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Sábado, 23 de Maio de 2026 @ 09:34

A importância do rádio público e avanço dos podcasts pautam debates no encerramento do 7º Simpósio Nacional do Rádio

Rio de Janeiro - Debates realizados no Rio de Janeiro discutiram desafios do rádio público, modelos de gestão, capacitação profissional e o crescimento dos podcasts produzidos pela comunicação pública brasileira

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O fortalecimento do rádio público no Brasil, os desafios de gestão das emissoras e o crescimento dos podcasts estiveram entre os principais temas debatidos nesta sexta-feira (22), durante o último dia do 7º Simpósio Nacional do Rádio, realizado na Sala Funarte Sidney Miller, no Rio de Janeiro. O encontro é promovido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), por meio da Rádio Nacional, em parceria com o Grupo de Pesquisa Rádio e Mídia Sonora da Intercom, e integra as comemorações dos 90 anos da Rádio Nacional, celebrados em 2026.

A programação contou com duas mesas voltadas à discussão sobre gestão, capacitação profissional e perspectivas para o rádio público brasileiro. A primeira delas, intitulada “Modelos de gestão e capacitação de gestores de emissoras de rádio”, reuniu o diretor do Núcleo de Rádio e TV da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Marcelo Kischinhevsky, e o gerente-executivo das Rádios EBC, Thiago Regotto. A mediação ficou a cargo de Veronica Lima, da Rádio Câmara.

Durante o debate, foram discutidos temas relacionados à administração de emissoras públicas, educativas e universitárias, incluindo atualização tecnológica, formação continuada, definição editorial e processos burocráticos. Ao apresentar a experiência da EBC na gestão da Rádio Nacional e da Rádio MEC, Thiago Regotto destacou a importância da diversidade nas equipes de liderança. “A maior parte da equipe de gestão da Rádio Nacional e da Rádio MEC é formada por mulheres. A diversidade é fundamental para o rádio público e para o nosso trabalho”, afirmou.

Segundo Regotto, até 2022 as emissoras da EBC enfrentavam dificuldades relacionadas à baixa conexão com a audiência, limitações digitais e grades desatualizadas. O executivo afirmou que, a partir de 2023, houve uma reestruturação das marcas, programas e faixas horárias, além da adoção de novas estratégias de integração em rede.

O gerente-executivo também ressaltou resultados recentes obtidos pelas emissoras públicas. “Na Rádio Nacional, temos quase meio milhão de ouvintes mensais em FM, segundo o Ibope. Conquistamos o maior share em Brasília desde 2010 e conseguimos rejuvenescer o público de ouvintes em Brasília e também em outras praças”, mencionou. Para 2026, a EBC prevê investimentos em modernização tecnológica, ampliação do sinal em FM, fortalecimento digital e expansão de projetos multiplataforma, incluindo rádio com imagem para o YouTube e integração à TV 3.0.


7º Simpósio Nacional do Rádio foi realizado no Rio de Janeiro - Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Marcelo Kischinhevsky abordou os modelos de gestão das rádios universitárias e destacou a ausência de regulamentação específica para o segmento no Brasil. “Há 10 anos, não fazíamos ideia de quantas rádios universitárias tinham aqui. Rádio universitária não existe no ordenamento jurídico nacional. Nós temos as rádios educativas, mas não a categoria de rádios universitárias, que deveria ser um subcampo dentro das rádios educativas”, esclareceu. O professor também chamou atenção para os desafios burocráticos enfrentados pelas emissoras universitárias. “Muitas vezes, os profissionais têm que lidar com muitos processos que se arrastam e com uma tramitação burocrática muito complicada”, exemplificou.

Kischinhevsky defendeu ainda que a capacitação de gestores seja realizada de forma coletiva e integrada ao fortalecimento da comunicação pública. “Tudo isso precisa estar na perspectiva de pensar uma comunicação pública e educativa de qualidade, cada vez mais relevante do ponto de vista social e cultural”, concluiu.

Desafios do rádio público

Na sequência, a mesa “A importância do rádio público no Brasil: desafios e perspectivas” reuniu representantes de universidades e profissionais da Radioagência Nacional, braço jornalístico da EBC. Durante o painel, foram debatidos temas como diversidade de vozes, sustentabilidade financeira, integração em rede, transformação digital e a importância das rádios públicas na promoção da cultura e da informação regional.

O diretor da Rádio Universitária da Universidade Federal de Roraima (UFRR), Paulo Reis, destacou o papel estratégico da emissora localizada na tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana. “É de suma importância o entendimento da gestão sobre a importância da comunicação, principalmente sendo uma rádio pública. As rádios públicas têm esse papel de dialogar com o interesse público, com nossos ouvintes, trazendo cultura, informação e educação. Existem desafios, mas a rádio vive e é pujante. E o fortalecimento da Rede é fundamental nesse processo", ressaltou.

