




Sexta-Feira, 04 de Setembro de 2026 @ 06:09
São Paulo - Em artigo publicado pelo Radio Ink, Josh Brown defende que mudanças de comportamento entre jovens reforçam um dos principais diferenciais históricos do meio diante da inteligência artificial e da automação
O avanço da inteligência artificial e da automação, somado ao consumo cada vez maior de conteúdo digital, pode estar produzindo um movimento inesperado entre parte da Geração Z. Em artigo publicado pelo portal Radio Ink, o executivo norte-americano Josh Brown avalia que cresce entre jovens consumidores a valorização de experiências consideradas mais autênticas e humanas, cenário que, segundo ele, pode representar uma oportunidade estratégica para o rádio reforçar justamente um de seus principais diferenciais: a conexão entre pessoas. Acompanhe os detalhes:
Entre os exemplos citados pelo autor estão o retorno gradual do interesse por CDs, o reaparecimento de fones de ouvido com fio e o crescimento do uso dos chamados "dumb phones", aparelhos celulares com funções básicas adotados por usuários que buscam reduzir o tempo de exposição às telas. Para Brown, esses movimentos indicam que parte da geração mais jovem começa a questionar o excesso de tecnologia presente no cotidiano.
Segundo o executivo, essa percepção também aparece em pesquisas relacionadas à inteligência artificial. Brown cita um levantamento recente da Gallup que aponta que, embora 51% da Geração Z utilize ferramentas de IA generativa pelo menos uma vez por semana, o entusiasmo pela tecnologia vem diminuindo. Apenas 22% dos entrevistados afirmam estar animados com a inteligência artificial, uma queda de 14 pontos percentuais em relação ao ano anterior.
O estudo também mostra que 48% dos jovens que já estão no mercado de trabalho acreditam que os riscos da IA superam seus benefícios, enquanto apenas 15% entendem que as vantagens são maiores. Além disso, 69% afirmam confiar mais em trabalhos realizados sem o auxílio da inteligência artificial, contra 28% que demonstram maior confiança em conteúdos produzidos com apoio dessas ferramentas.
Para Brown, os números mostram que a Geração Z não caminha necessariamente para uma aceitação irrestrita da automação. "A geração que imaginávamos viver inteiramente por meio das telas talvez esteja começando a pensar que fomos longe demais", observa o autor.
Conexão humana volta ao centro
Outro exemplo destacado pelo executivo é uma campanha recente do banco norte-americano Chase. O comercial acompanha um jovem durante um dia repleto de interações automatizadas até que ele entra em uma agência física e é recebido por um atendente.
A peça encerra com a mensagem: "Em vez de criar novas formas para que máquinas conversem com pessoas, o Chase está criando novos lugares para que pessoas conversem com pessoas."
Na avaliação de Brown, o investimento de uma das maiores instituições financeiras dos Estados Unidos em uma campanha baseada na valorização do contato humano demonstra que esse atributo voltou a ganhar relevância mesmo em segmentos altamente digitalizados.
Oportunidade para o rádio
É justamente nesse cenário que Brown enxerga uma oportunidade para o rádio. Segundo ele, durante anos consolidou-se a percepção de que as novas gerações abandonariam definitivamente o meio em favor de plataformas como Spotify, YouTube, podcasts e redes sociais. No entanto, o excesso de conteúdo disponível pode acabar tornando ainda mais relevante a curadoria feita por pessoas.
O executivo argumenta que, quando qualquer música pode ser acessada instantaneamente, volta a fazer diferença alguém apresentar uma nova descoberta ao ouvinte. Da mesma forma, em um ambiente no qual a inteligência artificial consegue gerar conteúdos em grande escala, materiais produzidos por comunicadores reais passam a ganhar valor adicional.
"O rádio não precisa competir com os algoritmos tentando ser outro algoritmo. Ele pode oferecer aquilo que os algoritmos não conseguem fabricar: uma conexão humana verdadeira", resume Brown.
Desenvolvimento de talentos
Ao mesmo tempo em que identifica essa oportunidade, Brown alerta que o setor precisará preservar justamente aquilo que o diferencia. Para ele, emissoras que apostarem apenas em automação, programação padronizada e redução da presença humana poderão desperdiçar esse novo cenário cultural.
O autor defende que as rádios retomem investimentos na formação de novos profissionais, fortalecendo programas de estágio e ampliando a aproximação com universidades e cursos de comunicação. A proposta inclui permitir que estudantes acompanhem a rotina das emissoras, participem de transmissões, produzam conteúdo e aprendam com profissionais mais experientes.
Brown também recomenda que o setor procure identificar jovens com vocação para comunicação, narrativa, entretenimento e relacionamento com a comunidade, em vez de priorizar apenas profissionais especializados em redes sociais.
Para o executivo, durante décadas o rádio foi uma das principais escolas de formação de comunicadores nos Estados Unidos, desenvolvendo profissionais que mais tarde se tornaram referências em seus mercados. Segundo ele, reconstruir essa cadeia de formação pode ser um passo importante para que o rádio continue relevante junto às próximas gerações, justamente em um momento em que a autenticidade e a interação humana voltam a ganhar espaço nas preferências do público.
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E por qual razão olhar para lá fora?
O tudoradio.com costuma observar esses pontos de curiosidade dos números do rádio internacional para mapear possíveis mudanças de hábitos e a manutenção do consumo de rádio em diferentes países. Assim como ocorreu no ano anterior, periodicamente a redação do portal irá monitorar o desempenho do rádio nos principais mercados do mundo e, é claro, fazendo sempre uma comparação com a situação brasileira. E, como de costume, repercutindo também qualquer número confiável sobre o consumo de rádio no Brasil.
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Estúdio de rádio / Biblioteca Canva


