




Sexta-Feira, 23 de Janeiro de 2026 @ 09:12
São Paulo - Guia lançado pelo governo groenlandês reforça a importância do rádio como principal meio de comunicação em situações de emergência e apagões, em meio a tensões políticas com os Estados Unidos
O Governo da Gronelândia divulgou nesta quarta-feira (21) um guia oficial que orienta as famílias da ilha ártica sobre como agir em situações de crise. Entre os itens considerados indispensáveis, o documento dá destaque especial ao rádio, apontado como meio fundamental para obter informações em casos de apagões e falhas na comunicação digital. A publicação ocorre em meio às recentes tensões políticas envolvendo o presidente norte-americano Donald Trump, que voltou a manifestar interesse em assumir o controlo do território autónomo dinamarquês.
O guia, intitulado “Preparado para a Crise”, foi apresentado pelo Ministério da Natureza e Ambiente da Gronelândia e reúne instruções para cinco dias de autossuficiência em situações de emergência. O governo orienta os cidadãos a manterem rádios alimentados por baterias, energia solar ou manivela, como forma de garantir acesso contínuo a informações e alertas oficiais, mesmo durante cortes de energia elétrica ou interrupções na internet. “Em situações de apagão ou isolamento, o rádio continua sendo a forma mais confiável e imediata de obter informações oficiais”, reforça o texto do governo groenlandês.
O destaque dado ao rádio reflete a importância do meio para a comunicação em regiões com clima extremo e baixa densidade populacional. Além de transmitir avisos e instruções das autoridades, as emissoras locais são vistas como ponto de coesão social durante emergências, desempenhando papel vital no contato com comunidades isoladas.
Segundo o governo autónomo da Gronelândia, o guia é “um complemento às medidas de preparação já existentes”, voltado tanto ao auxílio individual quanto ao fortalecimento da comunidade. “Temos uma tradição de estarmos bem preparados, em parte porque o clima instável e as alterações climáticas fazem parte do nosso dia-a-dia”, afirmou Peter Borg, responsável pela área de autossuficiência do governo. Ele lembrou que a iniciativa é resultado de um ano de trabalho após “uma série de cortes de energia de curta e longa duração” que afetaram o país.
O documento também recomenda o armazenamento de três litros de água por pessoa por dia, alimentos de fácil preparo e longa duração, medicamentos essenciais, produtos de higiene, cobertores, roupas térmicas e equipamentos de aquecimento, como fogões e aquecedores a querosene, itens indispensáveis numa região em que as temperaturas podem chegar a -20°C.
A publicação ganhou ainda mais repercussão por coincidir com declarações do presidente Donald Trump, que durante o Fórum Económico Mundial de Davos, na Suíça, voltou a afirmar o interesse dos Estados Unidos em adquirir a Gronelândia. Embora tenha descartado o uso de força militar, Trump defendeu “negociações imediatas” sobre o controlo do território, alegando razões de segurança nacional.
A presidente da Câmara de Nuuk (capital da Groenlândia), Avaaraq S. Olsen, reagiu afirmando que as falas do líder americano continuam a gerar preocupação entre os cidadãos. “Isto pode acalmar um pouco os nossos nervos relativamente ao aspeto militar, mas ainda estamos preocupados”, declarou. “Dá um pouco de segurança, mas parece que vamos ter de continuar a lutar para manter a nossa bandeira”, completou.
Olsen também criticou a afirmação de Trump de que a Gronelândia seria “apenas um pedaço de gelo”, classificando a fala como “um reflexo do desconhecimento sobre o povo groenlandês e do desrespeito pela opinião dos outros”.

Imagem: tudoradio.com/IA
Com informações do ECO


