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Grupo Radioweb debate conceito de Rádio 3.0 em edição especial do Amplifique

Grupo Radioweb debate conceito de Rádio 3.0 em edição especial do Amplifique

São Paulo - Transmissão pelo Dia Nacional do Rádio reuniu Daniel Starck, Cristiano Stuani e o presidente-executivo da ABERT, Cristiano Flores, para discutir a evolução da radiodifusão em um ecossistema multiplataforma


Em comemoração ao Dia Nacional do Rádio, celebrado na última sexta-feira (25), o Grupo Radioweb realizou uma edição especial do Amplifique, projeto voltado à discussão de temas estratégicos para a radiodifusão. A terceira edição da iniciativa foi dedicada ao conceito de Rádio 3.0, reunindo representantes do setor para debater como a evolução tecnológica vem transformando a presença do rádio sem alterar sua essência como meio de comunicação. A transmissão foi mediada por Rita Faustino, gestora de Relacionamento com Rádios do Grupo Radioweb, e contou com a participação de Daniel Starck, proprietário do tudoradio.com, Cristiano Stuani, consultor especializado em rádio e mentor, além da abertura conduzida pelo presidente-executivo da ABERT, Cristiano Flores.

Ao longo da apresentação, os participantes defenderam que o rádio vive uma nova etapa de sua evolução, caracterizada pela expansão da distribuição de conteúdo para diferentes plataformas e dispositivos. O conceito de Rádio 3.0 apresentado durante o encontro propõe que o meio deixe de ser compreendido apenas a partir da frequência de transmissão e passe a ser visto como um ecossistema de áudio presente em ambientes cada vez mais conectados, acompanhando a transformação dos hábitos de consumo sem abrir mão de atributos históricos como credibilidade, imediatismo, informação local e companhia.

Durante a abertura da transmissão, Cristiano Flores destacou que a evolução tecnológica representa uma oportunidade para fortalecer a presença da radiodifusão nos novos ambientes digitais, ao mesmo tempo em que preserva características que historicamente diferenciam o rádio de outras plataformas de comunicação.

"O grande desafio da radiodifusão atual é garantir a presença e a visibilidade do rádio em todos os novos dispositivos, principalmente no painel dos carros e nos smartphones. Precisamos assegurar que o rádio continue sendo de fácil acesso e gratuito para toda a população", afirmou o presidente-executivo da ABERT.

Segundo Flores, a expansão da distribuição do conteúdo não substitui o rádio terrestre, mas amplia sua capacidade de alcançar diferentes públicos, fortalecendo o papel das emissoras como fonte de informação local, prestação de serviço e conteúdo de interesse público.

Rádio 3.0 amplia a visão sobre a radiodifusão

Na sequência da transmissão, Daniel Starck e Cristiano Stuani apresentaram os principais fundamentos do conceito de Rádio 3.0, explicando que a proposta não está vinculada a uma tecnologia específica, mas sim à evolução da forma como o rádio é distribuído e consumido. Segundo os participantes, a frequência FM ou AM continua sendo um dos pilares da radiodifusão, porém deixa de ser o único ponto de contato entre a emissora e seu público.

A apresentação destacou que o áudio passa a ser compreendido como a matriz central do rádio, alcançando o ouvinte por diferentes caminhos, entre eles os aplicativos próprios das emissoras, plataformas de streaming, agregadores de áudio, smart speakers, televisores conectados, portais, smartphones, tablets, computadores, receptores tradicionais e as novas centrais multimídia automotivas.

"O rádio evoluiu e precisa ser ressignificado. Historicamente o rádio esteve associado à caixa de som na sala ou ao dial do carro. Hoje ele é consumido via streaming, aplicativos, agregadores e pelas novas centrais multimídia de forma totalmente integrada", afirmou Daniel Starck durante a apresentação.

Na avaliação apresentada durante o encontro, essa mudança exige que o setor passe a valorizar ainda mais a força de suas marcas e do conteúdo produzido pelas emissoras, independentemente do dispositivo utilizado pelo ouvinte.

"O ouvinte não quer saber a frequência exata em megahertz; ele quer a sua marca, o seu conteúdo e a sua voz, seja no aplicativo, na Alexa, na TV conectada ou no rádio do carro."

