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Quarta-Feira, 23 de Janeiro de 2013 @

Palavras sobre o rádio diante da web

Efeitos da globalização impactaram o rádio que ainda procura meios para se adequar a essa nova realidade.

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Sem dúvidas os efeitos da globalização impactaram também os meios de comunicação. Especificamente o rádio ainda procura a adequação ideal a essa nova realidade. Novos postos de trabalho foram criados no organograma dos veículos. Velhos postos foram extintos. O acúmulo de funções também faz parte dessa nova realidade imposta pela globalização.

O local e o global estão distantes e próximos, diversos e iguais. As identidades embaralham-se e multiplicam-se. As articulações e as velocidades desterriterioralizam-se em outros espaços, com outros significados. O mundo se torna mais complexo e mais simples, micro e macro, épico e dramático.  (IANNI, 1996, p. 250)
 
A informática contribuiu de forma definitiva para a globalização. Na mesma medida em que os processadores, computadores, softwares e hardwares ocupam menos espaço físico e diminuem de tamanho, a distância entre tudo e todos, também encurta. E de forma inversamente proporcional essa mesma informática processa os dados de forma cada vez mais veloz, facilitando a criação de disseminação das redes.
 
Hoje, a internet aparece como um espaço privilegiado de trocas (simbólicas ou virtuais) e apresenta-se entre as principais tendências de um mundo em redes, com o microcomputador funcionando como uma espécie de janela para esse mundo.  (MOREIRA, 1999, p. 208-209)
 
O computador tornou-se a janela para um mundo sem fronteiras e é nesse universo que as emissoras de rádio precisarão se estabelecer. A criação de homepages foi apenas um dos caminhos encontrados para encurtar a distância entre a emissora e seu público e ainda há a possibilidade da fixação de sua marca pelos aspectos visuais que a internet proporciona. Com a convergência das mídias uma gama infinita de possibilidades está em fase de criação (e sem limites para esta criação): transações bancárias diretas do celular, fazer compras pela TV, acessar a internet pelo rádio do carro e outros produtos que ainda serão desenvolvidos pelas empresas interessadas na lucratividade desse evento. Talvez a mais interessante convergência esteja na tríade telefonia celular-rádio-internet devido uma característica determinante: a possibilidade de levar “tudo isso” no bolso.
 
Porém existe um desafio que vem junto a esse pacote de possibilidade e vantagens: como poderemos ter “tudo isso no bolso”, a acessibilidade a emissoras de rádio de qualquer parte do planeta será ainda mais fácil. O ouvinte já pode ouvir uma emissora de seu município, do seu estado, da sua região, do seu país ou de outro, conforme sua vontade ou curiosidade. 
 
Os radialistas devem estar preparados para disputar a audiência com todas as ferramentas possíveis. Dessa forma todos podem tirar proveito dessa possibilidade: o ouvinte ganhará mais qualidade, seja ela musical ou promocional, os profissionais terão a chance de colocar a prova toda a sua capacidade e aqueles “aventureiros” que não são radialistas em sua essência perderão espaço.
 
Com a entrada de novas emissoras, a chegada dos MP3 Players e dos Ipods, com a fácil disseminação da informação, personalização das seleções musicais, o consumismo acelerado, a globalização, o avanço constante da informática e a convergência das mídias, tornou-se primordial buscar entender, de forma geral, os rumos que o veículo rádio pode tomar a curto, médio e longo prazo e de forma específica, o que o público jovem está interessado em consumir. 
 
O desenvolvimento de promoções específicas e que vão ao encontro dos anseios desse público são pré-condições para a disputa dessa fatia do mercado. A adoção de novas estratégias que envolvam novas tecnologias e que promovam cada vez mais a interatividade são os meios pelos quais se pode atingir este público.
 
O fortalecimento da marca junto aos ouvintes deve ser constante através de ações externas e divulgações extra-rádio. 
 
É preciso reinventar a forma de fazer rádio, especialmente para o público jovem pois este está sofrendo mudanças constantes sob influencia de vários fatores. A comunicação com esse público deve ser planejada e estruturada de forma clara e objetiva. Bordenave (1983) enfatiza que “a comunicação não é um ato isolado, ou uma série de atos individuais desconexos, mas um fluxo contínuo, de muitas origens e direções, com conteúdos e formas em constante mutação”.
 
A busca pela audiência e a disputa por uma fatia cada vez maior do mercado publicitário não deve sobrepujar o papel social do rádio. Segundo Poyares (1997) as principais virtudes do rádio são: a velocidade da informação, pois exige um equipamento pequeno; a intimidade por usar o sentido da audição; e o serviço pois o rádio é utilizável em maior número de oportunidades e ocasiões (em casa, no carro, no ônibus, etc.). O rádio é sem dúvida o meio de comunicação mais presente na vida da população. É preciso fazer desse fato, uma questão de profissionalismo, respeitando os ouvintes, o mercado e os aspectos sociais da comunicação em massa... Informar... Entreter.
 
Por fim, a pergunta que não quer calar: como aproveitar todas essas possibilidades utilizando as várias ferramentas da internet? Como navegar nessa e através dessa nuvem?
Tags: Rádio, Internet, globalização, informática, audiência

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Colunista
Renan Faé

Renan Faé é gerente de Programação e Operação da Rede Gazeta (www.redegazeta.com.br) de Vitória/ES



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