




Sexta-Feira, 21 de Agosto de 2026 @ 06:43
São Paulo - Programação dedicada ao rádio reuniu discussões sobre audiência, mercado, regulamentação técnica, RDS, cobertura esportiva multiplataforma e os desafios da radiodifusão em um cenário de transformação tecnológica
O quarto e último dia do Congresso SET Expo 2026, realizado nesta quinta-feira (20), concentrou toda a programação dedicada ao rádio e reuniu profissionais do mercado, radiodifusores, engenheiros e especialistas para discutir diferentes perspectivas sobre o presente e o futuro do meio. A agenda abordou desde a força do rádio em audiência, receita publicitária e confiança da população até a evolução tecnológica proporcionada pelo RDS e pela revisão das regras técnicas do FM conduzida pela Anatel. Também integrou a programação um debate sobre a cobertura da Copa do Mundo de 2026, destacando as estratégias adotadas pelas emissoras para conciliar a essência do rádio com a expansão para plataformas digitais, streaming, FAST TV, YouTube e redes sociais. Em comum, os painéis reforçaram a capacidade de adaptação do meio diante das transformações tecnológicas, preservando características históricas como credibilidade, proximidade com o público e relevância no consumo de áudio.
A força do rádio em audiência, receita e confiança
Abrindo a programação do Dia do Rádio, o consultor e palestrante Fernando Morgado apresentou a keynote "Rádio: força, inovação e resultado", defendendo que o rádio permanece como um dos meios de comunicação mais sólidos do mercado quando analisado sob três indicadores considerados essenciais para qualquer veículo: audiência, receita e relevância.
Segundo Morgado, os dados recentes do Kantar IBOPE Media demonstram que o rádio continua alcançando entre 70% e 80% da população nas principais praças pesquisadas regularmente, com destaque para o Rio de Janeiro em tempo médio de escuta. O palestrante também destacou que a presença entre os públicos mais jovens segue elevada. Como exemplo, citou levantamento realizado no Nordeste, onde 74% das pessoas entre 15 e 29 anos e 81% da faixa entre 30 e 49 anos ouviram rádio durante pelo menos uma hora nos últimos 30 dias.
Na área comercial, Morgado ressaltou que aproximadamente 97% de todo o investimento publicitário destinado ao áudio no Brasil permanece concentrado no rádio, considerando o dial e o streaming das emissoras, enquanto os podcasts representam cerca de 3%. Para ele, embora o podcast tenha relevância crescente, o modelo de monetização ainda enfrenta desafios maiores quando comparado ao rádio.
O consultor também apresentou dados da Quaest indicando que o rádio exerce influência ao longo de toda a jornada de compra dos consumidores. Segundo o levantamento, 58% dos ouvintes pesquisaram produtos após ouvi-los anunciados no rádio, 48% realizaram compras motivadas por anúncios veiculados no meio e 41% recomendaram produtos ou serviços divulgados pelas emissoras.
Outro ponto destacado foi a confiança. De acordo com pesquisas apresentadas durante a keynote, o rádio permanece como o meio de comunicação que inspira maior credibilidade entre os brasileiros, característica considerada um dos principais diferenciais competitivos da radiodifusão.
Revisão das regras técnicas do FM e evolução do RDS ampliam possibilidades para o setor
A programação também trouxe um panorama sobre a atualização regulatória conduzida pela Anatel em relação ao Ato de Requisitos Técnicos nº 8.104/2022, responsável por estabelecer parâmetros técnicos para a operação das emissoras em FM.
Durante o painel, moderado por Eduardo Cappia, conselheiro deliberativo da SET e diretor da EMC, o coordenador de Inovação e Sistemas de Radiodifusão da Anatel, Paulo Eduardo dos Reis Cardoso, explicou que a revisão busca atualizar normas que permanecem há alguns anos sem alterações e que o processo ainda está em fase de discussão junto ao setor.
Segundo Cardoso, a agência percebe atualmente maior receptividade das emissoras para debater mudanças que acompanhem a evolução tecnológica da radiodifusão brasileira.
As possibilidades abertas por essa atualização também foram apresentadas por José Mauro Ávila, diretor técnico da Mega Sistema de Comunicação, de Ribeirão Preto (SP). O engenheiro demonstrou exemplos de aplicações que podem ampliar a experiência dos ouvintes, especialmente por meio da evolução do RDS, sistema responsável pela transmissão de informações adicionais juntamente com o sinal de rádio.
Entre os exemplos apresentados estiveram a exibição de placares esportivos diretamente nos receptores, organização de conteúdos por categorias, identificação mais avançada de músicas, notícias e serviços, além de outras aplicações capazes de ampliar a quantidade e a qualidade das informações entregues aos ouvintes.
O painel também discutiu aspectos relacionados a frequências, cadastros técnicos e à necessidade de que a regulamentação acompanhe a evolução das tecnologias já disponíveis para a radiodifusão. Ao final da sessão, Eduardo Cappia destacou que parte dessas mudanças depende de um processo gradual de implementação, considerando as diferentes realidades encontradas em todo o país.

