



Segunda-Feira, 22 de Junho de 2026 @
Mais de 90 anos na melhor companhia. Do AM para o FM, do satélite ao digital, cada Copa o mesmo sentimento. Em 1938, a “Rede Verde-Amarela” narrou o Brasil na França pela primeira vez em tempo real. Em 1958, foi o rádio que apresentou Pelé ao mundo. Sem o rádio, o planeta talvez nunca tivesse conhecido o Rei do futebol. Por trás de tudo, uma figura decisiva: Paulo Machado de Carvalho, fundador da Rádio Panamericana e da Jovem Pan, chefe da delegação brasileira em 1958 e 1962, conselheiro de Pelé, o “Marechal da Vitória”, o homem do rádio e do futebol. Pois é, a história revela que o rádio deu sobrenome emocional ao futebol.
Todo apaixonado por futebol tem no rádio sua fonte mais confiável. Muitos torcedores escolheram seu clube do coração durante uma transmissão daquelas que arrancam o grito de gol da garganta, contagiados por um narrador vibrante. É uma cultura desportista brasileira.
Hoje, com TV por assinatura, streaming e aplicativos disputando atenção, o rádio mantém um diferencial que nenhuma plataforma eliminou: o vínculo cultural afetivo. E mais, áudio no FM opera com latência mínima, em tempo real, com 0,3 segundos, a TV aberta se aproxima com 5 segundos, parabólica 15 segundos e os demais veículos no streaming e em apps levam até um minuto. O gol, a vitória e até a derrota chegam primeiro no dial. O Radinho não exige tela, não exige dados de celular, não exige parar a vida.
Enquanto a Copa acontece, há um Brasil em movimento, do interior à capital, do sertão nordestino à floresta amazônica. O policial que faz a segurança das cidades, o cozinheiro que permanece na cozinha, o vigilante que guarda o condomínio, pessoas cegas, o médico e toda a equipe de enfermagem que cuida de quem não pode esperar, o caminhoneiro que cruza o país, o morador de rua que encosta o ouvido num radinho de pilha embaixo de um viaduto. Para todos eles, um rádio, colocando cada um na arquibancada e fazendo sentir o clima do estádio.
O rádio é o único veículo de comunicação que chega igual para o camarote e para a calçada. Que emociona o torcedor no estádio e o paciente no leito. Que une quem tem tudo e quem não tem quase nada. O rádio nunca deixou ninguém para trás.

