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Segunda-Feira, 14 de Agosto de 2017 @ 00:00

José Mauro Ávila

José Mauro Ávila conversou sobre a migração AM-FM, processamento de áudio, RDS (Radio Data System), entre outros temas importantes para o setor.
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Já no clima do SET EXPO 2017, o portal tudoradio.com conversou com o engenheiro técnico José Mauro Ávila, diretor técnico no Mega Sistema de Comunicação (Ribeirão Preto). O profissional, que atua no comitê técnico da AESP e da SET, conversou sobre a migração AM-FM, processamento de áudio, RDS (Radio Data System), entre outros temas importantes para o setor.

 
Boa leitura a todos!
 
José Mauro, como você vê o processo de migração dessas 150 rádios que já migraram e dos mais de 500 contratos assinados, com relação a questão técnica e para o radiodifusor?
 
Eu fico contente porque foi um trabalho realizado em equipe e foi bem aceito pelos radiodifusores e fabricantes. Acho que deveria estar um pouco melhor para o radiodifusor, que tem muitos problemas jurídicos para assinar contratos. A crise no Brasil afetou muito e algumas rádios não estão conseguindo acertar suas documentações. Existe um apelo dos radiodifusores com relação a isso. Mas, no geral, está indo muito bem.
 
Nas FMs que você tem acompanhado, quais as maiores deficiências no processo de modulação no aspecto do resultado final do produto FM com relação a qualidade do áudio e o que mais pode ser feito?
 
Sobre a qualidade do áudio e seus efeitos na modulação, tenho a dizer que é uma cadeia. Ele tem que ser bem gravado, ter boas placas de áudio para reprodução, uma boa mesa de áudio, um bom processador de áudio, um bom link e um bom transmissor. É uma sequência. Temos acompanhado que a grande maioria peca na qualidade da fonte do áudio, nos links e no processador de modulação. Sem falar no transmissor. O excitador dos transmissores deixa muito a desejar. Mas o que mais peca mesmo são os links.
 
Observando o mercado nacional, você entende que ele está preparado com os equipamentos de monitoração de sinal FM em seus vários parâmetros ou acredita que ainda exista a necessidade de um aprimoramento?
 
Sobre a indústria nacional, ela está preocupada em cumprir normas. O que a norma pede, alguns fabricantes estão atendendo, que é o nível de piloto, nível de subportadoras. Alguns não têm nem nível de RDS. Estão monitorando somente o estéreo e o piloto. Mas bem pouco o RDS. Mas hoje, com o mundo moderno com processadores digitais, links de IPs, está deixando muito a desejar porque o radiodifusores vê o monitor de modulação como uma ferramenta obrigatória que não traz benefício nenhum para ele. E isso não é verdade. Existem bons monitores de modulação com ferramentas sofisticadas monitores baseados em DSP que é uma ferramenta muito boa quando se tem um bom processamento e se tira um aproveitamento muito bom desse monitor, inclusive vendo o áudio e a sujeira que estão na emissora.
 
Gostaria que você comentasse sobre o peso de modulação no FM e o que isso significa para o radiodifusor quanto para o ouvinte e quais os cuidados devem ser tomados.
 
É o impacto que o áudio oferece no rádio. Quando você está ouvindo uma emissora e você muda de estação, ela tem um impacto. Isso é dado de várias maneiras, como nível de compressão, nível de limitadores, vários processos que são embutidos em um processador de áudio. Mas, se deve ter muito cuidado com isso. Existe uma literatura do Bob Orban que diz que quando a emissora é voltada ao público feminino, tem que tomar muito cuidado, porque a mulher tem um ouvido muito perceptivo à distorção e ela não gosta daquela rádio porque ela acha que tem algo que a incomoda e ela não sabe explicar o que é. O Bob Orban tem uma literatura muito interessante sobre isso. Mas, o radiodifusor precisa optar sobre ter um som bom, com qualidade ou de ter uma presença no dial. Não dá para forçar muito uma presença, se não fica aquele som “achatado” e hoje nós vemos o problema do MP3, que veio para modernizar e passar o áudio via internet, só que isso degradou muito a qualidade do áudio. Hoje, qualquer pessoa tem um estudiozinho em casa, não tem um pingo de noção de mixagem e sai gravando música e comercial e você vê a qualidade indo embora.
 
