Celular supera receptor de rádio entre jovens nos carros, mas também amplia acesso às emissoras por streaming nos Estados Unidos
São Paulo - Levantamento da Edison Research mostra mudança no dispositivo usado para consumir áudio; rádio mantém forte presença também através de transmissões online
O celular superou o receptor tradicional de rádio como principal dispositivo utilizado para o consumo de áudio dentro dos carros entre norte-americanos de 13 a 34 anos. É o que aponta um novo recorte do Share of Ear, levantamento realizado pela Edison Research. Atualmente, os dispositivos móveis respondem por 46% do tempo dedicado ao áudio nos veículos nessa faixa etária, contra 43% dos receptores AM/FM.
Porém, a própria pesquisa ressalta um ponto importante nessa leitura: parte do consumo feito através dos celulares corresponde justamente aos streams das emissoras de rádio nos Estados Unidos.
Ou seja, o avanço do smartphone dentro dos veículos não representa necessariamente uma substituição do rádio enquanto conteúdo. O que está mudando de forma mais evidente é o dispositivo utilizado para acessar o áudio, já que as próprias emissoras AM/FM também chegam aos ouvintes através de aplicativos, sites e outras plataformas de streaming disponíveis nos celulares.
O novo dado complementa outro levantamento recente da Edison Research, já destacado pelo tudoradio.com, que mostrou uma ampla liderança do rádio entre as opções de áudio com publicidade consumidas dentro dos carros pelo mesmo público. Nesse recorte, o AM/FM responde por 70% do tempo de audição, percentual que considera tanto a recepção tradicional pelo ar quanto os streams das emissoras.
Portanto, os dois levantamentos analisam aspectos diferentes de uma mesma transformação. De um lado, o receptor AM/FM perde espaço para o smartphone enquanto equipamento utilizado para ouvir áudio. Do outro, o conteúdo das emissoras continua chegando aos jovens também através desse dispositivo conectado, somando a audiência obtida pelo sinal terrestre àquela realizada pela internet.
A mudança no dispositivo utilizado ocorre após uma tendência de avanço contínuo dos celulares ao longo da última década. Em 2015, os receptores de rádio respondiam por 66% do tempo de consumo de áudio nos carros entre pessoas de 13 a 34 anos, enquanto os dispositivos móveis representavam 19%. Naquele momento, portanto, havia uma diferença de 47 pontos percentuais favorável ao receptor.
Essa distância foi diminuindo ao longo dos anos. Em 2018, os receptores de rádio respondiam por 58% desse tempo. Já em 2021, a participação havia caído para 46%, enquanto os dispositivos móveis avançavam para 38%. As duas linhas continuaram se aproximando até que, em 2025, o celular passou à frente, com 44%, contra 43% dos receptores. Agora, no levantamento referente ao segundo trimestre de 2026, os dispositivos móveis chegaram a 46%, mantendo os receptores em 43%.
Rádio segue o ouvinte para o ambiente digital
A própria Edison Research chama a atenção para a necessidade de separar dispositivo e plataforma ao analisar os dados. Um ouvinte que conecta o smartphone ao sistema multimídia do carro e acessa o aplicativo ou o streaming de uma emissora está utilizando o celular como dispositivo, porém continua consumindo conteúdo de rádio.
Esse cenário também passa pelos ambientes de integração dos smartphones com as centrais multimídia dos veículos, casos do Apple CarPlay e do Android Auto. Essas plataformas permitem que aplicativos de áudio compatíveis sejam acessados diretamente pela interface do carro, fazendo com que emissoras de rádio distribuídas por streaming também estejam presentes no mesmo ambiente digital utilizado para acessar outras opções de áudio. Dessa forma, a presença do celular como fonte de áudio no veículo pode representar também uma nova porta de entrada para o conteúdo das próprias emissoras.
No Brasil, um exemplo dessa possibilidade está no aplicativo Tudo Rádio, que conta com integração ao Apple CarPlay. A solução permite acessar emissoras de rádio brasileiras via streaming diretamente pelo ambiente automotivo, colocando essas estações dentro da mesma interface conectada em que estão disponíveis outras plataformas digitais de áudio. Na prática, o rádio passa a disputar a atenção do usuário não apenas através do receptor AM/FM instalado no veículo, mas também por meio dos aplicativos presentes no smartphone.
Esse comportamento ajuda a explicar por que o avanço dos dispositivos móveis convive com uma participação elevada do rádio no consumo de áudio dentro dos veículos. No levantamento divulgado anteriormente, o AM/FM concentra 70% de todo o tempo destinado ao áudio sustentado por publicidade entre norte-americanos de 13 a 34 anos nos carros, considerando conjuntamente o sinal terrestre e as transmissões online das estações.
Nesse mesmo recorte, os podcasts aparecem em uma distante segunda posição, com 11%. O streaming de música responde por 10%, seguido pelas músicas e videoclipes no YouTube, com 7%, e pelos canais com publicidade da SiriusXM, com 2%.
Os jovens de 13 a 34 anos passam pouco menos de uma hora por dia consumindo áudio dentro dos veículos nos Estados Unidos. Desse período, 63% são destinados a plataformas que contam com publicidade. É justamente dentro desse universo que o rádio mantém a participação de 70%, incluindo sua audiência tradicional e digital.
Outro dado recente da Edison Research reforça o crescimento dessa forma de distribuição. No primeiro trimestre de 2026, 14% de todo o tempo dedicado ao rádio AM/FM nos Estados Unidos já ocorria através de streams. Já entre os ouvintes semanais de rádio, 30% afirmaram ter utilizado uma transmissão online em pelo menos parte de seu consumo durante o ano.
Dessa forma, o avanço do smartphone como principal dispositivo de áudio entre os mais jovens também evidencia uma mudança na maneira como o rádio é acessado. O receptor instalado no painel perde participação, enquanto as emissoras passam a acompanhar o ouvinte também através dos dispositivos móveis, mantendo o conteúdo radiofônico presente no ambiente conectado dos veículos.
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E por qual razão olhar para lá fora?
O tudoradio.com costuma observar esses pontos de curiosidade dos números do rádio internacional para mapear possíveis mudanças de hábitos e a manutenção do consumo de rádio em diferentes países. Assim como ocorreu no ano anterior, periodicamente a redação do portal irá monitorar o desempenho do rádio nos principais mercados do mundo e, é claro, fazendo sempre uma comparação com a situação brasileira. E, como de costume, repercutindo também qualquer número confiável sobre o consumo de rádio no Brasil.
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Com informações do Radio Ink
