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Quarta-Feira, 24 de Junho de 2026 @ 11:28

Estudos apontam que supervisão humana é fator decisivo para a confiança em conteúdos produzidos com IA

São Paulo - Pesquisas revelam que leitores valorizam transparência e supervisão editorial humana diante do avanço da inteligência artificial na produção de conteúdo jornalístico

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Novas pesquisas indicam que a forma como veículos de comunicação utilizam e identificam o uso de inteligência artificial em suas produções jornalísticas pode influenciar diretamente a credibilidade percebida pelo público. Os levantamentos, publicados recentemente pela revista acadêmica Digital Journalism, mostram que a supervisão humana continua sendo considerada um elemento essencial para garantir confiança, responsabilidade editorial e qualidade da informação em um cenário de crescente adoção de ferramentas de IA nas redações.

Os estudos analisaram tanto a reação do público a diferentes políticas de uso de inteligência artificial por empresas de mídia quanto as expectativas dos leitores em relação à rotulagem de conteúdos produzidos ou auxiliados por sistemas automatizados.

Supervisão humana é fator mais relevante para a credibilidade

A primeira pesquisa, intitulada The effects of generative AI in news on media credibility and selectivity: Evidence from a conjoint experiment in Chile, foi conduzida por Sebastián Valenzuela, Ingrid Bachmann, Porismita Borah e Natalia Solís Valdés. O trabalho avaliou como leitores reagem a diferentes políticas editoriais relacionadas ao uso de IA.

Os resultados indicaram que a exigência de revisão humana em todos os conteúdos gerados por inteligência artificial foi o fator de maior impacto na percepção de credibilidade. Veículos que mantêm supervisão editorial humana sobre materiais produzidos com apoio de IA foram considerados mais confiáveis e tiveram maior preferência entre os participantes quando comparados a organizações sem esse tipo de controle.

O estudo também apontou que os entrevistados valorizam a transparência sobre o uso de inteligência artificial. Além disso, demonstraram menor confiança em veículos que permitem a automação de conteúdos que exigem interpretação, análise ou contextualização, em comparação com empresas que proíbem completamente a produção automatizada de notícias.

Por outro lado, os participantes não demonstraram preocupação significativa com o uso de IA para atividades operacionais ou tarefas consideradas rotineiras dentro das redações. Também não foram observadas objeções relevantes ao uso da tecnologia para personalização de formatos de conteúdo ou produção de materiais visuais.

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Rotulagem de conteúdos ainda gera desafios

A segunda pesquisa, intitulada Beyond the byline: Audience expectations for AI disclosure in news media, assinada por Jessica Zier e Nicholas Diakopoulos, aprofundou a discussão sobre a identificação do uso de inteligência artificial em conteúdos jornalísticos.

Com base em entrevistas, o estudo mostrou que leitores defendem a rotulagem de conteúdos produzidos com apoio de IA por diferentes motivos, incluindo aumento da transparência, prevenção de fraudes, fortalecimento da confiança e estímulo à verificação das informações publicadas.

Os entrevistados também destacaram uma diferença importante entre conteúdos totalmente produzidos por inteligência artificial e aqueles apenas assistidos pela tecnologia. Segundo os participantes, termos como “gerado por IA” costumam transmitir a ideia de que todo o material foi criado pela ferramenta, enquanto expressões como “assistido por IA” sugerem participação humana no processo de produção.

Outro ponto identificado foi a preocupação com possíveis erros, vieses e alucinações gerados por sistemas automatizados. Por isso, muitos entrevistados consideram essencial que qualquer identificação relacionada à IA também informe a existência de revisão humana. O estudo revelou ainda que conteúdos visuais gerados ou alterados por inteligência artificial despertam preocupações específicas entre os leitores, que defendem sinalizações mais claras nesse tipo de material.

Boas práticas para comunicação com o público

Entre as recomendações apresentadas pelos pesquisadores estão a adoção de rótulos claros, objetivos e pouco técnicos, além da criação de elementos interativos que permitam ao leitor acessar mais informações sobre o processo de produção do conteúdo sem comprometer a experiência de leitura.

Os autores também sugerem que as informações sobre o uso de inteligência artificial sejam apresentadas no início das reportagens, evitando qualquer percepção de falta de transparência. Outra recomendação é que o setor avance em direção à padronização dessas identificações, reduzindo possíveis dúvidas e interpretações divergentes por parte do público.

De acordo com os estudos, a presença humana continua sendo associada a valores como responsabilidade profissional, ética e prestação de contas — características consideradas fundamentais para a manutenção da confiança do público em um ambiente marcado pela crescente desconfiança em relação à informação.

Os resultados reforçam ainda que o uso de inteligência artificial em atividades que envolvem análise, interpretação ou julgamentos de valor tende a ser recebido com maior cautela pelos leitores, enquanto aplicações voltadas a tarefas operacionais ou de apoio encontram menor resistência.

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Com informações do NiemanLab

Tags: inteligência artificial, jornalismo, IA generativa, credibilidade da mídia, transparência editorial, Digital Journalism, produção de notícias

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Carlos Massaro
  • Carlos Massaro – Radialista e jornalista, já atuou como coordenador artístico da Band FM de Promissão/SP e como locutor nas afiliadas da Band FM em Ourinhos/SP e na Interativa FM de Avaré/SP. Também trabalhou como jornalista na Hot 107 FM 107.7 de Lençóis Paulista/SP, além da Jovem Pan FM 88.9 e Divisa FM 93.3, ambas de Ourinhos/SP. É advogado inscrito na OAB/SP e membro efetivo regional da Comissão Estadual de Defesa do Consumidor da OAB/SP. Está no tudoradio.com desde 2009, sendo responsável pela atualização diária da redação do portal. LinkedIn


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