



Terça-Feira, 03 de Março de 2026 @
Algumas emissoras fazem isso de forma discreta, iniciando com MUTE, mas o áudio já foi carregado e fica "rodando por baixo", até que o usuário aperta o botão PLAY e o áudio aparece. Nossa, que mágica!! O áudio carregou rapidão!!!
Mas, analisando, vejo dois problemas com esse tipo de atitude.
Se o usuário está acessando e usa rede móvel (4G/5G) e tem um plano pré-pago com franquia de internet limitada, essa franquia é consumida sem que o usuário perceba e, de repente, "você atingiu o limite de consumo de dados". Ué, mas como? Eu estava só lendo as notícias no site da emissora?
Péssimo, né?
O outro problema é que isso infla a audiência da emissora, ou seja, a rádio "ganha ouvintes fantasmas", sendo que nem se quer estão ouvindo o que está sendo tocado. E aí vem aquele discurso: "minha rádio tem tantos mil ouvintes no streaming", sendo que de fato muitos ali nem chegaram a apertar o PLAY.
Ah, lembrei de outra coisa que incomoda absurdamente: o AUTOPLAY com o áudio ativado.
Imagine o cenário: você pega o seu celular ou computador e já é tarde da noite. A casa toda já está silenciosa e você quer acessar o site de uma determinada rádio para saber sobre uma promoção ou qualquer outro conteúdo para leitura, mas não quer ouvir a rádio naquele momento e.... PUMBA!!! Vem o áudio no talo acordando a casa toda e você desesperado para abaixar o volume rapidamente. Experiência frustrante, não é mesmo?
Quando comecei a minha história com rádio online, lá no início dos anos 2000, já tinha percebido essas atitudes, mas até então, tudo era mato. Muita gente estava descobrindo como fazer streaming de forma otimizada, usando o recurso de AUTOPLAY e tudo mais.
Mas, passado mais de 20 anos, percebo que algumas rádios, online e terrestres, ainda não entenderam como o jogo funciona. Não dá pra ganhar e conquistar um ouvinte na base do "grito". Pelo contrário. Já deixei de ouvir rádios que faziam o uso deste tipo de recurso.
Entendam: o ouvinte nem sempre acessa o aplicativo ou o site da emissora para consumir o áudio. Quando isso acontece de forma automática, você acaba mais espantando do que atraindo. Deixe que o usuário decida se ele quer ouvir a programação naquele momento ou não. E, acredite, quando o comando está com ele, o valor do PLAY é muito mais gratificante, afinal ele realmente quer te ouvir.


