




Quinta-Feira, 21 de Maio de 2026 @ 13:16
Rio de Janeiro - Evento promovido pela EBC e Rádio Nacional reúne especialistas no Rio de Janeiro para discutir os desafios, transformações e o futuro da mídia sonora no Brasil
A Empresa Brasil de Comunicação (EBC), por meio da Rádio Nacional, iniciou nesta quarta-feira (20) a programação do 7º Simpósio Nacional do Rádio, realizado na Sala Funarte Sidney Miller, no histórico Palácio da Cultura Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro. Com o tema “Rádio Nacional 90 anos: memória, inovação e futuros da mídia sonora”, o encontro reúne pesquisadores, estudantes, profissionais e especialistas para discutir os desafios contemporâneos do rádio, além das perspectivas do meio em um cenário marcado pela plataformização, inteligência artificial e novas formas de consumo de áudio.
Promovido em parceria com o Grupo de Pesquisa Rádio e Mídia Sonora da Intercom, o evento celebra as nove décadas da Rádio Nacional, emissora fundada em 1936 e considerada uma das principais referências da história da radiodifusão brasileira. A programação segue até sexta-feira (22) e propõe reflexões sobre o papel social do rádio, sua evolução tecnológica e os caminhos possíveis para o futuro da mídia sonora.
Na abertura do simpósio, a conferência “Do AM ao streaming: a reinvenção do rádio brasileiro” foi conduzida pelo jornalista Heródoto Barbeiro, com apresentação do professor Alvaro Bufarah, coordenador do Grupo de Pesquisa Rádio e Mídia Sonora da Intercom. A mediação ficou por conta de Lídia Neves, gerente executiva de Integração de Conteúdos e Rede da EBC.
Durante sua participação, Heródoto Barbeiro destacou a transformação tecnológica do rádio e a adaptação do meio às plataformas digitais. “A tecnologia mudou. A comunicação auditiva, que é o rádio, permanece para sempre. Enquanto o ser humano se comunicar pelo sentido da audição isso é rádio”, afirmou o jornalista.
O profissional também comentou a migração do consumo de conteúdo sonoro para ambientes digitais e o crescimento dos podcasts. “O rádio não necessariamente se propaga pelas ondas do AM ou FM, exclusivamente. Estamos saindo do ‘on air’ para o ‘on line’. Deixamos de ouvir pelo aparelho de pilha, que ainda existe, e ouvimos pelo celular, simultaneamente nas redes sociais”, analisou.
Outro destaque da programação foi a mesa especial “Rádio Nacional e a construção da identidade cultural brasileira”, que reuniu a professora Valci Zuculoto, da UFSC; a radialista Mara Régia, da Rádio Nacional da Amazônia; o jornalista Octávio Costa, presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI); e a narradora Luciana Zogaib, da Rádio Nacional. A mediação foi da professora Norma Meireles, da UFPB.

Mesa Especial: Rádio Nacional e a construção da identidade cultural brasileira - Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil
Com 45 anos de atuação na Rádio Nacional da Amazônia, Mara Régia destacou o papel social e humano do rádio. “Os pilares do rádio são a emoção, tocar onde os olhos não chegam; a imaginação, o rádio não mostra, ele desperta; a educação, ensina onde a escola não chega; e a cidadania, dá voz a quem não é ouvido”, declarou.
Já Luciana Zogaib abordou o protagonismo feminino nas transmissões esportivas e os desafios enfrentados pelas mulheres no rádio esportivo. Primeira mulher a narrar partidas de futebol na Rádio Nacional, a profissional destacou a importância da representatividade no setor. “Ser a primeira voz feminina a transmitir os jogos de futebol na Rádio Nacional é uma quebra de paradigma. Isso vem da escuta. Espero que esse exemplo inspire mais meninas”, ressaltou.
O simpósio também propõe discussões sobre os impactos das transformações tecnológicas no rádio público, comercial, comunitário, universitário e digital. A ideia central do encontro é refletir sobre os futuros possíveis da mídia sonora em um ambiente de constante transformação.


