




Quarta-Feira, 19 de Agosto de 2026 @ 09:08
São Paulo - Painéis realizados nesta terça-feira (18) discutiram como a IA está transformando o consumo de conteúdo, a gestão do conhecimento e a formação de profissionais para o setor de mídia
A transformação da indústria de mídia diante dos novos hábitos de consumo e do avanço da inteligência artificial esteve entre os assuntos abordados na programação do Congresso SET Expo 2026 nesta terça-feira (18), em São Paulo. Entre os diversos painéis realizados ao longo do dia, três debates trataram da disputa pela atenção do público, da incorporação da IA aos processos das empresas e dos impactos dessa tecnologia sobre a formação de novos profissionais. O tudoradio.com, media partner oficial do SET Expo 2026, acompanha presencialmente a programação do evento.
Apesar de partirem de diferentes perspectivas, os debates apontaram para um cenário no qual tecnologia, comportamento do consumidor, produtividade e desenvolvimento de profissionais passam a estar cada vez mais conectados. A inteligência artificial apareceu de forma mais direta em dois desses encontros, enquanto o debate sobre a economia da atenção analisou as mudanças provocadas pela fragmentação do consumo entre diferentes plataformas.
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A nova gravidade da mídia: ecossistemas, plataformas e a disputa pela atenção
A atenção do consumidor como um dos ativos mais disputados pela indústria foi o centro do painel “A nova gravidade da mídia: ecossistemas, plataformas e a disputa pela atenção”. Mediado por Daniela Souza, conselheira deliberativa da SET e CEO da AD Digital, o encontro reuniu Juliana Algañaraz, superintendente-geral de TV da TV Gazeta; Rafa Dias, CEO da Dia Estúdio; e Pedro Sung, líder de estratégia de YouTube Ads no Google.
Daniela Souza propôs durante o debate a ideia de um sistema no qual diferentes plataformas e formatos orbitam um novo centro de gravidade. A discussão apontou que, diante da integração cada vez maior entre televisão e internet, o consumidor passou a ocupar o centro desse ecossistema, transitando entre diferentes telas sem necessariamente considerar as divisões tradicionais estabelecidas pela indústria.
Juliana Algañaraz utilizou a experiência do MasterChef como exemplo dessa transformação. Segundo a executiva, a marca deixou de depender de uma única fonte de receita e passou a estar distribuída por diferentes plataformas, incluindo canais FAST e redes sociais. O movimento ampliou as possibilidades de monetização e tornou o ambiente digital responsável por uma parcela importante do faturamento relacionado ao produto.
Rafa Dias apresentou uma perspectiva originada no ambiente digital. À frente da Dia Estúdio, o executivo destacou o alcance obtido pela operação que reúne YouTube, canais FAST, Instagram, TikTok e comunidades de fãs. Segundo ele, a soma dessas plataformas alcança aproximadamente 20 milhões de espectadores por mês. O executivo também apontou para uma aproximação cada vez maior entre a televisão e a internet.
Já Pedro Sung apresentou dados sobre mudanças no comportamento da audiência, destacando que formatos de conteúdo não estão mais necessariamente associados a uma tela específica. Entre os exemplos citados esteve o consumo global de 2 bilhões de horas de vídeos verticais diretamente em aparelhos de televisão. Para o executivo, a relevância passa a ser determinante na escolha do conteúdo pelo consumidor em um ambiente de ampla oferta.
Maturidade de IA nas empresas – da experimentação à transformação do trabalho
Outro debate avançou diretamente sobre a aplicação da inteligência artificial dentro das empresas. O painel “Maturidade de IA nas empresas – da experimentação à transformação do trabalho” discutiu o desafio de transformar experiências pontuais com a tecnologia em mudanças efetivas nos processos de trabalho.
A conversa foi mediada por Daniel Monteiro, head de Desenvolvimento de Produto & Tecnologia do Globoplay, e contou com Roberta Luzio, gerente de Desenvolvimento de Produto – Globoplay e DTV+; Fernando Gomes de Oliveira, especialista em Convergência de Mídia, IA Generativa e 5G Broadcast; e Rodrigo Corbelli, head de Martech do iFood.
Roberta Luzio apontou que o profissional do futuro deverá ir além do uso direto das ferramentas de IA. Segundo a executiva, será necessário saber estruturar contextos, desenvolver habilidades e orquestrar agentes para gerar decisões, softwares, documentos, apresentações e outros tipos de artefatos. A perspectiva apresentada é de que a IA passe a assumir um papel semelhante ao ocupado pelo computador nas últimas décadas, tornando-se uma interface entre pessoas, estratégia e execução.
Daniel Monteiro destacou que a tecnologia já proporciona ganhos expressivos de velocidade e produtividade, mas chamou a atenção para um possível efeito paralelo: as empresas passam a produzir mais informações e materiais do que conseguem efetivamente absorver. Dessa forma, o aumento na capacidade de execução precisa ser acompanhado pela capacidade de transformar essa produção em conhecimento.
Fernando Gomes de Oliveira ressaltou a importância da utilização correta de dados e modelos matemáticos para gerar padrões e insights que possam contribuir para melhores decisões. Já Rodrigo Corbelli chamou a atenção para os profissionais em início de carreira. Segundo o executivo do iFood, a IA pode acelerar significativamente a produção de profissionais juniores, mas o ganho de velocidade precisa ser acompanhado por uma evolução igualmente rápida do aprendizado e do conhecimento.
Da Operação à Orquestração: os novos desafios da tecnologia de mídia na era da IA
A formação dos profissionais também esteve no centro do painel “Da Operação à Orquestração: os novos desafios da tecnologia de mídia na era da IA”, mediado por Carolina Duca, diretora de Infraestrutura e Telecom da Globo. O debate contou com Luiz Faray, consultor de Transformação Digital e Inovação do Google, e Rodrigo Schiavini, Chief Revenue Officer (CRO) da Magalu Cloud.
Luiz Faray destacou a passagem de um cenário dominado pela IA assistente para modelos de IA autônoma, capazes de executar processos com menor intervenção humana. Segundo ele, essa evolução traz um desafio adicional para a formação das equipes juniores, que tradicionalmente desenvolvem conhecimento e visão crítica ao executar tarefas que agora podem ser assumidas diretamente por sistemas automatizados.
A avaliação apresentada é de que a adoção da inteligência artificial precisa considerar não apenas produtividade e redução de custos, mas também como as empresas continuarão formando suas próximas gerações de profissionais. Nesse cenário, a transformação organizacional e a adaptação dos processos passam a ser tão importantes quanto a própria tecnologia utilizada.
Rodrigo Schiavini apresentou como exemplo de utilização da tecnologia a evolução da Lu, do Magazine Luiza. A aplicação utiliza inteligência artificial para transformar a influenciadora virtual em uma assistente de compras dentro do WhatsApp, mostrando uma aplicação de agentes de IA diretamente na relação entre empresa e consumidor.
Os três painéis evidenciaram diferentes dimensões de uma mesma transformação vivida pela indústria de mídia. Enquanto o comportamento da audiência dissolve fronteiras entre plataformas e exige novas estratégias para conquistar atenção, a inteligência artificial amplia a capacidade operacional das empresas e passa a interferir diretamente na organização do trabalho e na formação profissional.

O SET Expo 2026 segue até esta quinta-feira (20), no Distrito Anhembi, em São Paulo. O último dia do Congresso contará com a programação do Dia do Rádio, reunindo painéis dedicados aos principais temas relacionados ao futuro da radiodifusão sonora. O tudoradio.com segue acompanhando presencialmente o evento.


