Quinta-Feira, 03 de Abril de 2025 @ 11:33
Brasília – Segundo o relatório, imprensa brasileira sofreu ataque a cada cinco dias no ano passado
A ABERT divulgou o seu Relatório sobre Violações à Liberdade de Expressão. Segundo o documento, em 2024, a imprensa brasileira sofreu algum tipo de ataque a cada cinco dias. Ao todo, foram registrados 72 casos de violência não letal, envolvendo pelo menos 84 jornalistas e veículos de comunicação. Embora o número represente uma queda de 54% em relação ao ano anterior, os dados ainda são alarmantes.
Este total se aproxima do registrado em 2019, quando foram computados 56 casos envolvendo pelo menos 78 profissionais e veículos de comunicação. Desde 2012, quando a ABERT iniciou o monitoramento desses ataques, 2024 se tornou o terceiro ano sem assassinatos de jornalistas brasileiros por exercício da profissão, ao lado de 2019 e 2021.
Entre as formas de violência, as agressões físicas foram as mais frequentes, totalizando 23 casos, o que corresponde a 32% do total de ataques. Apesar de uma queda significativa de 96% neste tipo de ocorrência em comparação a 2023, pelo menos 28 jornalistas foram vítimas de empurrões, tapas, socos e chutes. Desse total, 43% dos agredidos estavam em cobertura política, principalmente relacionada às eleições municipais.
As regiões Norte e Sudeste concentraram os maiores índices de agressões físicas, com homens e profissionais de emissoras de TV sendo os principais alvos. Os autores mais recorrentes desses ataques foram políticos e ocupantes de cargos públicos, seguidos por policiais e agentes de segurança.
Outro destaque negativo do relatório é o número de ameaças registradas. Foram oito casos em 2024, sendo a maioria delas de ameaças de morte. Embora haja uma redução em relação ao ano anterior, profissionais de TV em coberturas políticas continuam sendo os principais alvos.
Os casos de atentados (3), ofensas (9), roubos e furtos (7) mantiveram os mesmos números de 2023. Já os casos de censura aumentaram 50% em relação ao ano anterior, com cinco equipes de reportagem sendo impedidas de realizar coberturas em diferentes regiões do país.
O presidente da ABERT, Flávio Lara Resende, destacou a importância de se combater qualquer tentativa de intimidação contra o trabalho jornalístico: "Enquanto houver um único jornalista atacado em função da atividade profissional, a liberdade de imprensa corre risco, assim como a democracia. Tais ações intimidatórias jamais serão o caminho para o aprimoramento de nossa sociedade, da liberdade de expressão e do Estado Democrático de Direito", comentou.
O Relatório da ABERT pode ser acessado em abert.org.br
Carlos Massaro atua como radialista e jornalista. Já coordenou artisticamente uma afiliada da Band FM (Promissão/SP) e trabalhou como locutor na afiliada da Band FM em Ourinhos/SP e na Interativa de Avaré/SP e como jornalista na Hot 107 FM 107.7 de Lençóis Paulista/SP e na Jovem Pan FM 88.9 e Divisa FM 93.3 de Ourinhos. Também é advogado na OAB/SP e membro efetivo regional da Comissão Estadual de Defesa do Consumidor da OAB/SP. Atua pelo tudoradio.com desde 2009, responsável pela atualização diária da redação do portal.