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Terça-Feira, 20 de Novembro de 2018 @ 13:14

Carros elétricos deixam de ter faixa AM nos rádios nos Estados Unidos

São Paulo - Novo tipo de motor interfere na transmissão da faixa e montadoras decidem excluí-la

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Os carros elétricos produzidos nos Estados Unidos estão deixando de ter em seus rádios a faixa AM, considerada muito forte no país. Os mesmos motores elétricos que propiciam velocidade superior a 240 km/h (quilômetros por hora) ao Tesla e permitem que o Chevy Bolt rode 380 quilômetros com apenas uma carga, matam completamente a recepção de rádio AM. Em lugar de esportes, notícias, ou canções nostálgicas, os carros elétricos recebem apenas estática.

As montadoras de automóveis estão investindo fortemente em carros equipados com motores elétricos. Apesar de ainda serem equipados com o rádio, os modelos estão sendo produzidos apenas com a faixa FM e as rádios AM estão ficando pelo caminho. O oftalmologista Daniel Rich, 58, é fã tanto da rádio NBR AM 680 de San Francisco, na Califórnia, quanto do Chevy Bolt. "Todos os meus outros carros, ao longo dos anos, eram capazes de captar a estação muito bem, apesar da distância", disse o oftalmologista. "Mas não o Bolt".

Uma porta-voz da General Motors disse que a GM estava ciente da questão quanto ao Bolt, e que havia "tomado providências", mas se recusou a dizer exatamente quais. O problema, dizem especialistas, é que os motores dos veículos elétricos geram frequências eletromagnéticas do mesmo comprimento de onda que os sinais das rádios AM. Isso cria ruídos e perda de sinal, por conta da interferência eletromagnética. "Você tem dois sinais que literalmente colidem um com o outro e se cancelam, antes mesmo que a antena receba o sinal", disse Brian McKay, diretor de inovação de motores e tecnologia na unidade americana da fabricante de autopeças alemã Continental.

À medida que os motores dos veículos elétricos ganham potência, cresce a estática que geram para as rádios AM. "O problema está se agravando", disse McKay. Em lugar de resolver as queixas quanto à baixa qualidade de recepção, algumas montadoras, entre as quais a BMW, removeram os rádios AM de seus veículos elétricos. A Honda já não os oferece no seu híbrido elétrico, o Acura NSX.

A Tesla removeu os rádios AM de todos os modelos que está produzindo atualmente, entre os quais o Model S, que oferecia essa opção. Em lugar disso, ela oferece um serviço de rádio via internet e também rádio FM, e como opcional, oferece rádio de alta definição e conexão Bluetooth para transmitir rádio diretamente aos fones de ouvido.

Travis Hollman, 49, dono de uma empresa na região de Dallas, no Texas, disse ter encomendado um Tesla com todos os opcionais quando o modelo ainda vinha equipado com o rádio AM. Seu Model S 2018 chegou em abril sem o rádio. "Fiquei tão furioso que quis devolver o carro", conta.

Ele acabou ficando com o Model S, mas sente falta de ouvir os programas esportivos locais e as estações de rádio com programação política conservadora. "Eles não querem que eu ouça Rush Limbaugh", brincou Hollman.

As rádios AM atuais, que já estão lutando com uma perda de receita publicitária que dura uma década, se preocupam com a perda de ainda mais audiência motorizada. "É um verdadeiro desafio para o setor, e eles estão tentando convencer as montadoras a incluir rádios AM" em todos os seus veículos, disse Mark Fratrik, vice-presidente sênior e economista chefe da BIA Advisory Services, uma empresa de pesquisa de mercado com foco na mídia eletrônica de massa.

As maiores estações de rádio AM têm sua programação distribuída pelos serviços de rádio via internet, o que oferece aos motoristas a oportunidade de ouvir suas estações favoritas mesmo longe de casa. Mas estações AM menores podem não ter a capacidade de bancar o equipamento necessário a participar da era digital. A BMW anunciou ter reconhecido cedo o problema de interferência, em seus modelos Mini E e ActiveE. O carro i3, lançado em 2013, nunca foi equipado com rádios AM.

