifusão, na qual o radialista tem uma vaga ideia de quantos ouvintes tem, na transmissão em webcasting o administrador tem o número exato e visitantes para cada link da transmissão e os caminhos de acesso feitos pelos ouvintes. 
 
A partir da década de 1990, com a emergência de novos suportes e a possibilidade da transmissão digital de conteúdo, as transmissões radiofônicas passaram a explorar a matriz visual, o que não ocorria nos anos anteriores. Na Internet, por exemplo, a web rádio traz textos e vídeos em seu website. A web rádio também pode incluir novas formas de distribuição de áudio, como o podcast, conteúdo que é derivado do processo de podcasting, que consiste na distribuição de conteúdos por streaming on demand ou download utilizando feeds RSS para avisar quem segue as transmissões que há conteúdo novo disponível. No caso da web rádio, um podcast pode exibir, por exemplo, gravação de um programa musical ou de uma edição de radiojornal.
 
O cenário complexo que o rádio se encontra fez com que pesquisadores da área de comunicação perguntassem durante a década de 2000: O que é rádio? A resposta que foi obtida é que o rádio não é mais definido por uma tecnologia de transmissão de conteúdo (como radiodifusão analógica em AM ou FM), mas como um produto cultural focado no áudio e que é disponível por diversas tecnologias, o qual deve ter pelo menos duas características fundamentais, como definiu Macello Medeiros em 2007 no artigo Transmissão sonora digital: Modelos radiofônicos e não radiofônicos na comunicação contemporânea: 1) a transmissão em tempo real e 2) a presença dos quatro elementos fundamentais do áudio, a fala, a música, o efeito/ruido e o silêncio, mixados ou isolados. O elemento principal deve ser o áudio, fundamental para a compreensão da mensagem. Outros elementos são opcionais, como o texto ou o vídeo, os quais podem ser retirados não havendo prejuízo para a compreensão da mensagem.
 
Como as transmissões radiofônicas passam a explorar diversas mídias ela passa a utilizar a narrativa transmídia. Neste caso, cada mídia explorada pela emissora de rádio ajuda a contar um pedaço da história apresentada. Por exemplo, uma campanha com sorteio de brindes pode envolver a transmissão por radiodifusão e a Internet, com o uso do website da emissora e as suas redes sociais. Na transmissão por radiodifusão (e também por webcasting, se a rádio opera em simulcasting) divulga-se a mensagem que envolve a participação da audiência. Esta participação se dá pelas redes sociais (com forte interação entre a audiência e os profissionais da emissora) e o resultado é divulgado pelo website da emissora. Cada vez este tipo de ação cresce mais nesta era da Internet.      
 
por Dr. Johan Cavalcanti van Haandel
Tags: rádio, trajetória, internet, digital

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