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Segunda-Feira, 09 de Fevereiro de 2015 @ 00:00

Henrique do Valle

Bate-papo Henrique do Valle sobre o rádio no Brasil e nos EUA.
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Começamos o ciclo de entrevistas de 2015 no Tudo Rádio com um dos nomes mais conhecidos e respeitados do rádio brasileiro. Trata-se de Henrique do Valle, profissional com passagem por várias emissoras importantes do país e que hoje atua com produção para o setor a partir dos Estados Unidos, onde reside. Henrique é responsável pelas produções da famosa produtora norte-americana Reel World que estão no dia-a-dia das rádios brasileiras, além de recentemente atuar como consultor do projeto 102 Rádio City de Santos (saiba mais) e comandar o "Music Nation" em várias FMs brasileiras.

Henrique também vai abrir o ciclo de bate-papo sobre rádio do Tudo Cursos (www.tudocursos.com.br), programado para o final de fevereiro (em breve mais detalhes).

Acompanhe o bate-papo que tivemos com Henrique do Valle. Boa leitura!

Henrique, você é uma das referências do rádio FM no Brasil. Mesmo morando nos Estados Unidos, você mantém uma atuação nas rádios brasileiras. Como é esse seu trabalho?

Eu atualmente sou representante oficial da ReelWorld Jingles no Brasil. Com isso, tenho tido um grande contato com emissoras de rádio em todo Brasil, pelo fato delas nos procurarem para contratar os nossos serviços. Além disso, eu produzo e apresento o programa Music Nation, que hoje é transmitido em 40 emissoras em todo o Brasil. Como hoje as pessoas têm acesso as informações muito rápido, o meu trabalho é procurar dar o máximo em conteúdo as emissoras. Por isso, além do programa eu distribuo também os “Minutos Music Nation” um pacote semanal de pílulas de entretenimento, curiosidades e tecnologia que são inseridas durante a programação musical.

O que há de novidades da Reel World para as rádios do Brasil?

Hoje a ReelWorld é a maior produtora de jingles no mundo. Atualmente a produtora está desenvolvendo novos pacotes de jingles em diferentes formatos. A principal novidade para este primeiro semestre será o novo pacote da Heart FM da Inglaterra que estará disponível para as emissoras adultas e Gospel no Brasil. Novos pacotes para rádios rock/pop também estão sendo desenvolvidos.

Além da plástica (que é muito conhecida e adotada por várias rádios), a Reel World oferece outros serviços para as rádios. Fale sobre eles.

Production Vault: É como uma “biblioteca” de efeitos on-line disponíveis em 10 formatos. Atualmente este serviço está sendo usado em mais de 1000 emissoras no mundo todo. O mais popular é com certeza, o PV CHR usado pelas rádios pop. Aqui nos Estados Unidos, este serviço é utilizado pelas emissoras Z100 em NY e KIIS FM em Los Angeles. No Brasil a Rádio 89 FM tem a licença do serviço no formato Rock, e a 102 Radio City em Santos. Outro formato muito popular é o PV News.

REELWORLD ONE: Serviço de jingles atualizado mensalmente. As emissoras que assinam este tipo de pacote, recebem todos os meses, dois jingles novos. O interessante é que os jingles são cantados em todas as notas musicais, e eles podem ser usados para “carimbar” qualquer música, dando uma característica única à emissora, desenvolvendo desta forma a identidade da rádio. No Brasil as emissoras Jovem Pan, Educadora e Clube FM de Ribeirão Preto são algumas que possuem este pacote premium da RW.

PREP+: Lançado há dois anos, este serviço é focado exclusivamente no desenvolvimento de conteúdo da emissora. Tópicos sobre entretenimento em geral como música, cinema, celebridade, e eventos em geral estão disponíveis 24 horas por dia, sendo atualizados a cada hora. Desta forma, os Morning Shows e toda a staff da emissora, têm acesso em uma única plataforma, a tudo que está acontecendo, e fornecer as informações no ar, na medida que elas acontecem. A plataforma permite também a criação e edição de notícias locais. A Rádio JB no Rio de Janeiro, por exemplo, possui este serviço.

No início de setembro você ministrou uma palestra durante a SET Expo sobre o conteúdo do rádio nos Estados Unidos. Como foi essa palestra?

Fui convidado pelo Rodrigo Neves, presidente da AESP para ministrar uma palestra sobre o que acontece hoje em dia nas rádios nos Estados Unidos. Basicamente, a diferença que existe entre as rádios “terrestres” e as rádios e serviços na web, é o que vem entre as músicas. Hoje em dia, os jovens têm acesso as músicas através da Internet, mídia social, e os serviços de streaming de músicas como Pandora e Spotify. Por isso, na palestra eu abordei os seguintes fatores: Conteúdo, Plástica e a forma com que tudo isso é entregue ao ouvinte. Sem conteúdo, a rádio hoje em dia está, ao meu ver, morta. As rádios precisam ter uma identidade. Sem identidade, o ouvinte não sabe se está ouvindo a rádio A, B ou C. Por isso é necessário que a emissora tenha uma plástica adequada. Aqui os diretores de produção são elementos fundamentais no desenvolvimento disso. E as emissoras têm um budget anual para investimento nesta área. E finalmente como todo este conteúdo e entregue ao ouvinte. Aí vem o papel do comunicador.

Fale um pouco sobre as principais diferenças que você vê entre as rádios americanas e as brasileiras.

