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Sexta-Feira, 13 de Março de 2026 @

IA: Culpa da Máquina ou Inércia Humana?

O avanço da Inteligência Artificial expõe uma divisão crescente no mercado: profissionais que usam a tecnologia para evoluir e outros que resistem à mudança e acabam ficando para trás

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O mercado de trabalho está rachando. De um lado, profissionais que abraçaram a Inteligência Artificial (IA) para otimizar tempo e estratégia; do outro, uma legião de pessoas que insiste em virar a cara para a tecnologia. Como gestores e consultores, estamos observando de perto, e com crescente preocupação, o abismo que se forma entre esses dois grupos. 

Antes de avançar para a crítica principal, é fundamental fazer uma ressalva justa logo no início do texto para evitar injustiças com quem realmente tenta fazer a diferença. Existem exceções reais onde a culpa pela estagnação ou pelo desemprego não é do colaborador. Muitas vezes, profissionais proativos e dispostos a aprender encontram barreiras intransponíveis, limitados pela má gestão das empresas onde atuam. São pessoas presas em corporações engessadas ou rádios ruins simplesmente não oferecem as ferramentas e as condições básicas para que a equipe busque alternativas e novidades. 

É a clássica situação do barco afundando: muita gente busca evolução, mas acaba afundando junto. Quando o ambiente se recusa a inovar, não adianta ter um subordinado super proativo tentando salvar a operação sozinho.  

Contudo, superada essa exceção estrutural, precisamos falar sobre a regra geral e dolorosa: a inércia individual. Recentemente, recebi uma mensagem reveladora de um profissional buscando ajuda para se recolocar no mercado: "Perdi meus frilas para a Inteligência Artificial". A reflexão que fica é necessária. A culpa é realmente do algoritmo ou do profissional que se recusou a dar o próximo passo? A resposta é dura. A culpa é de quem parou no tempo e não fez o mínimo esforço para se atualizar. 

O mito do "roubo" de empregos e a exaustão da gestão 

Existe uma fadiga real entre quem lidera equipes. Tornou-se absolutamente exaustivo e frustrante trabalhar com profissionais que nunca sequer abriram uma ferramenta de IA generativa. A insatisfação de ter que lidar com pessoas que se recusam a usar a tecnologia, ou que ainda estão engatinhando quando o mercado já exige fluência, é gigantesca. É, francamente, uma vergonha constatar que um profissional de marketing ou de comunicação, áreas que deveriam respirar inovação e ditar tendências, não utilize essas ferramentas no seu dia a dia. 

Ninguém está exigindo que todos se tornem especialistas da noite para o dia. A questão é puramente estratégica: saber usar a tecnologia para melhorar a qualidade do trabalho e ganhar tempo. 

O nível de resistência beira a autossabotagem. Há pouco tempo, observei um designer profissional levar 30 minutos para entregar uma arte. Do lado dele, apenas usando o celular e uma IA, cheguei a um resultado equivalente em exatos dois minutos. Ao confrontá-lo sobre o motivo de não integrar a IA ao seu fluxo, a resposta foi o clássico mecanismo de defesa: "No design, não devemos usar isso porque vai tomar o espaço das pessoas". 

A realidade que ele e muitos não querem enxergar é que a IA não vai tomar o espaço. Ela já tomou. A máquina foi 28 minutos mais rápida e a ferramenta estava ali, disponível, podendo estar nas mãos dele. O profissional que insiste em ficar "bicudo" com a inovação é o verdadeiro responsável por cavar um buraco irreversível em sua própria carreira. 

O Rádio e a recusa em evoluir 

E se engana quem pensa que essa resistência é exclusividade de criativos. Em todas as áreas, inclusive nos meios de comunicação tradicionais como o rádio, a falta de adesão à IA gera resultados embaraçosos. 

Dias atrás, ouvindo o rádio na estrada, presenciei um locutor com mais de 30 anos de carreira pronunciar grotescamente errado o nome da banda Foreigner ao vivo, em um daqueles programas românticos de fórmula engessada. O constrangimento poderia ter sido evitado em segundos. Bastava uma simples pergunta ao ChatGPT ou similar: "Qual a pronúncia correta desta banda em inglês?" ou "Me dê um contexto histórico sobre eles". O rádio precisa parar de passar vergonha por pura teimosia tecnológica. 

A fadiga irreversível e o chamado à ação 

Nós, que atuamos na gestão e consultoria, já não temos paciência para a inércia. Estamos lidando com a exaustão de tentar puxar para o futuro quem insiste em ficar no passado. É exatamente essa recusa em se adaptar que abre as portas para que a IA substitua o trabalho humano. A inteligência artificial só vai tomar o seu emprego se você permitir que ela seja mais eficiente, rápida e curiosa do que você. 

A culpa não é da tecnologia. Pare de terceirizar a responsabilidade. É hora de evoluir. Estude, teste, erre e avance no uso estratégico da Inteligência Artificial. Diminua o abismo entre você e os profissionais que já entenderam as regras do novo jogo. Caso contrário, você não será substituído pela IA, mas sim por alguém que sabe usá-la.

Tags: Inteligência Artificial, mercado de trabalho, transformação digital, produtividade, inovação tecnoló

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Colunista
Cristiano Stuani
  • Cristiano Stuani – Formado em Administração com Pós em Planejamento e Gerenciamento Estratégico, Professor Universitário e com vasta experiência em Marketing, Artístico e Digital em diversas rádios do Paraná e São Paulo, incluindo a coordenação da 98 FM de Curitiba e gestão artística da Massa FM em São Paulo, Curitiba, Maringá e Londrina. Como Head de Digital do Grupo Massa de Comunicação, liderou estratégias de digital em TVs, rádios e portais, enquanto continua sua formação em Inteligência Artificial e atuando como consultor para emissoras de rádio e coordenador do PDA - Programa de Desenvolvimento Acaert. (Cursos profissionalizantes para associados de Santa Catarina). LinkedIn









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