Tudo Rádio
ÚLTIMAS DA
REDAÇÃO
O Rádio HojeDaniel Starck

Nielsen: Rádio alcança 92% dos adultos nos Estados Unidos e supera TV conectada e smartphones em alcance mensal

Nielsen: Rádio alcança 92% dos adultos nos Estados Unidos e supera TV conectada e smartphones em alcance mensal

São Paulo - Levantamento aponta que o rádio chega a mais de 242 milhões de consumidores por mês, concentra a maior parte da escuta de áudio com publicidade nos carros e apresenta um dos melhores retornos sobre investimento entre as mídias analisadas


O rádio segue apresentando indicadores expressivos de alcance, consumo e retorno publicitário nos Estados Unidos, mesmo diante da expansão das plataformas digitais e da fragmentação da atenção dos consumidores. É o que mostra um novo levantamento divulgado pela Nielsen neste mês de outubro, intitulado Everyone. Everywhere. (Todos. Em todos os lugares, em tradução livre). Segundo o estudo, o rádio alcança mensalmente 92% da população adulta norte-americana, o equivalente a mais de 242 milhões de consumidores, superando dispositivos de TV conectada, smartphones e a televisão tradicional em alcance. A análise também destaca a presença do meio no ambiente automotivo, sua capacidade de atingir diferentes perfis demográficos e os resultados obtidos pelos anunciantes que investem em publicidade radiofônica.

O relatório da Nielsen chama a atenção para uma característica que considera central na competitividade do rádio: sua capacidade de acompanhar o público em diferentes ambientes e dispositivos. Para a empresa, essa presença também exige metodologias de medição capazes de identificar o consumo independentemente da plataforma utilizada, especialmente em um cenário no qual a publicidade digital tem atraído investimentos pela facilidade de mensuração de resultados.

Rádio supera outras plataformas em alcance mensal

De acordo com os dados apresentados pela Nielsen, o rádio alcança 92% dos adultos norte-americanos mensalmente, percentual superior aos 90% registrados pelos dispositivos de televisão conectada, aos 87% dos smartphones e aos 85% da televisão ao vivo ou com reprodução posterior.

O alcance também se mantém elevado entre diferentes grupos populacionais. Entre os adultos negros, o rádio chega a 92% do público, enquanto entre os hispânicos o índice alcança 93%. Já na faixa etária de 18 a 34 anos, frequentemente associada ao consumo prioritário de plataformas digitais, o meio registra uma penetração mensal de 87%.

Outro indicador apresentado no levantamento está relacionado ao tempo dedicado ao áudio. Os norte-americanos passam quase quatro horas por dia consumindo conteúdos sonoros, considerando diferentes plataformas. Dentro desse universo, quando analisado especificamente o tempo de escuta de áudio com publicidade, rádio e podcasts respondem conjuntamente por 82% do consumo disponível aos anunciantes, enquanto os serviços de streaming musical representam 16%.

Os dados, que também utilizam informações da Edison Research, reforçam a relevância da combinação entre rádio e podcasts nas estratégias comerciais voltadas ao áudio. Segundo a Nielsen, campanhas que desconsideram essas duas plataformas deixam de alcançar uma parcela significativa do tempo de consumo de áudio com publicidade.

Nielsen Alcance Radio Materia

Ambiente automotivo concentra parte importante da escuta

A presença do rádio fora de casa também aparece entre os principais destaques do relatório. Segundo a Nielsen, aproximadamente 65% do consumo de rádio entre adultos nos EUA ocorre fora do ambiente doméstico, sendo a maior parte dessa escuta realizada em veículos. Durante os horários de deslocamento nos dias úteis, essa participação sobe para 73%.

O estudo também aponta que mais de 80% do tempo de consumo de áudio com publicidade dentro dos automóveis corresponde ao rádio AM/FM, conforme dados da Edison Research utilizados pela Nielsen.

Essa presença no ambiente automotivo é considerada estratégica para o mercado publicitário, especialmente pela possibilidade de alcançar consumidores durante deslocamentos e em momentos próximos às decisões de compra.

A Nielsen também recuperou os resultados de uma pesquisa realizada em maio de 2026, em parceria com a iHeartMedia, sobre a importância do rádio nos veículos. O levantamento identificou que aproximadamente metade dos compradores recentes ou potenciais de automóveis afirmou que não adquiriria um veículo sem receptor AM/FM. Além disso, mais de sete em cada dez entrevistados defenderam que o rádio deveria continuar sendo um equipamento de série.

