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Terça-Feira, 27 de Janeiro de 2026 @

Rádio: não toque música com marca. Isso não é música, é publicidade

Se a gente não traçar um limite claro, o rádio continua entregando publicidade disfarçada de música, de graça, sem controle e sem perceber o prejuízo

Publicidade
Se eu fosse você, eu colocaria essa regra na parede do artistico e na mesa do comercial: rádio não pode aceitar música com nome de empresa ou produto. Ponto. Porque quando a música começa a inserir marca, patrocinador, empresa ou produto, ela deixa de ser música e vira jingle, e jingle é publicidade.

E aqui está o problema que muita emissora finge não ouvir: o rádio vive de publicidade. Se você permite que a propaganda entre “de graça” no meio da programação musical, você está entregando inventário publicitário sem cobrar, enfraquecendo a percepção de valor do seu break e treinando o mercado a anunciar na sua rádio por uma atalho.

O “jingle disfarçado” vira concorrente do seu comercial

Vamos imaginar o cenário: um artista grava uma música citando uma marca, e isso entra na sua rádio como se fosse “repertório normal”. A música roda várias vezes ao dia e na mesma música o impacto de uma citação de nome de empresa ou produto em uma música é muito maior do que em um spot de 30 segundos, além de um artista como influenciador daquela marca.

Agora pense com frieza comercial: por que um anunciante pagaria tabela no break se pode negociar com um artista (ou com uma ação paralela) para colocar o nome do produto dentro da música e ganhar execução recorrente, com “cara de conteúdo”? O risco é claro: daqui a pouco fica mais barato para esses anunciantes colocarem o nome numa música de um artista.

Resultado: a emissora vira vitrine de propaganda embutida, e o departamento comercial perde força sem nem perceber.

O ouvinte não quer “comercial o dia inteiro”

Tem outra conta que não fecha: a audiência. Quando a rádio aceita esse tipo de conteúdo, ela oferece um excesso de inserções de marcas em sua programação: a rádio vai ter comercial o dia inteiro, só que agora disfarçado de música. E a gente sabe o básico: o ouvinte não quer ouvir comerciais; ele quer ouvir música.

O break já é um momento sensível. Se a publicidade começa a invadir também a playlist musical, você corre um risco de aumentar rejeição, troca de estação e queda de tempo médio de escuta. E aí o prejuízo vira duplo: menos audiência e menos valor comercial.

Além do dinheiro: empobrece

Existe um dano invisível que é enorme: música com marca empobrece. Troca imagem, metáfora e emoção por “placa publicitária”. A canção perde intenção artística e vira peça de campanha. O público percebe, pode não verbalizar, mas sente. E quando sente, cansa e desconecta.

O rádio sempre foi guardião da emoção na música. Quando a emissora abre a porteira para a marca entrar no refrão, ela ajuda a transformar a cultura em catálogo.

“Ah, mas a música já vem pronta…” Então exija versão limpa

Esse é o argumento clássico: “o artista vai chegar com a música pronta”. Ótimo. A resposta profissional é simples e urgente:

O rádio tem que comunicar que não aceita mais.

Exija que ele faça uma versão sem o patrocínio.

Isso não é “implicância”. É política de proteção de mercado. É governança de conteúdo. É sobrevivência do meio.

O rádio “emocionado” precisa virar rádio estratégico

Existe uma frase que resume a doença: “o rádio aceita tudo e aceita quieto” — como um ser humano “emocionado”, que toca “porque é artista grande”.

Mas aqui vai a verdade que ninguém gosta: marca no refrão não é homenagem, é compra. E quando você toca isso como música normal, você está legitimando uma prática que corrói o próprio negócio do rádio.

O que fazer agora: um protocolo simples para emissoras

Se você dirige programação, comercial ou conteúdo, aqui vai um caminho prático:

Regra editorial: música com citação explícita de marca/produto não entra na programação musical.

Alternativa oficial: só roda versão limpa (sem marca), solicitada formalmente.

Transparência com o mercado: se for ação publicitária, trate como publicidade (com negociação, formato e precificação).

Proteção do ouvinte: preservar a experiência musical e reduzir “propaganda disfarçada”.

Conclusão: pare de entregar seu inventário de graça

Você pode até achar que “é só uma citação”. Não é. É um precedente. Se todo artista começar a inserir marca e produto na música, a rádio vira um corredor de anúncios cantados e perde relevância, poesia e dinheiro.

Então fica o recado, direto e sem maquiagem: rádio, pare de aceitar tudo.

Tags: rádio, programação musical, publicidade, jingle, estratégia comercial, marcas na música, gestão de c

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Colunista
Cristiano Stuani
  • Cristiano Stuani – Formado em Administração com Pós em Planejamento e Gerenciamento Estratégico, Professor Universitário e com vasta experiência em Marketing, Artístico e Digital em diversas rádios do Paraná e São Paulo, incluindo a coordenação da 98 FM de Curitiba e gestão artística da Massa FM em São Paulo, Curitiba, Maringá e Londrina. Como Head de Digital do Grupo Massa de Comunicação, liderou estratégias de digital em TVs, rádios e portais, enquanto continua sua formação em Inteligência Artificial e atuando como consultor para emissoras de rádio e coordenador do PDA - Programa de Desenvolvimento Acaert. (Cursos profissionalizantes para associados de Santa Catarina). LinkedIn









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