Tudo Rádio
ÚLTIMAS DA
REDAÇÃO
TendênciasDaniel Starck

Tendências | Com o possível avanço dos veículos autônomos, rádio vê desafio e oportunidade

Tendências | Com o possível avanço dos veículos autônomos, rádio vê desafio e oportunidade

São Paulo - Artigo publicado em imprensa norte-americana aponta necessidade de adaptação do meio diante de um novo cenário no consumo em automóveis


O avanço dos veículos autônomos deverá impactar diretamente a forma como os passageiros consomem mídia dentro dos carros, ambiente historicamente dominado pelo rádio. É o que aponta um artigo assinado por Mark Lapidus, publicado recentemente no portal norte-americano RadioWorld. Segundo o autor, o setor precisa entender que, diante das novas tecnologias embarcadas nos automóveis, o rádio tradicional poderá ter diante de si tanto uma grande oportunidade de crescimento quanto o risco de ser deixado de lado. Esse alerta é feito há alguns anos, mas foi intensificado no ano passado, com veículos autônomos surgindo em grandes cidades dos EUA. Serviços que oferecem uma maior conectividade podem auxiliar nesse processo.

adstexto

Durante o ano de 2024, mais de 4 milhões de corridas em carros autônomos da Waymo foram realizadas nos Estados Unidos. Os veículos, que já circulam em cidades como San Francisco, Los Angeles, Phoenix e Austin, tendem a se popularizar ainda mais nos próximos anos, o que muda a lógica do consumo de conteúdo nos deslocamentos. O próprio tudoradio.com já observou a presença desses carros em circulação em Las Vegas, durante o NAB Show 2025, assim como em San Francisco, nos testes feitos em 2023. Ou seja, é uma realidade em evolução.

Em seu artigo, Lapidus destaca que cerca de metade de toda a audiência do rádio dos EUA ocorre em automóveis, e isso torna ainda mais relevante o debate sobre como a experiência de mídia será moldada nos veículos do futuro. “Isso pode ser uma oportunidade de ouro para aumentar a participação do meio ou uma chance de ver o rádio dirigido para o pôr do sol”, pontuou o autor. Vale lembrar que no Brasil o consumo residencial é mais relevante do que nos carros, mas a escuta no trajeto é fundamental para o meio e a feita a partir de casa também está em transformação, neste caso auxiliada por smart-speakers e outros dispositivos conectados.

+ Áudio digital e inteligência artificial: principais lições da NAB Show 2025 nos Estados Unidos

Com os passageiros liberados da tarefa de dirigir, os sistemas embarcados deverão evoluir para oferecer experiências mais imersivas, personalizadas e interativas. Isso inclui áudio aprimorado com elementos visuais, comandos por voz, transcrições, interações ao vivo, mapas interativos, atualizações de tráfego, notícias e até grupos de chat. Outro ponto levantado por Lapidus é a publicidade segmentada por localização, que surge como um grande potencial para o rádio.

Apesar do desafio, Lapidus ressalta que o setor já conta com importantes iniciativas. Um dos exemplos citados é a plataforma DTS AutoStage, da Xperi, presente em 10 milhões de veículos em 146 países. A solução conecta o rádio terrestre ao painel digital de carros modernos por meio de parcerias com grupos como Cumulus, Cox e Beasley. Outro exemplo mencionado é o sistema Digital Cockpit da TomTom, que integra rádio, streaming, podcasts e audiolivros diretamente no carro. Também foi citado pelo colunista os movimentos feitos pela iHeartMedia.

Além das empresas do setor, gigantes da tecnologia também têm ampliado presença no painel dos carros. O Android Automotive OS, do Google, e a próxima geração do CarPlay, da Apple, disputam espaço nos modelos mais recentes, o que pode gerar fragmentação e elevar os custos de desenvolvimento para as emissoras. E nessa área, também no Brasil, plataformas como o próprio tudoradio.com tem investido para ampliar a presença do rádio via streaming nesses ambientes.

O artigo de Lapidus também menciona que legislações específicas poderiam ajudar a equilibrar o jogo, exigindo a inclusão de recepção AM, FM e HD nos novos veículos. No entanto, ainda há incertezas sobre decisões regulatórias nesse sentido, inclusive sobre a obrigatoriedade da recepção de sinais AM. Para Lapidus, o futuro do rádio depende, sobretudo, da sua relevância local. “Sem isso, o rádio nem estará no banco traseiro e poderá ser facilmente deixado na calçada”, alerta.

Leituras recomendadas:
> Áudio digital cresce em consumo em todos os ambientes possíveis; Rádio AM/FM segue líder nos carros  
> Xperi destaca expansão do rádio híbrido com DTS AutoStage e reforça presença no Brasil durante o NAB Show 2025
> Audiência do rádio AM/FM sobe 3% com nova metodologia da Nielsen e cresce entre ouvintes mais jovens
> Rádio se consolida como canal preferido dos consumidores de alto padrão e grandes compradores
> Artigo "Futuro próximo do rádio une ferramentas e ações que priorizam a experiência do ouvinte", por Daniel Starck
> Manutenção e evolução do rádio no painel dos carros é vital para a indústria

E por qual razão olhar para lá fora?

O tudoradio.com costuma observar esses pontos de curiosidade dos números do rádio internacional para mapear possíveis mudanças de hábitos e a manutenção do consumo de rádio em diferentes países. Assim como ocorreu no ano anterior, periodicamente a redação do portal irá monitorar o desempenho do rádio nos principais mercados do mundo e, é claro, fazendo sempre uma comparação com a situação brasileira. E, como de costume, repercutindo também qualquer número confiável sobre o consumo de rádio no Brasil.

Recomendamos:
> Veja aqui mais notícias sobre o atual momento do rádio em diferentes países
> Confira também as principais tendências para o setor de rádio e tecnologia 

Com informações do portal RadioWorld


Ilustração / Biblioteca Canva

Compartilhar:
Daniel Starck

Daniel Starck

Jornalista, empresário e proprietário do tudoradio.com, maior portal brasileiro dedicado à radiodifusão, com mais de 20 anos no ar. É formado em Comunicação Social pela PUC-PR e teve passagens por emissoras como CBN, Rádio Clube e Rádio Paraná. Atua como consultor e palestrante nas áreas artística e digital do rádio, com participação em eventos promovidos por entidades como SET, AESP, AMIRT, ACAERT, ASSERPE, AERP e MidiacomPB. Também possui conhecimento na área de tecnologia, com foco em aplicativos, mídia programática, novos devices, inteligência artificial, sites e streaming.

Leia também