



Quarta-Feira, 21 de Janeiro de 2026 @
O rádio está diante do espelho em um momento em que a atenção virou o principal ativo. Mais do que tecnologia, o futuro do meio passa por relevância, vínculo com o ouvinte e coragem para mudar
Eu li um texto do Dave Van Dyke, CEO da Bridge Ratings Media Research, e ele revelou uma verdade inconveniente:
“A mídia digital não matou o rádio — ela expôs aquilo que o rádio nunca precisou aprender quando era dominante. Quando o rádio era massa, não precisava entender profundamente o comportamento individual. Não precisava personalizar. Não precisava perguntar por que aquele ouvinte apareceu hoje. A escala encobria muitos pontos cegos. O alcance perdoava ineficiências.”
Dave destaca, no entanto, que “o futuro do rádio não depende de ficar mais digital”. Depende de ficar mais letrado em como a mídia moderna conquista atenção.
A briga agora é pela atenção.
Os últimos dados do Cenp-Meios são positivos para o setor. Apesar de manter 4% de share, o rádio registrou crescimento de 9,12% no investimento publicitário, e o áudio digital subiu quase 22%.
2026 é um ano de eleições e de Copa do Mundo. Está todo mundo atrás do anunciante para garantir um segundo semestre sustentável, mas qual é a narrativa que você apresenta para o seu cliente?
Uma emissora de rádio não precisa de audiência de milhões. Ela precisa ser relevante para a sua bolha.
Mas aí vem a grande questão que o próprio Dave traz no artigo:
Para ser insubstituível, o rádio precisa de duas coisas: criatividade e credibilidade. E aí eu volto ao mesmo assunto de sempre: conteúdo é rei.
O digital já virou uma premissa básica para o novo rádio, mas autenticidade e relevância continuam sendo a base. Senão, é a mesma coisa que ter uma Ferrari sem rodas.
A briga não é mais dial vs. digital. É quem tem o ouvido do consumidor.
A mídia digital não matou o rádio.
Ela colocou um espelho na frente.
E, daqui para frente, o que muda não é o reflexo — é a coragem de olhar.

