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Painel exclusivo do AGNTCon + MCPCon Europe debate próximos passos dos agentes de IA e seus impactos nas empresas

Painel exclusivo do AGNTCon + MCPCon Europe debate próximos passos dos agentes de IA e seus impactos nas empresas

Sessão privada reuniu representantes da Anthropic, Google, OpenAI e Solo.io para discutir integração, segurança e custos na adoção de agentes de IA; especialista aponta aplicações para rádio


Amsterdã (Holanda) – A adoção de agentes de inteligência artificial nas empresas depende de muito mais do que a escolha de um modelo de IA. Integração entre sistemas, níveis de autonomia, segurança, custos operacionais e definição de processos estiveram entre os principais temas debatidos durante uma sessão privada realizada no AGNTCon + MCPCon Europe, em Amsterdã. O encontro reuniu representantes de algumas das principais empresas do setor para discutir os desafios da implementação dessas tecnologias em ambientes corporativos, discussão que também abre perspectivas para aplicações em emissoras de rádio e televisão. A cobertura especial do AGNTCon + MCPCon Europe tem o apoio da beAudio e do tudoradio.com, realizada pela Mentoria Cristiano Stuani.

A mesa-redonda reuniu David Soria Parra, da Anthropic, Idit Levine, da Solo.io, Kuba Herczyński, do Google, e Nick Cooper, da OpenAI, com mediação de Nitish Tyagi, do Gartner. A sessão foi restrita a convidados da imprensa e analistas, tendo o consultor e especialista em rádio Cristiano Stuani como único representante brasileiro.

Da experimentação à integração dos processos

Uma das primeiras discussões abordou a diferença entre experimentar ferramentas de inteligência artificial e incorporá-las efetivamente às operações das empresas. Segundo os participantes, agentes de IA já estão sendo utilizados em ambientes de produção, porém sua adoção depende da realidade operacional, dos processos internos e do nível de risco aceitável para cada organização.

Diferentemente de aplicações voltadas apenas para responder perguntas, os agentes podem consultar informações, acessar ferramentas externas e executar diferentes etapas de uma tarefa de forma coordenada. Nesse contexto, ganharam destaque dois padrões considerados complementares: o Model Context Protocol (MCP), responsável por organizar a comunicação entre modelos de IA, ferramentas e fontes de dados, e o Agent-to-Agent (A2A), voltado à comunicação entre diferentes agentes.

Embora essas tecnologias ainda dependam de integrações específicas em cada ambiente, os debatedores apontaram que a combinação entre modelos, ferramentas e agentes tende a substituir soluções isoladas, permitindo que empresas construam fluxos mais adequados às necessidades de cada operação.

Esse conceito também pode ser aplicado ao rádio e à televisão. Em uma emissora, diferentes agentes poderiam atuar em etapas específicas de um mesmo fluxo de trabalho, organizando briefings, preparando sugestões de roteiro, identificando trechos relevantes de entrevistas ou estruturando materiais para publicação. A decisão editorial, entretanto, permaneceria sob responsabilidade dos profissionais da equipe.

Segurança como parte da arquitetura

A segurança apareceu como um dos temas mais recorrentes da discussão. Os participantes destacaram que a autonomia dos agentes exige mecanismos capazes de identificar qual agente está executando determinada ação, quais informações pode acessar e quais operações está autorizado a realizar.

Também foram apresentados modelos de execução em ambientes isolados, limitando o acesso a arquivos e sistemas conforme o perfil de cada agente. A preocupação envolve tanto falhas internas quanto possíveis ataques realizados por agentes utilizados por terceiros, reforçando que a segurança deve fazer parte da arquitetura desde o início do projeto.

No ambiente de radiodifusão, esse conceito permite definir diferentes níveis de autonomia conforme o tipo de atividade. Um agente poderia apenas sugerir alterações na programação musical ou preparar materiais para edição, enquanto outro poderia executar tarefas previamente autorizadas, sempre dentro de regras definidas pela emissora e com possibilidade de supervisão humana em tempo real.

O mesmo princípio pode ser aplicado à televisão, onde agentes poderiam organizar conteúdos, preparar versões preliminares de edição ou estruturar materiais destinados às diferentes plataformas digitais, mantendo a aprovação final sob responsabilidade dos profissionais envolvidos.

Custos, documentação e qualidade dos resultados

Outro tema debatido foi o custo operacional dos agentes de inteligência artificial. Segundo os participantes, o investimento necessário depende não apenas do modelo utilizado, mas também do volume de informações processadas, da quantidade de etapas envolvidas e da forma como os fluxos são estruturados.

Entre as recomendações apresentadas estiveram a escolha de modelos compatíveis com a complexidade de cada tarefa, a utilização apenas das ferramentas necessárias para cada operação e a redução de consultas repetitivas. Também foi destacado que combinar diferentes modelos pode trazer ganhos de eficiência, desde que toda a cadeia de processamento seja considerada.

A documentação dos processos também recebeu atenção especial. Manuais, critérios editoriais, regras operacionais e procedimentos bem organizados ajudam os agentes a compreender melhor suas funções, reduzindo retrabalho e aumentando a qualidade das respostas. As comunidades de código aberto também foram apontadas como importantes para acelerar o desenvolvimento e compartilhar boas práticas.

Para empresas de comunicação, os indicadores mais relevantes passam a ser a qualidade do trabalho entregue, a redução do retrabalho e o ganho de produtividade das equipes, e não apenas o volume de tarefas executadas pelos agentes. No rádio, isso pode significar produzir chamadas comerciais com menor tempo de revisão e custos mais previsíveis. Na televisão, pode representar economia de tempo na localização de entrevistas, na organização de conteúdos e na preparação de materiais para diferentes plataformas.

O painel reforçou que a adoção de agentes de inteligência artificial não deve começar pela tecnologia em si, mas pelos problemas que precisam ser resolvidos. A combinação entre processos bem definidos, documentação organizada, níveis adequados de autonomia e supervisão humana tende a ser um dos principais fatores para que essas soluções gerem ganhos reais de produtividade e qualidade nas empresas de comunicação.

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Cristiano Stuani

Cristiano Stuani

  • Cristiano Stuani – Formado em Administração com Pós em Planejamento e Gerenciamento Estratégico, Professor Universitário e com vasta experiência em Marketing, Artístico e Digital em diversas rádios do Paraná e São Paulo, incluindo a coordenação da 98 FM de Curitiba e gestão artística da Massa FM em São Paulo, Curitiba, Maringá e Londrina. Como Head de Digital do Grupo Massa de Comunicação, liderou estratégias de digital em TVs, rádios e portais, enquanto continua sua formação em Inteligência Artificial e atuando como consultor para emissoras de rádio e coordenador do PDA - Programa de Desenvolvimento Acaert. (Cursos profissionalizantes para associados de Santa Catarina). LinkedIn
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