Na análise sobre os fatores que influenciam a escolha de um automóvel, a presença do rádio AM/FM apareceu na segunda colocação, atrás apenas da integração com smartphones.

Outro aspecto destacado foi a importância da transmissão em tempo real. Dois terços dos entrevistados consideraram relevante a ausência de atrasos na recepção de eventos esportivos ao vivo, uma característica associada à radiodifusão tradicional quando comparada às transmissões por streaming.

Retorno publicitário coloca rádio entre os meios mais eficientes

Um dos pontos de maior destaque comercial do relatório está na comparação entre a percepção dos anunciantes e os resultados efetivamente obtidos com investimentos publicitários.

Segundo a Nielsen, os profissionais de marketing consultados em seus levantamentos classificaram o rádio na última posição entre dez canais quando questionados sobre a percepção de eficácia publicitária. Entretanto, os indicadores de retorno sobre investimento apontaram um cenário diferente.

Com base nos parâmetros do Nielsen Global Compass, o rádio apresentou retorno ponderado de US$ 2,00 para cada US$ 1,00 investido em publicidade, ficando atrás apenas das redes sociais, que registraram US$ 2,22.

O resultado colocou o rádio à frente de meios como televisão, publicidade gráfica digital, mecanismos de busca e televisão conectada. Os podcasts também apresentaram desempenho positivo, com retorno de US$ 1,49 por dólar investido, patamar considerado comparável aos resultados da televisão e da publicidade gráfica digital.

Para a Nielsen, esses indicadores demonstram que a facilidade de atribuição de resultados às plataformas digitais não significa necessariamente maior eficácia publicitária. A empresa defende que os anunciantes ampliem sua presença digital sem substituir investimentos em meios que continuam oferecendo alcance elevado e retorno consistente.

A diferença entre percepção e desempenho também chama a atenção para a necessidade de considerar indicadores de resultado, e não apenas métricas de interação, na avaliação das estratégias de mídia.

Nielsen destaca importância da medição de audiência em diferentes ambientes

Além dos indicadores de consumo e publicidade, o relatório dedica parte importante de sua análise à metodologia de medição da audiência radiofônica nos Estados Unidos.

Nos 48 maiores mercados norte-americanos, a Nielsen utiliza o Portable People Meter (PPM), equipamento portátil que identifica passivamente códigos incorporados ao áudio das emissoras. O sistema permite registrar a exposição dos participantes ao rádio em diferentes ambientes, incluindo residências, locais de trabalho e veículos.

Segundo a empresa, os participantes adultos utilizam o equipamento por aproximadamente 14 horas diárias, em média. Um sensor de movimento auxilia na verificação de que o dispositivo está sendo efetivamente utilizado.

A Nielsen também destacou uma alteração metodológica implementada em janeiro de 2025, quando passou a considerar um tempo mínimo de três minutos para qualificar determinadas ocasiões de escuta. A mudança resultou em um aumento médio de 24% na audiência medida, ao permitir a contabilização de períodos mais curtos de exposição, incluindo aqueles próximos aos intervalos comerciais.

É importante observar que esse crescimento está relacionado à alteração dos critérios de medição, não representando necessariamente um aumento equivalente no consumo efetivo de rádio pela população.

Em mais de 200 outros mercados e condados periféricos, a empresa utiliza diários de audiência para registrar os hábitos de escuta. Segundo a Nielsen, sua estrutura de medição contempla todos os condados dos Estados Unidos.

O relatório também destaca a utilização de amostras aleatórias baseadas em endereços, ponderadas conforme informações do Censo norte-americano, considerando critérios como localização geográfica, idade, gênero e etnia.

Em relação ao serviço de diários, a repercussão publicada pelo portal especializado Inside Radio acrescenta uma informação importante: a Nielsen e o Media Rating Council (MRC) estabeleceram uma pausa temporária de seis meses na acreditação dessa metodologia, entre 23 de junho e 23 de dezembro de 2026. A medida, segundo a publicação, permite a continuidade do processo de evolução do sistema de medição. O serviço mantinha acreditação do MRC desde 1968.