A Associação Nacional de Rádios e TVs dos Estados Unidos criticou a decisão da BMW em uma carta aberta divulgada em 2014. "O rádio AM continua a ter um importante papel no panorama cultural dos Estados Unidos, e os motoristas do i3 merecem acesso a essa programação", escreveu Gordon Smith, o presidente da associação, ao presidente de operações da BMW no país.

O rádio de alta definição (HD), cujo sinal é digital, é o equipamento padrão nos carros da montadora vendidos nos Estados Unidos, disse um porta-voz da BMW, e "muitas estações AM tradicionais nos mercados importantes estão disponíveis via sinais de HD secundários e terciários".

Não existe uma maneira fácil de eliminar a interferência eletromagnética que abafa o sinal do rádio AM sem acrescentar peso demais ao carro, dizem especialistas. A Toyota Motor está trabalhando em uma solução, mas "é um problema bem difícil", afirmou Rich Sullivan, especialista em compatibilidade eletromagnética e gerente sênior de engenharia no centro de pesquisa e desenvolvimento da montadora nos Estados Unidos.

Sullivan apontou que a indústria automobilística enfrentou desafio semelhante quando os carros movidos à gasolina começaram a oferecer rádios AM e precisavam lidar com o forte barulho dos equipamentos de degelo e ventoinhas do sistema de aquecimento.

Algumas empresas que fabricam sistemas de entretenimento para veículos disseram que o momento do rádio AM talvez tenha passado definitivamente. "Mesmo que resolvamos o problema, há uma gravitação em direção ao rádio via internet", e isso vai substituir os rádios tradicionais, disse Balaji Iyer, vice-presidente de carros conectados na Harman, uma subsidiária do grupo Samsung.


Interior do veículo comercializado pela Tesla, um dos fabricantes mais conhecidos no setor de carros elétricos

Com informações do The Wall Street Journal, traduzido do inglês por Paulo Migliacci.

Relevância do AM nos Estados Unidos

É fato que o maior volume de audiência está no FM e a audição de rádios via streaming está expandindo de forma significativa nos Estados Unidos, conforme destacado anetrormente pelo tudoradio.com em várias pesquisas. Porém a possibilidade de ausência da faixa AM em vários veículos podem causar impactos significativos para estações e consumidores desavisados, inclusive nos principais centros norte-americanos.

Por exemplo: segundo a medição PPM da Nielsen, atualizada em outubro deste ano, Chicago (terceiro maior mercado do país) e San Francisco (quarto) possuem uma rádio AM na vice-liderança de audiência. São elas: WBBM AM 780 de Chicago (formato All-News) e KCBS-AM 740 em San Francisco (All-News). Nos dois casos há repetição em FM (o que pode minimizar em seus projetos o impacto da ausência do AM em veículos elétricos).

Em Nova York, maior mercado dos Estados Unidos, a WINS-AM 1010 está na sétima colocação geral na medição PPM da Nielsen, sendo a primeira no formato "All-News" na cidade e com uma participação de mercado muito próxima do volume registrado por uma FM que está em quarto geral na medição. Nesse caso não há repetição em FM analógico, mas sim em HD 3 na sintonia da KNEW FM 102.7, de formato Hot AC). 

Los Angeles, segundo mercado em importância, a KFI AM 640 também não conta repetição em FM analógico, rádio de formato "News Talk Info." que está em sétimo na medição PPM da Nielsen de outubro. A iHeatMedia, proprietária da estação, opera a programação da KFI em HD2 da KOST FM 103.5 (formato adulto-contemporâneo).

Colaboração de Daniel Starck

Tags: Rádio, AM, aparelho, carro elétrico, Estados Unidos

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Carlos Massaro

Carlos Massaro atua como radialista e jornalista e é formado em Direito. Já coordenou artisticamente uma afiliada da Band FM (interior de São Paulo) e trabalhou como locutor em outra retransmissora da Band FM e na Interativa de Avaré. Atua pelo tudoradio.com desde 2009, responsável pela atualização diária da redação do portal.



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