




Domingo, 19 de Abril de 2026 @ 20:15
Las Vegas (EUA) - Grade reuniu representantes da AudioShake, NVIDIA e Autotune para mostrar como a Inteligência Artificial já impacta a produção de áudio em áreas como separação de stems, isolamento de diálogos, redução de ruído e reaproveitamento de acervos
Um dos painéis do NAB Show 2026 colocou em evidência o avanço da Inteligência Artificial na produção de áudio, com reflexos diretos sobre fluxos de trabalho ligados à música, ao cinema e também ao conteúdo falado. Moderada por Sherry Hedrickson, engenheira de áudio e especialista em desenvolvimento de negócios para Twitch, Discord e Autotune, a conversa reuniu Jessica Powell, cofundadora da AudioShake, e Shari, líder da vertical de áudio e música na NVIDIA. O tudoradio.com realiza uma cobertura especial do NAB Show 2026, com os apoios da ABERT, a BeAudio, a AMIRT e o MidiacomPB.
Ao longo da discussão, as participantes mostraram como a IA já vem sendo aplicada em diferentes frentes da cadeia de produção. Entre os usos destacados estão a separação de áudio em stems, o isolamento de diálogos, a redução de ruído, a análise de grandes catálogos musicais e o apoio a processos criativos e operacionais que antes demandavam mais tempo e custo.
No caso da AudioShake, Jessica Powell explicou que a empresa é focada em tecnologias de separação de fontes sonoras, permitindo dividir mixagens em fluxos distintos para facilitar edição, licenciamento, remasterização e localização. Segundo ela, esse tipo de solução já é usado por ligas esportivas, estúdios de cinema, marcas ligadas ao setor musical e empresas de tecnologia, sempre com foco em escalabilidade e maior controle sobre os conteúdos de áudio. :contentReference[oaicite:3]{index=3}
Aplicações em música e cinema
Entre os exemplos práticos citados no painel, a separação de elementos de gravações antigas foi apontada como um dos campos mais impactados pela IA. Na música, a tecnologia permite criar versões instrumentais, isolar vocais e recuperar materiais que antes tinham limitações técnicas, inclusive para uso em novos licenciamentos e em mixagens imersivas, como no formato Atmos.
Já no setor de cinema e pós-produção, a adoção dessas ferramentas contribui para simplificar tarefas antes consideradas complexas ou demoradas, reduzindo trabalho manual e custos operacionais. A IA também foi apresentada como aliada em processos de localização e adaptação de conteúdos, especialmente em cenários que exigem mais agilidade na entrega final.
Um dos destaques tecnológicos mencionados foi o DialogRT, modelo desenvolvido pela AudioShake em parceria com a NVIDIA, com uso da plataforma TGX Spark. A solução é voltada ao isolamento de diálogo em tempo real, separando voz, diálogo e som de ambiente, além de reduzir ruídos com baixa latência. Segundo as painelistas, trata-se de um avanço importante para aplicações ao vivo e para fluxos que exigem resposta imediata.
IA generativa e compreensão de catálogo
Representando a NVIDIA, Shari afirmou que a IA generativa já aparece em usos variados no mercado de áudio. No campo da voz, ela citou aplicações voltadas a setores como medicina e cinema. Já na música, destacou ferramentas que auxiliam produtores na criação de samples, demos e referências, acelerando etapas do processo criativo.
Outro ponto enfatizado foi a chamada compreensão de catálogo. De acordo com Shari, modelos como o Music Flamingo ajudam parceiros a analisar grandes volumes de ativos musicais, identificando características específicas em milhões de faixas. A aplicação é vista como estratégica para áreas como supervisão musical, curadoria e A&R, especialmente quando há necessidade de localizar rapidamente determinados estilos, climas ou perfis sonoros em grandes bibliotecas.
Redução de ruído e reaproveitamento de acervos
Sherry Hedrickson também destacou aplicações voltadas à limpeza de áudio, citando o VocalPrep, solução da Autotune desenvolvida para reduzir ruídos em faixas vocais. A proposta é melhorar a qualidade de gravações feitas em ambientes não profissionais, ampliando as possibilidades de uso da IA em tarefas objetivas e pontuais dentro da produção sonora.
Além disso, as debatedoras abordaram o potencial da IA para monetização de conteúdos antigos. Jessica Powell explicou que proprietários de obras audiovisuais podem remasterizar programas de TV e outros materiais cujas licenças musicais expiraram, removendo trilhas comerciais e preservando sons naturais para viabilizar novas versões e redistribuições em plataformas digitais e canais de streaming.
Impacto no mercado e visão dos artistas
Na avaliação das participantes, ainda existe resistência de parte dos artistas e detentores de direitos em relação ao uso de IA, principalmente quando o debate envolve treinamento de modelos com obras sem consentimento. Ao mesmo tempo, o painel destacou que cresce a percepção da tecnologia como uma ferramenta de apoio criativo, capaz de acelerar fluxos de trabalho, facilitar a produção de demos e ampliar o acesso de novos criadores a recursos antes mais restritos.
Jessica Powell observou que tecnologias de IA e machine learning já são usadas há algum tempo em áreas como masterização, enquanto o debate atual se concentra mais diretamente na IA generativa. Para ela, essas ferramentas também ajudam a remover limitações criativas em produções de menor orçamento, permitindo novas possibilidades tanto para artistas quanto para produtores.
Sherry Hedrickson comparou esse movimento ao que ocorreu com o próprio Autotune ao longo das últimas décadas. Segundo ela, assim como outras tecnologias transformadoras, a IA pode aparecer de forma evidente, como recurso estético, ou atuar de maneira transparente, apenas para aprimorar o resultado final conforme a intenção criativa de cada projeto.
Futuro da IA no áudio
Sobre os próximos anos, a expectativa apresentada no painel é de evolução dos modelos atuais para versões mais leves, rápidas e eficientes, com operação local em dispositivos. A computação on-device foi apontada como um fator importante para garantir privacidade, segurança e controle sobre os dados, especialmente em produções sensíveis, como álbuns ainda em desenvolvimento ou conteúdos inéditos em fase de finalização.
Na etapa final do encontro, também houve espaço para discutir o impacto da IA sobre os trabalhos de mixagem. A percepção predominante entre as painelistas é a de que a tecnologia deve automatizar tarefas mais simples e operacionais, mas não eliminar o papel criativo dos profissionais de áudio. O entendimento é de que mixers, engenheiros e produtores seguem sendo essenciais nas decisões estéticas e no acabamento final de obras de maior nível artístico e técnico.
Dessa forma, o painel do NAB Show 2026 reforçou a visão de que a Inteligência Artificial tende a ocupar um papel cada vez mais relevante no setor de áudio, não apenas como ferramenta de eficiência, mas também como suporte à criatividade, à adaptação de conteúdos e à abertura de novas oportunidades para o mercado.

Cobertura NAB Show 2026 tudoradio.com
O tudoradio.com acompanha novamente o NAB Show direto do Las Vegas Convention Center, local onde será realizada a feira e o congresso entre 18 e 22 de abril, nos Estados Unidos, em trabalho realizado com a Mentoria Cristiano Stuani. Toda a programação paralela ao NAB Show, realizada para radiodifusores brasileiros, também terá atenção especial na cobertura. A Cobertura NAB Show 2026 tudoradio.com tem como parceiros apoiadores a ABERT, a BeAudio, a AMIRT e o MidiacomPB.
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