Dados de veículos conectados apresentam limitações para medir o público

Outro tema abordado pela Nielsen envolve o uso crescente de dados gerados pelos sistemas multimídia de veículos conectados.

Embora esses equipamentos possam fornecer grandes volumes de informações sobre a sintonia das emissoras, a empresa alerta que os registros isolados não permitem identificar necessariamente quem está ouvindo, quantas pessoas estão presentes no automóvel ou quais são suas características demográficas.

Também existem limitações relacionadas à representatividade da frota, já que muitos veículos antigos, caminhões, automóveis utilizados em serviços profissionais e outros modelos não disponibilizam dados de sintonia.

Nesse contexto, a Nielsen defende a combinação de grandes bases de dados com informações obtidas por meio de painéis representativos de consumidores, permitindo associar os registros de dispositivos ao comportamento efetivo das pessoas.

A discussão ganha relevância diante da ampliação da conectividade automotiva e do desenvolvimento de novas soluções de medição de audiência, especialmente em um ambiente no qual o rádio tradicional, o streaming e outras plataformas de áudio compartilham os sistemas de entretenimento dos veículos.

Integração entre rádio e podcasts amplia alcance entre jovens

O relatório também apresenta indicadores relacionados à combinação de diferentes plataformas de áudio nas estratégias de comunicação.

Em uma das análises voltadas ao público de 18 a 34 anos, a Nielsen aponta que o rádio alcança 88% dos adultos dessa faixa etária. Quando os podcasts são adicionados ao planejamento, a cobertura combinada chega a 94%.

O resultado reforça o argumento da empresa de que rádio e podcasts podem atuar de maneira complementar, ampliando o alcance das campanhas e permitindo que os anunciantes acompanhem os consumidores em diferentes momentos de consumo de áudio.

Para a Nielsen, a presença do rádio em praticamente todos os ambientes de circulação da população norte-americana, combinada ao alcance expressivo e aos indicadores de retorno publicitário, demonstra a necessidade de considerar o meio como parte central das estratégias de comunicação.

Principais descobertas do levantamento

Alcance mensal: o rádio chega a 92% dos adultos norte-americanos, superando 242 milhões de consumidores e registrando alcance superior ao de dispositivos de TV conectada, smartphones e televisão tradicional.

Público jovem: o meio alcança 87% dos adultos de 18 a 34 anos em um dos indicadores apresentados. Em outra análise, a cobertura de 88% sobe para 94% quando os podcasts são considerados conjuntamente.

Consumo de áudio: rádio e podcasts concentram 82% do tempo de escuta de áudio com publicidade, enquanto os serviços de streaming musical representam 16%.

Escuta fora de casa: aproximadamente 65% do consumo de rádio acontece fora das residências, participação que chega a 73% nos horários de deslocamento durante os dias úteis.

Presença nos automóveis: mais de 80% do tempo de consumo de áudio com publicidade nos veículos corresponde ao rádio AM/FM.

Importância do receptor: aproximadamente metade dos consumidores consultados não compraria um automóvel sem rádio AM/FM, enquanto mais de 70% defendem sua presença como equipamento de série.

Retorno publicitário: o rádio registra retorno ponderado de US$ 2,00 para cada dólar investido, ficando atrás apenas das redes sociais entre os canais comparados.

Medição de audiência: a mudança metodológica adotada pela Nielsen em janeiro de 2025 elevou em média 24% a audiência medida, enquanto a empresa destaca a importância de combinar dados de dispositivos com informações representativas sobre os ouvintes.

O levantamento completo está disponível no site oficial da Nielsen, sob o título Everyone. Everywhere., publicado em outubro de 2026. A análise também foi repercutida pelo portal especializado norte-americano Inside Radio.

Compartilhar:
Daniel Starck

Daniel Starck

Jornalista, empresário e proprietário do tudoradio.com, maior portal brasileiro dedicado à radiodifusão, com mais de 20 anos no ar. É formado em Comunicação Social pela PUC-PR e teve passagens por emissoras como CBN, Rádio Clube e Rádio Paraná. Atua como consultor e palestrante nas áreas artística e digital do rádio, com participação em eventos promovidos por entidades como SET, AESP, AMIRT, ACAERT, ASSERPE, AERP e MidiacomPB. Também possui conhecimento na área de tecnologia, com foco em aplicativos, mídia programática, novos devices, inteligência artificial, sites e streaming.

Leia também