



Terça-Feira, 24 de Fevereiro de 2026 @
O rádio nunca esteve tão presente (no dial, no streaming, nos apps e nas smart speakers), mas ainda enfrenta uma crise de imagem que impacta a percepção de público e mercado publicitário
Imagem é tudo. É como você se vende. Você pode se vender como alguém moderno, com credibilidade no que tem a oferecer, ou buscar de forma deliberada que é “vintage”, que busca algo remetido à história, etc. No caso do rádio, essa segunda opção é válida quando falamos da nossa longa história, de um veículo centenário de respeito. Mas isso é uma parte do que somos: hoje é um meio multiplataforma, com receptores de dial cada vez mais modernos e um uso crescente de qualquer dispositivo conectado que emita som. Somos smartphones e seus apps, caixas de som inteligentes, monitores e TV conectados, redes sociais, etc. Não comunicar isso como fizemos nos anos 1990 com o “boom” do FM é criar sombras na percepção de uso do meio.
Uma pessoa tem dificuldade hoje de responder que ouve rádio, porque nos últimos 10 ou 15 anos o meio intensificou sua imagem central no rádio antigo. Ela pensa no dispositivo e não liga ao rádio. Ao “espremer” essa pessoa com perguntas, geralmente com uma marca de rádio (nome da emissora), é possível que aí sim vem a resposta positiva “ah, sim, escuto”. Tivemos já casos de “ué, mas na Alexa é rádio?”, ou “mas isso não é rádio, é APP” (mesmo sendo uma emissora), “mas eu ouço no carro e no celular, isso é rádio?” e por aí vai. Se isso não fica claro para parte do público, imagine para quem trabalha com publicidade, que é bombardeado por meios (leia-se principalmente plataformas digitais) que estão cientes que precisam convencer e aí estabelecem imagens de modernidade, futuro e que são sedutoras para esse setor.
Sinceramente nós fazemos o mais difícil para qualquer meio ou negócio: nos reinventamos na operação. Estamos em todos os lugares possíveis, sejam eles via ondas no dial, formas conectadas ou em ações presenciais próximo dos nossos públicos e parceiros. Algumas emissoras precisam de melhores práticas como temos insistido aqui? Claro, mas isso acontece em todos os segmentos econômicos. Ou seja, a base, na entrega de conteúdo, nós fizemos porque é algo natural do rádio, de estar onde as pessoas estão. Mas insisto: precisamos mudar nossa “propaganda” perante a sociedade, de ressignificar a poderosa palavra rádio, para que ela não fique presa no tempo em um aparelho antigo (que é parte importante de nossa história, mas é uma parte do que nós somos, pois o meio é algo muito maior).
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