Tendências | Com o possível avanço dos veículos autônomos, rádio vê desafio e oportunidade
São Paulo - Artigo publicado em imprensa norte-americana aponta necessidade de adaptação do meio diante de um novo cenário no consumo em automóveis
O avanço dos veículos autônomos deverá impactar diretamente a forma como os passageiros consomem mídia dentro dos carros, ambiente historicamente dominado pelo rádio. É o que aponta um artigo assinado por Mark Lapidus, publicado recentemente no portal norte-americano RadioWorld. Segundo o autor, o setor precisa entender que, diante das novas tecnologias embarcadas nos automóveis, o rádio tradicional poderá ter diante de si tanto uma grande oportunidade de crescimento quanto o risco de ser deixado de lado. Esse alerta é feito há alguns anos, mas foi intensificado no ano passado, com veículos autônomos surgindo em grandes cidades dos EUA. Serviços que oferecem uma maior conectividade podem auxiliar nesse processo.
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Durante o ano de 2024, mais de 4 milhões de corridas em carros autônomos da Waymo foram realizadas nos Estados Unidos. Os veículos, que já circulam em cidades como San Francisco, Los Angeles, Phoenix e Austin, tendem a se popularizar ainda mais nos próximos anos, o que muda a lógica do consumo de conteúdo nos deslocamentos. O próprio tudoradio.com já observou a presença desses carros em circulação em Las Vegas, durante o NAB Show 2025, assim como em San Francisco, nos testes feitos em 2023. Ou seja, é uma realidade em evolução.
Em seu artigo, Lapidus destaca que cerca de metade de toda a audiência do rádio dos EUA ocorre em automóveis, e isso torna ainda mais relevante o debate sobre como a experiência de mídia será moldada nos veículos do futuro. “Isso pode ser uma oportunidade de ouro para aumentar a participação do meio ou uma chance de ver o rádio dirigido para o pôr do sol”, pontuou o autor. Vale lembrar que no Brasil o consumo residencial é mais relevante do que nos carros, mas a escuta no trajeto é fundamental para o meio e a feita a partir de casa também está em transformação, neste caso auxiliada por smart-speakers e outros dispositivos conectados.
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Com os passageiros liberados da tarefa de dirigir, os sistemas embarcados deverão evoluir para oferecer experiências mais imersivas, personalizadas e interativas. Isso inclui áudio aprimorado com elementos visuais, comandos por voz, transcrições, interações ao vivo, mapas interativos, atualizações de tráfego, notícias e até grupos de chat. Outro ponto levantado por Lapidus é a publicidade segmentada por localização, que surge como um grande potencial para o rádio.
Apesar do desafio, Lapidus ressalta que o setor já conta com importantes iniciativas. Um dos exemplos citados é a plataforma DTS AutoStage, da Xperi, presente em 10 milhões de veículos em 146 países. A solução conecta o rádio terrestre ao painel digital de carros modernos por meio de parcerias com grupos como Cumulus, Cox e Beasley. Outro exemplo mencionado é o sistema Digital Cockpit da TomTom, que integra rádio, streaming, podcasts e audiolivros diretamente no carro. Também foi citado pelo colunista os movimentos feitos pela iHeartMedia.
Além das empresas do setor, gigantes da tecnologia também têm ampliado presença no painel dos carros. O Android Automotive OS, do Google, e a próxima geração do CarPlay, da Apple, disputam espaço nos modelos mais recentes, o que pode gerar fragmentação e elevar os custos de desenvolvimento para as emissoras. E nessa área, também no Brasil, plataformas como o próprio tudoradio.com tem investido para ampliar a presença do rádio via streaming nesses ambientes.
O artigo de Lapidus também menciona que legislações específicas poderiam ajudar a equilibrar o jogo, exigindo a inclusão de recepção AM, FM e HD nos novos veículos. No entanto, ainda há incertezas sobre decisões regulatórias nesse sentido, inclusive sobre a obrigatoriedade da recepção de sinais AM. Para Lapidus, o futuro do rádio depende, sobretudo, da sua relevância local. “Sem isso, o rádio nem estará no banco traseiro e poderá ser facilmente deixado na calçada”, alerta.
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E por qual razão olhar para lá fora?
O tudoradio.com costuma observar esses pontos de curiosidade dos números do rádio internacional para mapear possíveis mudanças de hábitos e a manutenção do consumo de rádio em diferentes países. Assim como ocorreu no ano anterior, periodicamente a redação do portal irá monitorar o desempenho do rádio nos principais mercados do mundo e, é claro, fazendo sempre uma comparação com a situação brasileira. E, como de costume, repercutindo também qualquer número confiável sobre o consumo de rádio no Brasil.
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Com informações do portal RadioWorld

Ilustração / Biblioteca Canva
