




Segunda-Feira, 18 de Maio de 2026 @ 16:23
Porto Alegre - Evento realizado em Porto Alegre reuniu especialistas e representantes do setor para discutir inovação tecnológica, novos modelos de negócio e o futuro do rádio diante da transformação digital
O 18º Seminário do SindiRádio, promovido pelo Sindicato das Empresas de Rádio e TV do Rio Grande do Sul (SindiRádio), reuniu representantes de emissoras, empresários, profissionais da comunicação e especialistas do setor neste sábado (16), em Porto Alegre. Com o tema “O Rádio em Todas as Telas: O Novo Modelo de Negócio da Radiodifusão”, o encontro debateu os impactos da transformação digital sobre a radiodifusão, com foco em rádio híbrido, monetização, inovação tecnológica e atuação multiplataforma. O evento contou com mais de 100 participantes.
A abertura foi conduzida pelo presidente do SindiRádio, Roberto Cervo Melão, que destacou a capacidade de adaptação do rádio diante das mudanças no consumo de mídia e do avanço das plataformas digitais. “O rádio precisa estar em todas as telas, mas sem esquecer que sua maior tela continua sendo a confiança das pessoas”, afirmou.
Segundo o dirigente, o rádio ampliou sua presença nos ambientes digitais sem perder sua característica de proximidade com a audiência. “O rádio não perdeu espaço. O rádio ganhou novas possibilidades. Mas essas possibilidades só se transformam em negócio quando o setor se organiza, se qualifica e se valoriza. Por isso, este seminário é tão importante”, pontuou.
Também participou da abertura o presidente da Associação Gaúcha de Emissoras de Rádio e Televisão (Agert), Alessandro Heck, que ressaltou a necessidade de profissionalização e planejamento estratégico por parte das emissoras diante das novas exigências do mercado. A programação contou com palestras voltadas às tendências tecnológicas e comerciais da radiodifusão. O jornalista, empresário e fundador do portal tudoradio.com, Daniel Starck, apresentou a palestra “Rádio Híbrido: a evolução da experiência do ouvinte”, abordando as mudanças nos hábitos de consumo de áudio e a presença do rádio em diferentes plataformas digitais.

Daniel Starck, do tudoradio.com, durante o início de sua palestra no seminário / reprodução
“As pessoas estão nos ouvindo cada vez mais em diferentes formatos”, destacou Starck. Segundo ele, o rádio já distribui conteúdo em canais como streaming, aplicativos, smart speakers e sistemas automotivos conectados, mas ainda enfrenta o desafio de consolidar sua percepção como mídia multiplataforma. “O rádio já vive uma realidade híbrida. O ouvinte transita naturalmente entre FM, streaming, smart speakers e sistemas automotivos conectados. O desafio do setor agora é transformar essa presença multiplataforma em uma experiência integrada e competitiva frente aos serviços digitais.”, afirma.
Durante a apresentação, Starck também abordou a evolução tecnológica da recepção de rádio e a importância da presença do meio em dispositivos móveis e ambientes conectados. “O rádio precisa estar em todos os locais, com a melhor experiência possível, em nível de igualdade ou superior aos serviços digitais”, afirmou.
“O conceito de Rádio 3.0 mostra que o futuro do meio não depende apenas do áudio, mas também da capacidade de entregar dados, interatividade e conveniência nos diferentes ambientes de consumo, especialmente no automotivo, que se consolida como um dos principais espaços estratégicos para o rádio.” destaca Daniel Starck.

Daniel Starck, Fernando Morgado e Guilherme Guimarães durante debate no seminário / divulgação
Na sequência, o consultor e pesquisador Fernando Morgado ministrou a palestra “Ganhando dinheiro com rádio híbrido”, voltada às oportunidades comerciais relacionadas à atuação digital das emissoras. Durante a explanação, Morgado ressaltou a força do rádio na relação de confiança com o público e apresentou dados sobre o consumo do meio no Brasil.
“Existe uma discrepância muito grande, o que é uma reclamação do meio”, afirmou, ao comentar a diferença entre o alcance do rádio e o volume de investimentos publicitários destinados ao setor. Segundo o pesquisador, o rádio híbrido amplia a capacidade competitiva das emissoras no ambiente digital. “O híbrido é a chance de o rádio se firmar como mídia online. Sendo híbrido, o rádio engole a internet”, declarou.
Morgado também apresentou casos de emissoras brasileiras que já operam comercialmente em modelos híbridos e destacou o potencial de crescimento de receita a partir da ampliação da oferta publicitária em ambientes digitais e conectados. O pesquisador defendeu ainda investimentos em pesquisa e inteligência de mercado como forma de fortalecer a valorização comercial da radiodifusão.
A programação incluiu ainda a palestra “Rádio híbrido: aspectos laborais”, ministrada pelo advogado Guilherme Guimarães, que abordou os impactos das transformações tecnológicas nas relações de trabalho e nos aspectos jurídicos da radiodifusão contemporânea. “O setor está em transformação. Rádios deixam de ser apenas transmissões lineares e incorporam streaming, podcasts, redes sociais, vídeo e interatividade”, afirmou Guimarães.
Durante a apresentação, o especialista discutiu os desafios trabalhistas e jurídicos relacionados à expansão das emissoras para diferentes plataformas e formatos de distribuição de conteúdo, além da necessidade de adaptação das operações às novas dinâmicas do mercado. O encerramento do seminário contou com um painel reunindo os palestrantes, que debateram tendências, inovação e perspectivas para o futuro da radiodifusão diante das mudanças no comportamento do público e da evolução tecnológica do setor.


