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Quarta-Feira, 22 de Abril de 2026 @ 13:33

NAB Show 2026: painel aponta avanço do vídeo e reforça podcasts como estratégia de audiência e receita para rádios

Las Vegas (EUA) - Especialistas apontam que integração entre áudio e vídeo amplia alcance, fortalece marcas e cria novas oportunidades comerciais para emissoras

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O avanço do consumo de vídeo e a consolidação dos podcasts como formato dominante no áudio digital foram os principais temas do painel “Hot Digital Trends: What to Know About Video, Podcasts and AI”, realizado nos Estados Unidos. Moderado por John Wordock, da WTOP (Washington, D.C.), o encontro reuniu executivos de plataformas e grupos de mídia para discutir caminhos de crescimento para emissoras de rádio e TV, com foco em novas receitas, expansão de audiência e adaptação ao comportamento do consumidor. A análise apresentada ao longo do painel aponta que o rádio, ao integrar vídeo e estratégias digitais, tem diante de si uma oportunidade relevante de reposicionamento no cenário multiplataforma. O tudoradio.com realiza uma cobertura especial do NAB Show 2026, com os apoios da ABERT, a BeAudio, a AMIRT e a MidiacomPB.

Logo na abertura, o moderador destacou o momento de transformação vivido pelo setor, impulsionado por movimentos recentes de grandes players como Apple e Netflix, que passaram a investir mais fortemente em vídeo atrelado a conteúdos originalmente pensados para áudio, como podcasts. Esse cenário é reforçado pelo crescimento acelerado das smart TVs: atualmente, cerca de 233 milhões de americanos possuem televisores conectados à internet, ampliando significativamente o potencial de distribuição de conteúdo audiovisual.

Outro ponto de destaque é o crescimento da receita em vídeo digital. Segundo dados citados durante o painel, o segmento movimenta cifras muito superiores ao mercado de podcasts, criando um ambiente favorável para emissoras que desejam expandir suas operações além do áudio tradicional. Nesse contexto, o vídeo passa a ser visto não apenas como complemento, mas como uma frente estratégica de monetização.

A executiva Neha Taleja, do YouTube, ressaltou que o vídeo fortalece a relação entre comunicador e audiência, criando uma conexão mais próxima e aumentando a confiança do público. Segundo ela, mesmo em situações de consumo multitarefa — quando o usuário não está necessariamente assistindo ativamente — o fato de conhecer o rosto por trás da voz contribui para fidelização e engajamento. “O vídeo adiciona uma camada de credibilidade difícil de alcançar apenas com o áudio”, destacou.

Michael Biemolt, da Audacy, foi direto ao apontar o principal motivador para o investimento: receita. De acordo com ele, emissoras que incorporam vídeo ao seu conteúdo conseguem ampliar alcance, aumentar impressões publicitárias e acessar novas fontes de faturamento. O executivo destacou ainda que conteúdos originalmente locais podem ganhar escala nacional ou regional quando distribuídos em plataformas digitais, ampliando o potencial comercial das marcas.

Na mesma linha, Andy Slater, da Amazon, chamou atenção para a diferença de tamanho entre os mercados: enquanto o podcast movimenta cerca de US$ 3 bilhões, o vídeo digital já alcança aproximadamente US$ 78 bilhões. Para ele, integrar vídeo às operações é uma forma de acessar um mercado muito mais amplo. “É um acelerador de crescimento”, resumiu.

Apesar disso, os participantes foram unânimes ao afirmar que o vídeo não substitui o áudio, mas sim complementa a experiência. A tendência apontada é a consolidação de um modelo multimodal, no qual o público escolhe como consumir o conteúdo — seja assistindo ou apenas ouvindo. Para o rádio, isso significa oferecer diferentes portas de entrada para o mesmo conteúdo.

Outro aspecto relevante abordado foi o baixo custo de entrada para o vídeo. Segundo os painelistas, muitas emissoras já possuem estrutura suficiente para iniciar essa produção, sendo necessário apenas adaptar o processo e registrar em imagem o conteúdo que já é gerado em áudio. A autenticidade, inclusive, foi apontada como mais importante do que produções altamente sofisticadas.

