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O inglês atrás do microfone: por que o radialista precisa estar cada vez mais preparado

O inglês atrás do microfone: por que o radialista precisa estar cada vez mais preparado

O inglês está cada vez mais presente no cotidiano do rádio e também no dia a dia dos ouvintes, exigindo dos comunicadores maior preparo para pronunciar corretamente nomes e expressões e transmitir segurança ao microfone.


O rádio sempre teve uma relação muito próxima com a língua inglesa. Nomes de artistas, títulos de músicas, marcas, cidades, filmes, expressões internacionais e notícias do exterior fazem parte diariamente da programação de muitas emissoras. Hoje, porém, essa presença ficou ainda maior.

Com a internet, as redes sociais, as plataformas de streaming e a circulação praticamente instantânea da informação, o profissional de rádio trabalha em um ambiente cada vez mais internacional. Uma música lançada nos Estados Unidos ou no Reino Unido pode chegar ao público brasileiro em poucos minutos. Um artista desconhecido pode se transformar rapidamente em fenômeno mundial. E nomes que antes apareciam ocasionalmente na programação agora fazem parte do cotidiano do comunicador.

É nesse cenário que o conhecimento do inglês deixa de ser apenas um diferencial e passa a ser uma ferramenta importante para quem trabalha diante de um microfone.

Isso não significa que todo radialista precise falar inglês fluentemente.

O mais importante é desenvolver segurança para lidar com aquilo que aparece no dia a dia da profissão.

Imagine uma situação bastante comum: o locutor recebe uma programação musical com artistas como Ed Sheeran, Sabrina Carpenter, The Weeknd, Billie Eilish ou Bruno Mars. Além dos nomes dos artistas, aparecem títulos de músicas, nomes de álbuns, cidades e expressões em inglês.

O profissional pode conhecer perfeitamente a música e dominar sua comunicação em português, mas uma pronúncia muito distante da original pode chamar a atenção do ouvinte.

E hoje existe um fator que tornou isso ainda mais evidente: o público tem muito mais contato com o inglês.

Durante décadas, muitos ouvintes conheciam determinados artistas principalmente pelo rádio. Atualmente, eles escutam entrevistas no YouTube, acompanham artistas nas redes sociais, assistem a séries em plataformas internacionais e ouvem músicas em serviços de streaming.

Ou seja: o próprio ouvinte está cada vez mais familiarizado com a sonoridade da língua inglesa.

Por isso, a preparação do comunicador também precisa acompanhar essa mudança.

Pronunciar bem não significa imitar um estrangeiro

Existe uma ideia equivocada de que falar inglês corretamente significa tentar eliminar completamente o sotaque brasileiro.

Não é esse o objetivo.

Sotaque faz parte da identidade de qualquer pessoa que fala uma segunda língua.

O que realmente importa é buscar uma pronúncia clara, compreensível e próxima o suficiente da forma original para que o nome ou a expressão seja facilmente reconhecido.

No rádio, isso se torna ainda mais importante porque a voz é a principal ferramenta de comunicação.

O ouvinte não está vendo a palavra escrita. Ele recebe apenas o som.

Por isso, pequenas diferenças de pronúncia podem ter um impacto muito maior no rádio do que em uma conversa acompanhada de texto ou imagem.

Inglês também é preparação profissional

Antes de entrar no ar, é absolutamente normal que um comunicador confira a pronúncia de um nome que não conhece.

Na verdade, isso deveria fazer parte da preparação.

Assim como um jornalista pesquisa a pronúncia correta do nome de uma autoridade estrangeira ou de uma cidade onde ocorreu determinado acontecimento, o radialista pode verificar previamente o nome de um artista, de uma música ou de uma marca.

Hoje existem inúmeras ferramentas para isso.

Dicionários digitais oferecem áudio com pronúncia. Vídeos mostram entrevistas nas quais os próprios artistas dizem seus nomes. Ferramentas de inteligência artificial também podem ajudar o profissional a praticar palavras e frases antes de utilizá-las no ar.

Poucos minutos de preparação podem fazer uma grande diferença.

O inglês que o radialista realmente precisa

Outro ponto importante é que o profissional de rádio não precisa começar estudando estruturas gramaticais complexas.

Para muitas situações profissionais, o caminho pode ser muito mais prático.

É possível trabalhar aspectos específicos da língua, como pronúncia de nomes internacionais, títulos de músicas, números, datas, cidades, países, marcas e expressões frequentemente utilizadas no universo da música, do entretenimento e do jornalismo.

Também vale prestar atenção a alguns sons do inglês que costumam representar maior dificuldade para brasileiros.

O famoso TH, por exemplo, aparece em inúmeras palavras. O R em inglês possui características diferentes do nosso. Sons finais como M e N também merecem atenção. Além disso, ritmo, tonicidade e entonação têm papel fundamental na naturalidade da fala.

São detalhes que podem ser aprendidos gradualmente.

O microfone amplifica tudo

Quem trabalha em rádio sabe que o microfone evidencia detalhes.

Respiração, ritmo, dicção, pausas, entonação e segurança aparecem claramente para quem está ouvindo.

Com a pronúncia em inglês acontece a mesma coisa.

Por isso, estudar inglês para o rádio não significa apenas aprender outro idioma. Significa aperfeiçoar uma das ferramentas mais importantes do comunicador: a própria voz.

O objetivo não deve ser alcançar uma pronúncia perfeita ou competir com um falante nativo.

O objetivo é outro: estar preparado.

Preparado para anunciar uma música internacional, apresentar corretamente o nome de um artista, ler uma notícia estrangeira ou simplesmente sentir mais segurança quando uma palavra em inglês aparecer inesperadamente no roteiro.

Afinal, o rádio mudou, o público mudou e a comunicação tornou-se global.

E, cada vez mais, o inglês também faz parte daquilo que acontece atrás do microfone.

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Emilio Araújo Costa

Emilio Araújo Costa

Emílio Araújo Costa é graduado em Letras/Inglês e atua no ensino de idiomas, desenvolvendo métodos e cursos personalizados para diferentes perfis e objetivos. Foi proprietário e diretor de uma escola de idiomas durante 15 anos, morou em Boston (EUA) e acumula experiências profissionais no Brasil e em países como China, Itália, Alemanha, Holanda, Áustria, França e Argentina. Na área de rádio, ministra aulas em emissoras e em cursos promovidos por associações do setor, com foco no aperfeiçoamento da pronúncia de comunicadores. Atualmente, vive em Curitiba e atende grupos fechados em formato on-line por meio de sua plataforma própria, a Sage English.

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