Carros conectados e rádio híbrido ganham protagonismo

Entre os principais exemplos da evolução apresentada pelos participantes está o ambiente automotivo, tradicionalmente um dos principais locais de consumo do rádio. A apresentação mostrou que a popularização de sistemas como Apple CarPlay e Android Auto alterou significativamente a forma como os ouvintes localizam e interagem com as emissoras, tornando ainda mais importante a correta presença das marcas nesses ambientes.

Segundo Daniel Starck, esse novo cenário amplia a importância de recursos como logotipos das emissoras, metadados completos, identificação de programas, artistas e músicas, além da integração com plataformas digitais.

Cristiano Stuani complementou a análise apresentando a evolução do rádio híbrido, tecnologia que combina o sinal terrestre com dados transmitidos via internet. Durante a apresentação foi destacado que essa tecnologia já está presente em 159 países e supera 10,5 milhões de veículos compatíveis, ampliando recursos como identificação visual da emissora, imagens, informações da programação e atualização automática de conteúdos.

Para Stuani, a evolução tecnológica amplia as possibilidades de relacionamento entre emissoras e audiência, mas preserva o rádio como um meio essencialmente baseado na produção de conteúdo.

Dados reforçam a força do rádio

Além dos conceitos relacionados ao Rádio 3.0, a apresentação utilizou pesquisas recentes para contextualizar o atual momento da radiodifusão brasileira. Entre os destaques apresentados estiveram os resultados do estudo Audio Pulse 2026, da Kantar IBOPE Media, que apontam que 77% da população residente nas 13 regiões metropolitanas pesquisadas ouve rádio, enquanto o tempo médio diário de consumo chega a 3 horas e 38 minutos.

Outro dado destacado durante a transmissão mostra que 70% da audiência continua utilizando receptores tradicionais FM e AM, evidenciando que as novas plataformas complementam — e não substituem — as formas históricas de distribuição do meio.

Os participantes também chamaram atenção para indicadores relacionados à credibilidade do rádio. Segundo a pesquisa, 67% dos ouvintes afirmam confiar no rádio para se manter informados, enquanto 59% utilizam o meio para atualização rápida das notícias, reforçando o papel da radiodifusão como fonte de informação de interesse público.

Os números apresentados durante o Amplifique foram detalhados recentemente pelo tudoradio.com nas reportagens Audio Pulse 2026: rádio alcança 77% da população em 13 mercados do Brasil, aponta IBOPE e Dia Nacional do Rádio: presença em todas as plataformas reforça relevância do meio, publicadas nesta semana.

Conteúdo permanece como principal diferencial

Outro tema abordado durante a transmissão foi a diversificação dos formatos de distribuição do conteúdo. Segundo Cristiano Stuani, o comportamento do público exige que as emissoras estejam preparadas para oferecer sua programação em diferentes formatos, incluindo transmissões ao vivo, podcasts, conteúdos sob demanda, recortes para redes sociais e projetos especiais, ampliando o alcance da produção radiofônica sem perder sua identidade editorial.

Também foram discutidas aplicações da inteligência artificial na radiodifusão. Os participantes destacaram que a tecnologia deve ser encarada como ferramenta de apoio às operações das emissoras, contribuindo para automação de processos, análise de dados e otimização da produção, mantendo o papel humano como elemento central da comunicação e da relação construída diariamente entre locutores, jornalistas e ouvintes.

Ao encerrar a apresentação, Daniel Starck e Cristiano Stuani reforçaram que o conceito de Rádio 3.0 não representa uma ruptura com a radiodifusão tradicional, mas sim a consolidação de um processo de transformação já vivido pelas emissoras. Segundo os participantes, o rádio permanece sustentado pelos mesmos atributos que historicamente consolidaram sua relevância junto ao público, agora distribuídos por um ambiente cada vez mais conectado, no qual a marca, o conteúdo e a credibilidade acompanham o ouvinte em qualquer plataforma ou dispositivo.

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Carlos Massaro

Carlos Massaro

  • Carlos Massaro – Radialista e jornalista, já atuou como coordenador artístico da Band FM de Promissão/SP e como locutor nas afiliadas da Band FM em Ourinhos/SP e na Interativa FM de Avaré/SP. Também trabalhou como jornalista na Hot 107 FM 107.7 de Lençóis Paulista/SP, além da Jovem Pan FM 88.9 e Divisa FM 93.3, ambas de Ourinhos/SP. É advogado inscrito na OAB/SP e membro efetivo regional da Comissão Estadual de Defesa do Consumidor da OAB/SP. Está no tudoradio.com desde 2009, sendo responsável pela atualização diária da redação do portal. LinkedIn
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