No bloco dedicado aos podcasts, o painel reforçou que o formato segue em expansão e já atinge níveis históricos de consumo. Dados recentes indicam que 58% dos americanos são ouvintes mensais de podcasts, enquanto 57% já consumiram conteúdo tanto em áudio quanto em vídeo nesse formato. Além disso, plataformas como YouTube, Spotify e Apple lideram a distribuição, consolidando o ambiente competitivo.

Para o rádio, o podcast surge como uma extensão natural da programação. Andy Slater destacou que o formato permite reaproveitar conteúdos já produzidos, oferecendo ao ouvinte a possibilidade de consumo sob demanda. Isso amplia o tempo de exposição da audiência e cria novas oportunidades comerciais, especialmente na combinação entre conteúdo ao vivo e on demand.

Michael Biemolt também rebateu uma preocupação comum no setor: a possibilidade de canibalização da audiência. Segundo ele, o podcast não reduz o consumo do rádio linear, mas sim o complementa, permitindo que o público aprofunde a relação com o conteúdo e acesse trechos ou programas completos em outros momentos. “É uma expansão de audiência, não uma substituição”, afirmou.

Além disso, o formato possibilita que emissoras ultrapassem suas limitações geográficas, atingindo públicos fora de suas áreas tradicionais de cobertura. Casos apresentados no painel indicam crescimento significativo de audiência digital a partir da disponibilização de conteúdos em podcast.

Do ponto de vista comercial, o mercado de podcasts ainda é considerado menor em comparação ao vídeo, mas apresenta forte crescimento — próximo de 18% ao ano, segundo dados do IAB. A expectativa dos executivos é que, com a integração entre áudio e vídeo, esse segmento possa alcançar entre US$ 8 bilhões e US$ 10 bilhões nos próximos anos.

Por fim, o painel também abordou a estrutura atual do mercado, marcada por forte concentração de receita em grandes nomes, mas com oportunidades crescentes para produtores de médio porte. A evolução das ferramentas de monetização e segmentação tende a equilibrar esse cenário, facilitando a conexão entre anunciantes e audiências específicas.

De acordo com os palestrantes, para o rádio, o momento exige adaptação e visão estratégica. A integração entre áudio, vídeo e distribuição digital não apenas amplia o alcance das emissoras, como também abre novas frentes de receita e fortalece a relação com o público em um ambiente cada vez mais competitivo e fragmentado.

Cobertura NAB Show 2026 tudoradio.com

O tudoradio.com acompanha novamente o NAB Show direto do Las Vegas Convention Center, local onde será realizada a feira e o congresso entre 18 e 22 de abril, nos Estados Unidos, em trabalho realizado com a Mentoria Cristiano Stuani. Toda a programação paralela ao NAB Show, realizada para radiodifusores brasileiros, também terá atenção especial na cobertura. A Cobertura NAB Show 2026 tudoradio.com tem como parceiros apoiadores a ABERT, a BeAudio, a AMIRT e a MidiacomPB.

+ Confira aqui todas as notícias publicadas pelo tudoradio.com sobre o NAB Show 2026

Tags: rádio, podcast, vídeo digital, monetização, audiência, streaming, YouTube, mercado de mídia

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Daniel Starck
  • Daniel Starck – Jornalista, empresário e proprietário do tudoradio.com, maior portal brasileiro dedicado à radiodifusão, com mais de 20 anos no ar. É formado em Comunicação Social pela PUC-PR e teve passagens por emissoras como CBN, Rádio Clube e Rádio Paraná. Atua como consultor e palestrante nas áreas artística e digital do rádio, com participação em eventos promovidos por entidades como SET, AESP, AMIRT, ACAERT, ASSERPE, AERP e MidiacomPB. Também possui conhecimento na área de tecnologia, com foco em aplicativos, mídia programática, novos devices, inteligência artificial, sites e streaming. LinkedIn


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