O professor Paulo Fernando de Carvalho Lopes, da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e vice-presidente da Rede de Rádios Universitárias do Brasil (Rubra), avaliou que o rádio público brasileiro ainda enfrenta dificuldades estruturais. “O rádio público no Brasil passa por desafios multidimensionais que ainda impedem sua plena consolidação, caracterizando-o como um modelo ainda em construção”, afirmou.

Entre os principais obstáculos citados por Lopes estão questões ligadas à autonomia editorial, financiamento, adaptação tecnológica e lacunas regulatórias. O professor também classificou a legislação atual como “maleável, desatualizada e carente de princípios claros”.

Podcasts e a atuação da Radioagência Nacional

O encerramento da programação contou ainda com a participação das jornalistas Beatriz Arcoverde, Patrícia Serrão e Eliane Gonçalves, integrantes da Radioagência Nacional. Beatriz Arcoverde apresentou dados sobre a atuação da plataforma e destacou a relevância do serviço para emissoras de diferentes regiões do país. “Também ajudamos pequenas emissoras que muitas vezes não têm uma grande estrutura própria de reportagem, mas, com nosso apoio, conseguem manter a sua comunidade informada. A Radioagência Nacional, com 21 anos de existência, tem se consolidado como referência em comunicação pública”, acrescentou.

A jornalista informou que atualmente a Radioagência Nacional conta com 16 podcasts jornalísticos ativos e acumula 339 episódios produzidos desde 2023. Segundo ela, a plataforma registra média de 1 milhão de acessos mensais e cerca de 90 mil downloads por mês. “Mais do que distribuir notícias, a Radioagência Nacional distribui presença”, finalizou Beatriz Arcoverde.

Eliane Gonçalves abordou o crescimento dos podcasts narrativos e sua relação com o jornalismo aprofundado. “O podcast é um formato que ganhou o coração dos brasileiros. E o podcast narrativo me atrai muito, tenho muita paixão, porque ele dialoga com o slow journalism, em que o que interessa é a profundidade, o rigor e a reflexão. Os podcasts têm características muito marcantes, a exemplo de sua longevidade e o fato de estarem sob demanda”, explicou.

Patrícia Serrão apresentou a experiência do podcast VibeBula, voltado a temas ligados à saúde, doenças raras e neurodiversidade. “Quando a gente faz um programa para falar sobre deficiências e neurodivergências, queremos também que ele esteja sob o ponto de vista das pessoas que passam por isso. Também nos preocupamos em falar com médicos e associações, porque é muito difícil transcrever e explicar uma doença rara. Envolve um trabalho de pesquisa muito grande e de tradução dos termos médicos, por exemplo”, relatou.

A jornalista também destacou o reconhecimento recebido pela produção em premiações da área. “Graças a essa vivência, conseguimos, ainda no primeiro ano do programa, ficar entre os 100 jornalistas mais admirados do Brasil e no Top 10 dos mais admirados da saúde no Prêmio Jornalistas & Cia. O VibeBula ficou no Top 3 da categoria ‘Saúde e Bem-Estar’ do Prêmio dos Melhores Podcasts do Brasil e no Top 3 do Prêmio Einsten”, Além disso, Raíssa, Beatriz e eu estamos na final do Prêmio Mulheres Raras”, destacou.

Encerrando sua participação, Patrícia Serrão reforçou o papel da comunicação pública. “A gente faz a nossa parte na comunicação pública. Passamos informações públicas de qualidade, necessárias e que não são tão fáceis de conseguir. A gente espera que ouçam nossos podcasts, todos eles feitos por uma equipe muito esforçada e dedicada”, concluiu.

Tags: Rádio Nacional, EBC, rádio público, podcasts, Radioagência Nacional, Simpósio Nacional do Rádio, radiodifusão

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Carlos Massaro
  • Carlos Massaro – Radialista e jornalista, já atuou como coordenador artístico da Band FM de Promissão/SP e como locutor nas afiliadas da Band FM em Ourinhos/SP e na Interativa FM de Avaré/SP. Também trabalhou como jornalista na Hot 107 FM 107.7 de Lençóis Paulista/SP, além da Jovem Pan FM 88.9 e Divisa FM 93.3, ambas de Ourinhos/SP. É advogado inscrito na OAB/SP e membro efetivo regional da Comissão Estadual de Defesa do Consumidor da OAB/SP. Está no tudoradio.com desde 2009, sendo responsável pela atualização diária da redação do portal. LinkedIn


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