




Quinta-Feira, 26 de Fevereiro de 2026 @ 06:47
São Paulo - MIW indica crescimento gradual da presença feminina em cargos de direção e na área comercial do rádio dos EUA, mas aponta que a programação ainda concentra os menores índices de representatividade
Levantamento da Mentoring and Inspiring Women in Radio (MIW) aponta avanços graduais na presença feminina em cargos de comando no rádio comercial dos Estados Unidos ao longo dos últimos 25 anos, mas reforça que a sub-representação ainda é uma realidade, especialmente nas áreas de programação. No Brasil, apesar da falta de um levantamento recente sobre o tema, a representatividade feminina nesse segmento é pequena, embora algumas líderes de audiência contem com gestoras mulheres à frente de seus projetos artísticos em São Paulo.
O estudo anual de análise de gênero, que completa 25 edições em 2025, considera dados brutos da PrecisionTrak e abrange 11.215 estações AM e FM em operação até 31 de dezembro de 2025. A pesquisa permite observar a evolução da participação feminina em posições estratégicas, comparando números históricos e o desempenho nos 100 maiores mercados do país.
Entre os cargos de direção geral, as mulheres passaram a ocupar 22,07% das posições em 2025, o equivalente a 2.366 emissoras. O índice representa um leve avanço frente aos 21,67% registrados em 2024 e um crescimento mais expressivo quando comparado aos 14,9% de 2004. Nos 100 principais mercados, a presença feminina em cargos de General Manager alcançou 24,09% das estações, quase cinco pontos percentuais acima do resultado do ano anterior e superior à média nacional.
No Brasil, em São Paulo, considerado o maior mercado de rádio do país, a presença feminina na liderança artística ainda é pequena. Porém, do atual top 3 de audiência local, duas rádios contam com mulheres na coordenação: Alessandra Soares na Alpha FM 101.7 e Vanessa Calheiros na Antena 1 FM 94.7. Outra grande audiência musical de São Paulo liderada por uma executiva é a Rádio Disney FM 91.3, emissora de formato popular/hits que conta com Jany Lima. Já a Feliz FM 92.1, de formato gospel, tem Bianca Pagliarin assinando a direção artística.
Já nas chefias de jornalismo em emissoras de ponta da capital paulista, áreas que também integram o campo da programação das estações, os exemplos nesse recorte vêm do Grupo Bandeirantes, onde a Rede BandNews FM é liderada por Sheila Magalhães e a Rádio Bandeirantes por Thays Freitas.
Retornando à pesquisa dos Estados Unidos, na área comercial o desempenho feminino segue mais consolidado. Em 2025, 35,31% das estações contavam com uma mulher na função de Sales Manager, totalizando 3.561 emissoras. O percentual praticamente repetiu o resultado de 2024, quando foi de 35,67%. Já nos Top 100 mercados, as mulheres responderam por 37,61% das posições de liderança em vendas, embora esse índice represente retração em relação aos 42,94% apurados no ano anterior. No Brasil, é mais comum encontrar profissionais mulheres nas gestões comerciais e de marketing das emissoras, diferentemente do que ocorre na área artística.
A programação permanece como o setor mais desafiador para o avanço feminino. Nacionalmente, mulheres atuaram como Program Directors ou Brand Managers em 13,02% das estações em 2025, número ligeiramente superior aos 12,38% de 2024. Nos 100 maiores mercados, o índice chegou a 15,25%, avanço relevante sobre os 11,23% registrados no levantamento anterior e também acima da média nacional.
O estudo da MIW aprofunda a análise para além dos dados bienais mais recentes divulgados pela Federal Communications Commission, que indicaram apenas movimentações modestas na propriedade de emissoras entre 2021 e 2023.
No rádio comercial em AM, a propriedade atribuível a mulheres permaneceu estável em 62% no período analisado. Quando considerado o controle majoritário, houve leve avanço, passando de 10% para 11%. No FM comercial, o cenário foi semelhante: a participação atribuível feminina subiu de 69% para 70%, enquanto o controle majoritário avançou de 9% para 10%.
Entre as emissoras não comerciais em AM, a propriedade atribuível feminina recuou levemente, de 80% para 79%. Já o controle majoritário conduzido por mulheres evoluiu de 15% para 17%. No FM não comercial, foi registrado o movimento mais positivo. A propriedade atribuível manteve-se em 83%, enquanto o controle majoritário avançou de 14% para 16%.
Presidente do conselho da MIW, Sheila Kirby avaliou que os 25 anos de dados permitem uma visão mais clara do cenário. Segundo ela, os avanços em cargos de direção geral e programação, sobretudo nos 100 maiores mercados dos Estados Unidos, são encorajadores, mas o crescimento estagnado na liderança comercial e a presença ainda limitada de mulheres na programação reforçam que a evolução não ocorre de forma automática.
Para a dirigente, o progresso sustentável depende de ações estruturadas e intencionais. A MIW afirma que seguirá investindo em mentoria, advocacy e na criação de caminhos que ampliem a presença feminina em todos os níveis de liderança da indústria de rádio nos Estados Unidos.
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Ilustração / tudoradio.com
Com informações do portal RadioInk


