




Quinta-Feira, 10 de Setembro de 2026 @ 11:28
São Paulo - Jornalista teve mais de seis décadas de trajetória no rádio e participou de cinco coberturas consecutivas de Copas do Mundo pela Jovem Pan
O jornalista e engenheiro Claudio Carsughi morreu nesta quinta-feira (10), aos 93 anos. Com mais de sete décadas de atuação profissional, ele se consolidou como um dos nomes de referência da cobertura esportiva brasileira, com destaque para sua trajetória no rádio, especialmente na Rádio Bandeirantes, Jovem Pan, e Rádio Record, além de trabalhos ligados ao automobilismo e à indústria automotiva.
Nascido em Arezzo, na Itália, em 13 de outubro de 1932, Carsughi chegou ao Brasil com a família em março de 1946, no período posterior à Segunda Guerra Mundial. Em São Paulo, formou-se em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), mas manteve sua atuação no jornalismo, iniciada ainda na adolescência, quando escrevia para publicações italianas.
No setor automotivo, Carsughi teve participação importante na cobertura da evolução da indústria brasileira. Em 1956, realizou uma avaliação da Romi-Isetta e, posteriormente, trabalhou por 25 anos na revista Quatro Rodas. Foi também o primeiro jornalista a ver e testar o Volkswagen Gol, além de ter passado pelas redações das revistas Oficina Mecânica e Auto&Técnica.
No rádio, sua trajetória ultrapassou seis décadas. Além da Jovem Pan, Carsughi também teve passagens pelas rádios Bandeirantes e Record. Como comentarista esportivo, participou da cobertura de cinco Copas do Mundo consecutivas pela Jovem Pan, nas edições de 1970, 1974, 1978, 1982 e 1986.
Carsughi também foi apontado como pioneiro no uso de dados estatísticos durante transmissões de futebol. Segundo o relato divulgado pela Jovem Pan, a prática surgiu a partir de uma sugestão de Antônio Augusto Amaral de Carvalho, o “Seo Tuta”, fundador da emissora.
Outra frente de destaque foi a Fórmula 1. Suas análises iam além dos resultados das corridas, abordando aspectos técnicos como mecânica, desempenho dos motores e estratégias adotadas pelas equipes. Em maio de 1994, acompanhando transmissões em ondas curtas de uma rádio italiana, Carsughi foi o primeiro jornalista no Brasil a noticiar a morte cerebral de Ayrton Senna.
Mais tarde, também atuou na televisão, com passagens pela ESPN Brasil e pelo SporTV, além de posteriormente ampliar sua presença para o ambiente digital. A morte de Claudio Carsughi também foi comunicada por sua filha, a jornalista Claudia Carsughi, em uma homenagem publicada no portal mantido pela família. No texto, ela destacou características como ética, objetividade e retidão de caráter ao relembrar a trajetória do pai.
Entre as frases recordadas por Claudia está uma definição do próprio Carsughi sobre sua escolha profissional: “Resolvi fazer aquilo que eu amava e nada melhor que passar a vida trabalhando, assim o trabalho virou prazer”.

Cláudio Carsughi — Foto: Reprodução/Redes sociais


