ABERT, ANER, ANJ e AESP se manifestam após cancelamento de debate presidencial da Globo
São Paulo - Entidades criticam decisões judiciais que antecederam cancelamento; debate desta quinta-feira (1º) teria acompanhamento da Rede CBN
A ABERT (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), a ANER (Associação Nacional de Editores de Revistas), a ANJ (Associação Nacional de Jornais) e a AESP (Associação das Emissoras de Rádio e Televisão do Estado de São Paulo) se manifestaram nesta quinta-feira (1º) após o cancelamento do debate entre os candidatos à Presidência da República que seria realizado pela Globo na noite de hoje. Em notas, as entidades se solidarizaram com a emissora, sendo que ABERT, ANER e ANJ criticaram a intervenção judicial nas regras previamente definidas para o encontro, enquanto a AESP destacou a necessidade de previsibilidade e segurança jurídica para a realização de debates eleitorais. O cancelamento também altera a mobilização prevista pela Rede CBN (liderada pela CBN FM 90.5 de São Paulo e CBN FM 92.5 do Rio de Janeiro), que deveria acompanhar o debate em sua programação, conforme antecipado pelo tudoradio.com.
O debate estava previsto para esta quinta-feira, a três dias do primeiro turno das Eleições 2026, marcado para domingo (4). A Globo decidiu cancelar o encontro após decisões judiciais que alteraram pontos das regras previamente estabelecidas para a realização do programa.
Uma das decisões foi tomada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e estava relacionada às regras previstas para candidatos ausentes. Outra determinação, do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), assegurava a participação do candidato Renan Santos (Missão). O cenário ainda teve as ausências de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que não participariam do encontro.
Entidades de comunicação se manifestam
Na nota conjunta divulgada após o cancelamento, ABERT, ANER e ANJ afirmaram que se solidarizam com a Globo e manifestaram "profunda indignação" com a intervenção judicial nas regras previamente definidas, apontada pelas entidades como responsável pelo cancelamento do último debate presidencial do primeiro turno.
Segundo as associações, a interferência não representaria apenas a imposição de obrigações a uma emissora privada, mas atingiria a liberdade de imprensa ao alterar a condução do debate em relação às regras acertadas havia meses entre a Globo e os partidos.
As três entidades também afirmaram que o episódio impediu o acesso dos cidadãos às propostas dos candidatos que, conforme previsto na legislação eleitoral, já haviam sido convidados e se disposto a participar do encontro.
A AESP também divulgou uma nota oficial nesta quinta-feira, na qual manifestou solidariedade à Globo e reforçou seu apoio às empresas de rádio e televisão que investiram na realização de debates ao longo do processo eleitoral. A associação destacou que a organização desses encontros envolve meses de planejamento, mobilização de profissionais, produção jornalística, tecnologia, cenários, estrutura técnica, segurança e espaço relevante na programação.
Sem entrar no mérito de candidaturas, partidos ou decisões judiciais específicas, a AESP afirmou que mudanças que afetem a organização de um debate às vésperas de sua realização impactam todo esse planejamento. Para a entidade, as emissoras precisam contar com previsibilidade e segurança jurídica para continuar investindo nesse tipo de cobertura.
A associação também relacionou o episódio a uma discussão que vem promovendo durante o período eleitoral sobre as diferenças entre as regras aplicáveis à radiodifusão e às plataformas digitais. A AESP defendeu "isonomia, equilíbrio, previsibilidade e segurança jurídica", além da preservação da liberdade de imprensa e de condições para que as emissoras continuem investindo em informação.
Debate seria acompanhado pela Rede CBN
O cancelamento também interfere na sequência da operação especial preparada pela CBN para as Eleições 2026. Conforme antecipado pelo tudoradio.com na última quarta-feira (30), havia a expectativa de uma nova mobilização da rede nesta quinta-feira (1º), com o acompanhamento do debate presidencial promovido pela Globo.
A operação daria sequência ao movimento registrado na noite da última terça-feira (29), quando emissoras da CBN em diferentes estados acompanharam na íntegra os debates para os governos estaduais realizados pela Globo, além de promoverem cobertura própria relacionada aos encontros. A mobilização envolveu inclusive mercados nos quais as afiliações locais de rádio e televisão são diferentes.
O acompanhamento foi percebido nas emissoras da CBN em São Paulo (90.5 FM), Campinas (99.1 FM) e Ribeirão Preto (90.5 FM), em São Paulo; Belo Horizonte (106.1 FM), em Minas Gerais; Rio de Janeiro (92.5 FM); Curitiba (95.1 FM) e Londrina (100.9 FM), no Paraná; Florianópolis (90.3 FM) e Joinville (95.3 FM), em Santa Catarina; Recife (105.7 FM) e Caruaru (89.9 FM), em Pernambuco; João Pessoa (101.7 FM), na Paraíba; além de outras praças alcançadas pela operação da rede.
A programação especial da CBN voltada às eleições seguirá no próximo domingo (4). A rede terá uma operação dedicada ao primeiro turno durante todo o dia, a partir das 6h, com a participação de seus principais âncoras, comentaristas e repórteres, além de giros produzidos pelas 38 emissoras que integram a operação nacional. As afiliadas também terão liberdade para interromper a cabeça de rede para ampliar as coberturas locais ao longo da votação e da apuração.
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