




Quarta-Feira, 04 de Fevereiro de 2026 @ 11:24
São Paulo - Estudo global aponta que rádio e podcasts ganham protagonismo nas estratégias digitais de veículos jornalísticos em 2026
O áudio, com destaque para o rádio e os podcasts, desponta como o formato mais promissor e estratégico para o jornalismo em 2026. De acordo com o estudo “Journalism and Technology Trends and Predictions 2026”, do Reuters Institute for the Study of Journalism, 71% dos executivos ouvidos planejam ampliar investimentos em produtos de áudio neste ano. O levantamento ouviu 280 editores, CEOs e líderes digitais de 51 países.
A pesquisa mostra que o áudio supera até mesmo o texto como foco de investimento, sendo considerado menos vulnerável às mudanças causadas por ferramentas de inteligência artificial, como resumos automáticos e respostas diretas nos buscadores. O formato é visto como mais eficaz na construção de hábito e confiança, pois é consumido de forma integral e menos exposto ao comportamento de “clique zero”, fenômeno que reduz o acesso direto ao conteúdo dos produtores.
O estudo também relaciona o crescimento do áudio ao avanço da mídia centrada em personalidades. Mais de três quartos dos veículos (76%) pretendem incentivar seus jornalistas a se tornarem criadores de conteúdo, especialmente por meio de podcasts, newsletters e transmissões ao vivo. Além disso, 50% planejam parcerias com criadores, e 31% desejam contratá-los diretamente.
Do ponto de vista de distribuição, o YouTube aparece como a principal plataforma de interesse dos executivos em 2026, com pontuação líquida de +74. A plataforma é cada vez mais usada para consumo de áudio, especialmente podcasts, inclusive via smart TVs e dispositivos conectados. TikTok (+56) e Instagram (+41) também apresentam crescimento como canais de veiculação de conteúdo jornalístico.
Outra tendência reforçada pelo relatório é a valorização de formatos mais humanos e explicativos diante da expansão da inteligência artificial. Para 52% dos executivos, o aumento do conteúdo automatizado e da desinformação tende a fortalecer a demanda por jornalismo verificado, aprofundado e com vozes confiáveis, o que favorece ainda mais o crescimento do áudio.
O uso de IA nos bastidores das redações também é considerado relevante: 97% dos entrevistados apontam a automação como importante para operações internas, como apuração, programação e desenvolvimento de produtos. Apesar da presença crescente dessas ferramentas, a maioria indica que ainda não houve redução significativa de postos de trabalho.
Em contraste com o avanço do áudio, a pesquisa aponta que os formatos textuais enfrentam maior pressão. A confiança geral no jornalismo caiu para 38%, uma queda de 22 pontos percentuais em quatro anos. Além disso, o tráfego via buscadores deve cair, em média, 43% nos próximos três anos. O Google já registrou queda global de 33% nas referências a sites jornalísticos, enquanto o Facebook recuou 43% e o X (antigo Twitter), 46%, nos últimos dois anos e meio.

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E por qual razão olhar para lá fora?
O tudoradio.com costuma observar esses pontos de curiosidade dos números do rádio internacional para mapear possíveis mudanças de hábitos e a manutenção do consumo de rádio em diferentes países. Assim como ocorreu no ano anterior, periodicamente a redação do portal irá monitorar o desempenho do rádio nos principais mercados do mundo e, é claro, fazendo sempre uma comparação com a situação brasileira. E, como de costume, repercutindo também qualquer número confiável sobre o consumo de rádio no Brasil.
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