José Mauro Ávila durante sua fala no SET Expo 2026 / tudoradio.com
+ Anatel prepara revisão do Ato 8.104 com avanços no RDS e prevê discussões sobre Rádio 3.0
Cobertura da Copa do Mundo reforça a essência do rádio na era multiplataforma
Encerrando a programação dedicada ao rádio, o painel "Copa do Mundo 2026, Do Rádio às Telas, a Estratégia por Trás do Produto Esportivo Multiplataforma" reuniu representantes de diferentes grupos de comunicação para discutir como as emissoras vêm adaptando suas coberturas esportivas ao ambiente multiplataforma sem perder a essência do rádio.
Com mediação de Daniel Starck, diretor do tudoradio.com, o debate reuniu Ricardo Capriotti (Grupo Bandeirantes), Éder Luis (TMC), Fábio França (BandNews FM), Juliana Simomura (TMC/Transamérica), Rhadam Miranda (Grupo RBS) e Michel Angelo Batista (Itatiaia).
Ao longo da conversa, os participantes destacaram que a cobertura esportiva evoluiu profundamente nas últimas décadas, passando da época das transmissões realizadas com apoio de linhas telefônicas e equipamentos analógicos para operações integradas envolvendo rádio, streaming, YouTube, redes sociais e FAST TV.
Ricardo Capriotti relembrou essa transformação ao destacar que viveu todas essas fases e afirmou que, apesar das mudanças tecnológicas, permanece inalterada a relação construída entre o rádio e seus ouvintes.
Na mesma linha, Éder Luis ressaltou que a credibilidade continua sendo o principal patrimônio do meio. Segundo ele, a presença das equipes nos locais dos acontecimentos permite entregar informações e detalhes que dificilmente podem ser reproduzidos por outros formatos de mídia.
A importância de preservar a linguagem radiofônica também foi defendida por Fábio França. Responsável por uma operação que hoje distribui conteúdo simultaneamente pelo rádio, YouTube e FAST TV, o profissional afirmou que a imagem não pode substituir a narrativa característica do rádio, reforçando que a prioridade continua sendo contar ao ouvinte exatamente o que acontece.
Juliana Simomura apresentou a experiência da TMC, lançada em outubro de 2025 como uma operação concebida desde sua origem para atuar de forma multiplataforma, tendo o rádio como base de sua estratégia editorial e de distribuição.
Já Rhadam Miranda detalhou a estrutura adotada pelo Grupo RBS para a cobertura da Copa do Mundo de 2026, realizada simultaneamente em Estados Unidos, Canadá e México. Segundo ele, a opção foi descentralizar a operação técnica, distribuindo cerca de vinte profissionais em diferentes localidades e priorizando a produção de conteúdo diretamente das ruas, em vez de concentrar toda a cobertura no centro oficial de mídia da FIFA.
Representando a Itatiaia, Michel Angelo Batista lembrou que a emissora acompanha presencialmente todas as Copas do Mundo desde 1966 e revelou que a edição de 2026 foi a mais cara já enfrentada pela empresa, principalmente em razão dos custos dos direitos de transmissão. Mesmo assim, defendeu que a presença física continua sendo essencial para que o rádio cumpra seu papel de transportar o ouvinte para dentro dos acontecimentos.
Ao longo de todo o painel, os participantes convergiram para uma mesma conclusão: embora os formatos de distribuição tenham se multiplicado, a essência do rádio permanece baseada na qualidade da informação, na capacidade de narrar acontecimentos em tempo real e na relação de confiança construída historicamente com o público.

Painel sobre o Pós-Copa do rádio no SET Expo 2026 / tudoradio.com
A programação do Dia do Rádio encerrou a participação da radiodifusão no Congresso SET Expo 2026 reforçando que o setor vive um momento de evolução tecnológica e regulatória, sem abrir mão das características que consolidaram sua relevância ao longo das últimas décadas. Os debates evidenciaram que inovação, credibilidade, distribuição multiplataforma e atualização técnica caminham de forma complementar para sustentar o desenvolvimento do rádio nos próximos anos.


