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Quinta-Feira, 26 de Janeiro de 2012 @

O que podemos aprender com a Kodak?

A renovação do conceito de comunicação através do radio precisa ser sempre atualizada e constante. Eu procuro ver que a internet esta muito longe de ser inimiga
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O ano de 2012 começou com uma noticia que embora o mercado já esperasse, não deixa de ser estarrecedora, a de que a mais famosa marca de fotografia no mundo, a Kodak, entrou com um pedido de concordata (onde a empresa se beneficia de ajuda governamental e de fundos, a fim de evitar a falência). Nós estamos falando da maior empresa de fotografia já criada na historia, que com seus filmes fotograficos, registrou os maiores acontecimentos nos últimos 130 anos, que esteve na Lua, e que ironicamente...inventou a câmera digital. Sim, eu disse: inventou, aquilo que muitos anos depois foi o grande responsável por sua quase aniquilação. Só que ela criou a câmera digital e “colocou em cima da prateleira” das varias patentes que a empresa detém hoje e que de alguma maneira revolucionaram a tecnologia de mídias diversas. Porém, faltou a gestão da Kodak identificar e planejar sua própria evolução tecnológica, pois ela só foi colocar sua primeira câmera digital no mercado anos mais tarde, quando outras grandes empresas como Samsung e Sony já se esbaldavam em dezenas de opções de pequenas maquinas, dispostas ao publico consumidor que procurava cada vez mais por esse formato de fotografia. Me lembro que quase dez anos atrás, quando essas maquinas já estava “populares” e “acessíveis”, poucas pessoas ainda utilizavam o filme tradicional, eu creio que os últimos a abandonarem esse formato, foram os simpatizantes de fotografia profissional e os próprios profissionais da área. Meu irmão, um desses fotógrafos, dizia nessa época que a qualidade de imagem do filme era muito superior a digital. Realmente, com alguma explicação técnica ele conseguia me convencer disso. Mas pouco tempo depois, a tecnologia de fotografia digital evoluiu tanto que ele abandonou o formato tradicional, alegando que finalmente essa qualidade de imagem digital havia superado a do tradicional filme fotográfico, este que também caminhou inversamente se tornando cada vez mais caro.

Sem falar que a Kodak, diferente de outras grandes empresas que desenvolvem tecnologia, comunicação e interatividade (uma fotografia pode muito bem ser “enquadrada” nesses três quesitos); não procurou investir e lançar outros produtos para expandir seu ramo de negócios. Ela ficou de alguma maneira, dependente do tradicional formato fotográfico e impresso, sem contar que a velocidade de evolução de seus produtos sempre foi mais lento que o de outros potenciais concorrentes.

Após essa narrativa do que a Kodak foi e do que ela enfrenta hoje, podemos analisar e adequar alguns possível “cenários” ao meio radiofônico. Digo isso pois a Kodak demorou pelo menos quinze anos para entrar em uma verdadeira crise (muito provavelmente sem volta), mesmo após identificar claramente qual seria o caminho seguido pelo conceito de fotografia. O radio já segue a mais de sessenta anos dividindo sua audiência com a TV que, vamos ser francos, ganhou boa parte dela. A mais de dez anos divide suas atenções com a internet, digo isso pois foi nesse período que tivemos o grande “boom” de internautas no Brasil; e está cada vez mais propenso a dividir sua audiência com as novas plataformas de comunicação que são criadas a cada dia.

Por isso a renovação do conceito de comunicação através do radio precisa ser sempre atualizada e constante. Eu procuro ver que a internet esta muito longe de ser inimiga do radio, mas sim uma plataforma a mais para que o radio possa evoluir. Óbvio que vivemos em um pais onde muita gente ainda mal tem acesso a rede de esgoto encanada, quiçá a internet, e que o formato tradicional de transmissão do radio vai sim continuar forte nos próximos anos no Brasil. Mas vamos lembrar que a Kodak foi forte por mais de 100 anos e chegou a um ponto em que foi “engolida” por outras tecnologias. Será que se ela já tivesse trabalhado na evolução de seu conceito fotográfico desde os anos 60 e paralelamente criasse novos campos de exploração de ideias e tecnologias, ela estaria nessa situação de iminente falência?

Me chamem de louco, mas eu acredito em um radio que daqui 50 anos conseguirá identificar o perfil pessoal de cada ouvinte automaticamente, levando a ele, aquilo que faz parte de sua vida por opção, não só musicalmente, mas até em propagandas, com dispositivos em carros que identificarão a localidade e os costumes de seu motorista “ouvinte”, e automaticamente realizará a transmissão de anunciantes que combinem com esse perfil de ouvinte e das necessidades consumistas que essa pessoa tem. Isso é meio logico já que a própria internet funciona dessa maneira hoje em dia. Mas isso é coisa pro futuro mesmo, nesse momento é importante que o radio tenha consciência que ele necessita se adequar ao seu ouvinte no cotidiano. O tempo médio de audiência nas emissoras só diminuem, visto que hoje o ouvinte divide sua atenção com várias outras opções de interação. Então...VAMOS LEVAR O RADIO ATÉ ELAS! O radio se faz presente a um século na vida das pessoas, antes em grandes aparelhos que foram diminuindo e diminuindo, depois o radio ficou dentro dos carros, passou para celulares com transmissores AM/FM, para a internet, para o 3G de celulares... agora precisamos evoluir mais, lembre se que hoje o conteúdo da internet é ditado pelos próprios usuários, e o radio, como eu acabei de dizer, já descobriu que pode chegar ate as pessoas em varias plataformas, mas precisa elaborar o seu conteúdo e sua necessária presença de uma maneira mais abrangente. Isso vale também para a TV, que já sofre os mesmos riscos do radio e que terá de rever vários de seus conceitos, exemplo claro foram as palavras do próprio Boni, que diz que antigamente o telespectador era mais submisso ao conteúdo proposto pelas emissoras e hoje ele tem a opção de outros canais e formatos de comunicação. E nós, radialistas de hoje, podemos fazer historia como os profissionais que adequaram o conceito radio para o futuro, mantendo o como um veiculo de mídia sustentável e viável ao mercado; ou podemos ser conhecidos como a geração que não se importou em atender aos reais interesses e necessidades de seus ouvintes, tornando se um “negocio do passado”. E o mais interessante de tudo isso é que podemos evoluir sem deixar de fazer radio no sentido mais tradicional da palavra. Sem deixar de transmitir no formato que é feito hoje, sem deixar de atender ao ouvinte que ainda não tem acesso as novas opções de comunicação, seja por uma questão de condições financeiras ou mesmo de interesse. Assim como a Kodak podia continuar com sua produção de filmes fotográficos e paralelamente criar novas oportunidades reais de negócios e de sobrevida. A prova mais real dessa teoria, é a de que antigamente o radio era o único amigo nas horas de solidão... hoje a pessoa cria uma conta no Facebook.

Até a próxima!


Tags: futuro do rádio, internet

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Colunista
Danilo Rocha

Coordenador artístico da Paranaíba FM de Uberlândia, com passagens por rádios de São Paulo.



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