As rádios americanas gastam uma fortuna na plástica e no material humano. Os locutores quando entram no ar, têm que estar preparados. Eles pesquisam e estudam sobre tudo que está acontecendo no mundo, não só no que gira no mundo da música, mas o que acontece na política, economia, etc. O locutor tem que estar preparado. Essa história de deixar a rádio no automático e ficar no Facebook o dia inteiro, anunciando e "desanunciando" músicas, não existe. Ele vem para a emissora para trabalhar mesmo. Durante a minha visita a várias rádios no Brasil, observei isso infelizmente.

Talvez porque durante muitos anos os programadores adotaram um formato de rádio amarrada, deixando os locutores sem liberdade de se expressarem ou de interagir com os ouvintes. Hoje sinto que as rádios no Brasil seguem sistematicamente uma mesma forma no ar. Os breaks comerciais são todos iguais. Hora certa é sempre dada durante os breaks. As rádios aqui nos Estados Unidos são mais soltas. Não existe uma necessidade do locutor falar depois de 2,3 ou 4 músicas. Ele fala quando tem alguma coisa interessante sobre uma determinada música, artista, ou evento. É aquele compromisso de dar conteúdo ao ouvinte.

E como vai o rádio via FM e AM nos Estados Unidos? A internet é complemento para ele ou já avançou para outro estágio de maior importância?

Todos os anos em abril existe um evento chamado Radio Summit. Ele reúne os grandes profissionais do rádio nos Estados Unidos onde os principais tópicos são discutidos. O principal deles e a “Guerra” entre a as rádios “terrestres” e as web rádios, e serviços de música via streaming. Logicamente em anos recentes, a competição ficou muito mais acirrada, e por esta maneira, estudos estão sendo feitos para determinar o comportamento atual dos ouvintes em diferentes faixas etárias. Novamente, foi concluído que o conteúdo é dos elementos fundamentais. Desta forma, os grandes grupos de comunicação, como por exemplo iHeart Media, lançou uma plataforma on-line onde o ouvinte pode ouvir qualquer emissora do grupo. Além disso, produções especiais são também disponíveis nesta plataforma. Portanto, seja a emissora no AM ou FM, todas elas estão de uma certa forma se integrando a internet criando um pacote completo. Essa história que a internet vai derrubar o rádio é papo furado. Existe sim uma integração entre internet + Radio (AM e FM).

Como você vê a migração das rádios AM para o dial FM aqui no Brasil?

Acho positivo, mas será que acontece mesmo? Lendo as notícias do Brasil, como escândalos da Petrobras, acho que tem coisa mais importante a ser resolvida aí, do que a migração do AM para o FM. Realmente é uma pena…

Sobre a sua história no rádio, para quem não acompanhou seu trabalho, fale um pouco das emissoras que você trabalhou aqui no Brasil.

Acho que sou um daqueles caras que viveram no tempo que rádio era solto. O ouvinte ligava o rádio para ouvir músicas e as personalidades. O locutor tinha que ter carisma, personalidade. Emilio, Cesar Rosa, Rony Magrini, Julinho Mazzei, Tutinha, Bob Floriano, Serginho Leite, Celso Giunti e outros grandes…. Tem muita gente boa…. Esse povo vinha para entreter. A gente sentia que eles eram nossos melhores “amigos”. Era como se eles entrassem na sua casa, fossem pra cozinha e começam uma festa por lá. Qual é o melhor lugar de uma festa? A cozinha é claro! Por isso, quando ouvia esses caras, o meu objetivo era poder entreter como eles…

Vim para os Estados Unidos com uma bolsa para fazer faculdade. Na época era atleta e praticava Saltos Ornamentais. Fui estudar no Texas, depois Flórida e Califórnia. No final das contas descobri que a faculdade oferecia um curso de Radio Broadcasting e acabei me apaixonando. Em Los Angeles, tive a sorte de começar a estagiar na Power 106 FM e acabei ficando lá por quase 5 anos. Trabalhei no Dept. de Promoção e depois Produção. Foi la que comecei a produzir o programa Power Tracks que acabou sendo transmitido na Rádio Transamérica, Jovem Pan e Metropolitana durante os anos 90.

Durante o período que vivi no Brasil tive a oportunidade de fazer grandes amigos dos quais falo até hoje. Essa parte social no Brasil e realmente incrível. Muita festa, muito calor humano, coisa que o americano não tem. Em compensação o lado profissional que a gente encontra aqui não tem igual. Você nos Estados Unidos é valorizado profissionalmente de uma forma bem diferente do que no Brasil. A mentalidade é completamente diferente. Não posso comparar qual é a melhor ou pior. Eu diria diferente. Eu me adequei ao profissionalismo americano. Funciona perfeitamente para mim e para os produtos que produzo. Talvez por isso, que felizmente todas as minhas afiliadas estão conosco e, como consequência, essa forma de eu trabalhar tem me ajudado a crescer no Brasil!

Para finalizar, acredito que nada seja impossível. É só querer. Mas têm que querer muito porque os que querem pouco, acabam morrendo na praia! Além disso, outro segredo para mim é estar disposto a ajudar sempre. Faço isso sempre e o retorno vem sempre em dobro!

Grande abraço

Tags: Henrique do Valle, Reel World, Tudo Cursos, Music Nation, Estados Unidos

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Daniel Starck

Daniel Starck é jornalista, empresário e proprietário do tudoradio.com (veiculo que atua há mais de 19 anos voltado aos interesses do rádio brasileiro e de seus ouvintes). Formado em Comunicação Social / Jornalismo pela PUCPR, Daniel também já teve passagens por rádios como CBN, Rádio Clube e Rádio Paraná. Também atua como palestrante e consultor nas áreas artística e digital.








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