Sobre o RDS, a injeção da subportadora RDS 57 KHz, uma subportadora digital no mundo analógico, quais os cuidados devem ser tomados visto que, pelo menos um quarto dos receptores automotivos estão voltados para isso?
 
Alguns cuidados devem ser tomados com relação ao RDS. Cumprir a norma, a exigência de colocar o nível de RDS adequado, não passar a modulação a 110%, deve ser mantido isso. Não adianta modular a 110% e não ter RDS, porque a Anatel sabe identificar se a rádio tem RDS ou não. Quando usar o RDS, deve-se ter cuidado com o P.I., que é o identificador único, para que duas emissoras não tenham o mesmo P.I., e rádio não fique saltando de uma emissora para outra, o monitor deve estar apto a fazer a monitoração do RDS, medindo a taxa de erro, ver o que está escrevendo, tanto no PS quando no rádio-texto. A maioria dos rádios só mostram 8 dígitos, que é o PS e algumas empresas de RDS um tipo de scrool, que vai mudando de 8 em 8 caracteres para passar nome de músicas, textos, etc. Eu, particularmente, não gosto, porque o PS atualiza muito rápido e se você não tiver um sinal muito bom na cidade, ele fica pulando ou congela. E isso não é legal. Eu prefiro transmitir no rádio-texto mesmo, que demora um pouco mais, mas a informação é mais precisa.
 
Para encerrar, qual a principal indicação ao radiodifusor que está no processo migratório, das alterações que deve empreender sobre estúdios, links e equipamentos de transmissão. Qual sua opinião a respeito e sua indicação aos empresários da radiodifusão. E o que você da palestra SET que vai abordar a suficiência energética e modulação FM, no dia 23 de agosto, às 11h30, no painel da migração.
 
Para o radiodifusor que está fazendo suas alterações para o processo de migração, ele deve fazer uma boa escolha do equipamento, verificando quem é seu concorrente, o que ele tem, porque é com o concorrente que ele vai brigar. Então, se ele tem o equipamento X, você tem que ter um equipamento para poder brigar com ele, dentro das suas capacidades. Não estamos falando para fazer um alto investimento em uma cidade que não dará o retorno necessário. Mas, existem vários processadores de boa qualidade com preços mais em conta. O radiodifusor deve começar escolhendo uma boa antena. Todo mundo começa a montar a rádio pelo estúdio, com mesa de som e processador. Mas, a primeira coisa que se deve escolher é a antena. Fazer um bom projeto, uma boa antena para se ter uma boa eficiência no transmissor e não ter que usar um que gaste muita energia elétrica. Também escolher uma boa localização para depois começar a escolher o link, caso o estúdio seja longe do transmissor, um bom processador de áudio, boa console e uma boa fonte de áudio. Não existe milagre. Se a fonte de áudio não for boa, não tem jeito. Eu costumo dizer o seguinte: Se você faz uma foto de uma pessoa cortando o rosto dela, não tem Photoshop que vai fazer a parte que foi cortada. Com o áudio é a mesma coisa. Sobre a SET, espero contar com todos lá e temos muita coisa para mostrar sobre nível de modulação, eficiência de transmissor, temos aprendido muito com novos monitores de modulação, temos visto emissoras de grande porte com nível de piloto excedente, nível de RDS altíssimo, sujeira de link, entre outros assuntos que iremos apresentar
 
Tags: SET Expo 2017, congresso, feira, cobertura, rádio, programação

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Eduardo Cappia

Eduardo Cappia é engenheiro eletricista, habilitado em eletrônica e comunicações, diretor e membro do comitê técnico da Aesp, Diretor de Rádio da SET (Sociedade de Engenharia de Televisão), membro do Conselho Consultivo do Rádio Digital do Ministério das Comunicações e diretor da EMC Solução em Telecomunicações.

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