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Terça-Feira, 24 de Março de 2026 @

As duas vidas de Nelson "Tatá" Alexandre

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Com caretas, graças e trejeitos, tudo naturalmente engraçado, Tatá furou a fila da comida, passando na frente da garotada, que tinha preferência de se servir do tradicional e opulento almoço de Natal na casa do Serginho Leite na Ilhabela. De repente, travou. Quase sum sussurro saiu, “não estou me sentindo bem”.

O aneurisma pegou Nelson “Tatá” Alexandre num dos seus grandes momentos, em 1997, fazendo rir muito na segunda geração do “Show de Rádio” pela Rádio Bandeirantes, capitaneada pelo Serginho e produzida por mim, sucedendo com gratidão o criador Estevan Sangirardi (vale muito um gúgol.)

Tatá foi trazido para São Paulo, operado de urgência com chances pouco animadoras. Pois ele se recuperou e viveu quase 30 anos mais. Esta foi a segunda vida do Tatá.

Primeira Vida

Nos seus primeiros 56 anos. Tata cantou, fez locução, escreveu, apresentou até virar definitivamente humorista, mais especificamente, comediante, aquele que dá voz e colorido aos textos, e que quando cria, vai deslizando pela corda bamba do improviso. Ele vai se instalar tranquilamente na mesma prateleira de Rádio de Nhô Totico ou Adoniram Barbosa ou Castro Barbosa, da PRK-30 (Lauro Borges escrevia).

O mesmo na TV, onde além do humor físico, tirava partido de figurinos e adereços os mais espalhafatosos, ridículos e deliciosamente improvisados. Na telinha, a maior parte do tempo, fazendo contraponto ao mau-humor histriônico do idem grande Carlos Roberto “Escova”.

De volta ao rádio, Tatá foi a cara de muitos programas na Jovem Pan, culminando com sua entrada nos anos 70 no “Show de Rádio”, um sucesso que hoje é impossível de alcançar, nem mesmo imaginar, porque rádio e o futebol mudaram muito. Era tradição sair do estádio depois do jogo e, no congestionamento, ouvir os rádios dos carros e nos ônibus ecoando o humor criado pelo Sangirardi.

Tatá também esteve na segunda geração do Show de Rádio, após a morte do Sanja e a passagem do legado para Serginho Leite, que remontou a equipe com Tatá, Weber Laganá Pinfari e Odayr Batista. Timaço.

Trabalhar com o Tatá, nesta fase foi um presente e um aprendizado. Ele sabia fazer de cor e salteado, mas preferia fazer salteado. Recebia o roteiro, batia os olhos e quando eu conseguia organizar um ensaio, ele perguntava muito para tirar o melhor do texto. Mas no ar, fazia tudo do seu jeito. Que era sempre melhor.

Suas imitações não eram tecnicamente perfeitas, não eram para ser. Tatá fazia caricaturas escrachadas pra ficar completamente à vontade para improvisar e “chanchar” – gíria do meio para interpretar com exagero, à maneira das chanchadas do cinema nacional. Pesquise, garoto.

A gente tinha patrocínio, reconhecimento público e repercussão na audiência. E o Tatazinho iluminava este trabalho com a sua competência e o bom humor que saia do ar e nos matava de rir nos corredores da rádio. Até...

Segunda Vida

Tata sobreviveu à paulada da natureza, mas pagou um preço. Perdeu parte dos movimentos de um dos lados do corpo, manteve a consciência, percebia tudo, mas, imenso castigo, perdeu a capacidade de falar. Tartamudeava. Nos primeiros anos, algo parecido com “nota, nota”.

Nos 30 anos seguintes, Tatá ficou na maior pare do tempo em casa, sob os cuidados da amorosa e incansável esposa Célia e dos adoráveis filhos Marina e Leandro. Recuperou alguma mobilidade e criou com a família um dialeto em que as palavras não pronunciadas eram identificadas pelos sons, expressões e gestos.

Mas nunca mais voltou ao microfone.

Quer dizer, quase. Um tempo, depois demos um jeito de trazê-lo para o estúdio do Show de Rádio, onde ele viveu o personagem “Bispo da Cracóvia”, dentro da sessão de paródia “Igreja Universal do Treino de Deus”, do “Bispo Mais Cedo”. Claro que a língua polonesa foi substituída pelo “tatanês” Ele repetia as mesmas sílabas, mas imprimia a fluência de uma conversa, inclusive fazendo (estávamos no radio feito com áudio) vários gestos sacanas e aquela cara de quem está falando grandes e divertidas bobagens.

Gestos parecidos fazia nos almoços que a turma do Show de Rádio promovia em torno dele, geralmente num rodízio bem barulhento, de modo que nossa algazarra se misturasse ao ambiente. Era um carinho na alma ver os seus olhos brilhando enquanto comia e participava da conversa. E sempre, sempre, sempre com a tradução da Celinha, companheira amorosa e dedicada tradutora.

Tatá, pra mim, com certeza, para o outro sobrevivente daquela equipe, o Laganá e para quem viveu suas duas vidas, será sempre essa mistura forte e funda de risadas e lágrimas.

Para as risadas, indico este caminho, uma matéria da TV Cultura na fase Bandeirantes.

E dos arquivos ainda a serem organizados, uma passada pela família palmeirense em 2005 Noninha, Valdemar Fiúme , personagens tradicionais e Ademir, Dudu, o sobrinho, atualização nossa

Tags: Nelson Alexandre, histórico, trajetória, rádio, TV, especial, homenagem

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Colunista
Luiz Henrique Romagnoli Luiz Henrique Romagnoli é radialista, jornalista, consultor e redigiu e dirigiu o Show de Rádio a partir de 1996. Promete para logo a abertura do seu blog romagnoli.radio.br. Não deixem de perder.










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