



Terça-Feira, 17 de Março de 2026 @
O “detox” de notícias parece uma solução. Mas, muitas vezes, só troca o jornalismo profissional pelo fluxo desordenado das redes sociais
Apesar de os veículos de imprensa estarem nas redes sociais, eles vão se misturar com muito conteúdo sem checagem, sem apuração, com vieses duvidosos e até mal-intencionados. Claro que não dá para generalizar todas as personalidades que trabalham com isso, mas durante o seu “detox” dos veículos de imprensa você continuará sendo impactado por políticos, influenciadores, entre outros perfis, que irão mantê-lo engajado nos temas jornalísticos (ou que são disfarçados de jornalismo). Em resumo, sua busca por diminuir a ansiedade pode ser em vão, com resultados até mais danosos: você pode sair mais desinformado, preocupado e com a ansiedade ainda lá em cima.
Ou seja, nessas “férias” do jornalismo, você apenas acabou entrando numa bolha, com menor acesso ao contraditório, à apuração jornalística, checagens etc., por melhor que seja a sua seleção de perfis que você segue nas redes sociais. Isso, como você já deve ter notado, não é tão relevante, tanto que está cada vez mais difícil acompanhar a vida social dos amigos próximos, familiares etc. A lógica do feed mudou faz tempo, e as redes estão cada vez menos sociais, pelo menos entre as pessoas que desejamos de fato seguir.
É comum notar que as pessoas que conseguiram de fato as tais “férias das informações” e diminuíram a ansiedade foram aquelas que deletaram momentaneamente seus aplicativos de redes sociais, retornando depois ao consumo, junto com o acesso e a audiência a veículos de imprensa.
O meu ponto aqui, até como jornalista, é jogar no debate essa história de “detox” das notícias. Pois, se sua intenção é recarregar as energias sem consumir notícias da imprensa, mas mantendo o consumo de redes sociais, talvez o resultado final seja pior do que o anterior.

