



Sexta-Feira, 15 de Maio de 2026 @
A frase acima, atribuída a Charles Darwin, embora não conste de seus escritos, vem sendo usada em diversas situações e pode se encaixar no caso da Rádio Eldorado. E aqui quero ressaltar muito mais os êxitos que os erros. A Eldorado nunca buscou os primeiros lugares de audiência, mas sim a qualidade do conteúdo, seja no jornalismo ou na música. E como sobreviver com as escassas verbas publicitárias destinadas ao rádio não estando entre as mais ouvidas? Foram várias as estratégias ao longo dos anos, e posso destacar aqui o prestígio conseguido pela emissora com suas iniciativas, como a campanha pela despoluição do Rio Tietê, a campanha pelo fim da obrigatoriedade da Voz do Brasil, a ousadia de veicular um programa diário sobre jazz apresentado pelo Jô Soares, a cobertura de esportes olímpicos como Vela e Tênis, o Pintou Limpeza, que levou educação ambiental para os ouvintes e pressionou autoridades para a adoção de políticas de preservação do meio ambiente, a introdução do ouvinte repórter com informações sobre o trânsito narradas pela própria audiência da emissora e muitas outras iniciativas, muito bem contadas pelo seu ex-diretor, João Lara Mesquita, no livro “Eldorado, a rádio cidadã”.
Eu entrei na empresa quando ainda eram duas rádios, a Eldorado AM e a Eldorado FM. Rapidamente tive a oportunidade de apresentar algumas etapas do Prêmio Visa de Música Brasileira. O projeto teve nove edições e revelou alguns dos mais prestigiados artistas da nossa música. Participei ativamente durante todas as edições dos Grandes Encontros, que promoveu dezenas de shows gratuitos com grandes e novos nomes da música brasileira, em parceria com um shopping center paulistano. Vieram os Grandes Encontros Olímpicos e o MPB Café, que eu tive a oportunidade de produzir e apresentar, misturando bate-papo e música ao vivo com plateia.
Na Eldorado, entrei como locutor e pude me tornar repórter, programador musical, roteirista, produtor até assumir a gerência artística. Tive a oportunidade de desenvolver e colocar no ar atrações com Fernanda Young, Marina Person, Paula Lima, Paulo Caruso e muitas outras. Todo mundo queria estar na Eldorado.
Retomando a frase do início, a Eldorado buscou caminhos pra sobreviver por muitos anos, e teve êxito, na minha opinião, porque tinha amor envolvido. Se os profissionais da publicidade já não enxergam um bom retorno ao investir no rádio, porque não buscar as leis de incentivo fiscal, que mantém vivos vários ecossistemas artísticos como o cinema e o teatro produzidos no país? Muitas produções de TV, algumas com baixas audiências e conteúdos relevantes, sobrevivem com leis de incentivo. Citei aqui apenas um exemplo, mas certamente existem outros caminhos. O Estadão, que insiste em manter sua edição impressa, não se preocupou em buscar os caminhos para a sobrevivência de sua emissora de rádio. Perdemos todos nós. A boa notícia é que o rádio continua vivo, fazendo companhia, informando, educando, entretendo e emocionando milhões de pessoas. Tudo isso, apesar de dizerem algumas vezes que ele tinha morrido.

