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Quinta-Feira, 20 de Agosto de 2026 @ 09:04

SET Expo 2026 debate jornalismo agêntico e o impacto da IA na produção de notícias

São Paulo - Painel mostrou como agentes de inteligência artificial já aceleram processos nas redações, mantendo as decisões editoriais sob responsabilidade dos jornalistas

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Agentes de inteligência artificial já monitoram notícias, transcrevem transmissões, sugerem pautas, adaptam conteúdos para diferentes plataformas e aceleram etapas da produção jornalística. Ainda assim, especialistas defendem que o julgamento editorial, a criatividade e a responsabilidade sobre o conteúdo permanecem nas mãos dos jornalistas. Esse foi um dos principais pontos debatidos no painel "Jornalismo Agêntico e a Nova Arquitetura da Produção de Notícias", realizado nesta quarta-feira (19), durante o Congresso SET Expo 2026, no Distrito Anhembi, em São Paulo. O tudoradio.com, media partner oficial do SET Expo 2026, acompanha presencialmente a programação do evento.

Moderado por Márcio Carneiro dos Santos, coordenador do Grupo de Trabalho sobre Inteligência Artificial da SET, o debate reuniu Phil Petitpont, cofundador e CEO da Moments Lab; Thomas K. Pomerancblum, gerente-geral de Engenharia de Software do UOL; Adonias Melo, head da Plataforma de Mídias e Metadados da Globo; e Tuta Neto, CEO da Sampi e diretor de Novos Negócios da Jovem Pan.

Moments Lab mostra ganhos de escala com agentes de IA

Ao abrir as apresentações, Phil Petitpont apresentou o conceito de "fábrica de mídia agêntica", na qual agentes de inteligência artificial atuam de forma encadeada sobre transmissões ao vivo e conteúdos de acervo. Segundo o executivo, a tecnologia compreende o material em vídeo, identifica momentos relevantes, cria diferentes versões para públicos distintos e prepara a distribuição em múltiplas plataformas, formatos e idiomas.

Petitpont afirmou que cerca de 80% do processo de transformação de uma história em conteúdo para redes sociais é composto por tarefas repetitivas, como localizar trechos, recortar vídeos, criar legendas e adaptar formatos. Segundo ele, ao transferir essas etapas para agentes de IA, as redações podem ampliar significativamente sua capacidade de produção. Um dos exemplos apresentados mostrou a evolução de cinco para aproximadamente cinquenta clipes produzidos por dia. Para o executivo, o ganho de escala deve ser visto também como oportunidade de ampliar audiência, engajamento e receita, mantendo a validação editorial nas mãos dos profissionais.

Jovem Pan aposta na redução do retrabalho

Tuta Neto apresentou a experiência da Jovem Pan na utilização da inteligência artificial para pesquisa de pautas, consultas a bases de informação, recuperação de acervo e reaproveitamento de conteúdos. Segundo ele, uma transmissão ao vivo pode ser rapidamente transcrita e convertida em matérias jornalísticas, postagens e outros formatos destinados às plataformas digitais.

Para o executivo, a tecnologia abre espaço para reduzir atividades repetitivas e direcionar os profissionais para tarefas mais estratégicas e criativas. "A tecnologia já mudou e agora eu acho que a gente precisa mudar", afirmou.

UOL amplia uso de agentes em diferentes etapas da produção

Representando o UOL, Thomas K. Pomerancblum explicou que agentes de inteligência artificial já atuam em diferentes momentos da rotina jornalística. As ferramentas monitoram internet e redes sociais, acompanham transmissões ao vivo, geram transcrições, alertas, sugestões de pauta e rascunhos para as equipes.

Após a publicação das matérias, os sistemas também são utilizados para criar resumos, versões em áudio, legendas, recortes e tags. O executivo destacou que a empresa desenvolve uma camada mais avançada de orquestração desses agentes, capaz de utilizar memória e consultar diferentes bases de informação. Apesar da automação crescente, reforçou um princípio considerado essencial: "A direção e a última palavra são do jornalista."

Arquitetura e metadados sustentam a transformação

Na apresentação da Globo, Adonias Melo destacou que o avanço da inteligência artificial depende também de uma arquitetura capaz de organizar conteúdo, metadados, identidade e contexto. Segundo ele, o processamento em tempo real permite que materiais sejam tratados enquanto ainda estão sendo produzidos, acelerando sua distribuição para diferentes plataformas.

Ao resumir essa relação entre tecnologia e jornalismo, o executivo apresentou um conceito que sintetizou o posicionamento do painel: "A IA propõe; a redação decide e valida."

Embora tenham apresentado diferentes aplicações da inteligência artificial, os participantes convergiram para uma mesma conclusão: o jornalismo agêntico amplia velocidade, escala e reaproveitamento de conteúdo, enquanto a atuação humana permanece concentrada no julgamento editorial, na criatividade e na responsabilidade sobre a informação publicada.


Tuta Neto / Crédito: SET Expo 2026

O SET Expo 2026 prossegue até esta quinta-feira (20), quando o Congresso realiza o tradicional Dia do Rádio, reunindo painéis dedicados à evolução da radiodifusão sonora. O tudoradio.com acompanha presencialmente toda a programação do evento.

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Tags: SET Expo 2026, inteligência artificial, jornalismo, IA, redações, broadcast, Jovem Pan, Globo

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Daniel Starck
  • Daniel Starck – Jornalista, empresário e proprietário do tudoradio.com, maior portal brasileiro dedicado à radiodifusão, com mais de 20 anos no ar. É formado em Comunicação Social pela PUC-PR e teve passagens por emissoras como CBN, Rádio Clube e Rádio Paraná. Atua como consultor e palestrante nas áreas artística e digital do rádio, com participação em eventos promovidos por entidades como SET, AESP, AMIRT, ACAERT, ASSERPE, AERP e MidiacomPB. Também possui conhecimento na área de tecnologia, com foco em aplicativos, mídia programática, novos devices, inteligência artificial, sites e streaming. LinkedIn


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