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Segunda-Feira, 05 de Janeiro de 2026 @ 16:34

Emissoras de rádio AM dos EUA pedem à FCC reabertura de regras para uso de retransmissores FM

São Paulo - Discussão nos Estados Unidos sobre o uso ampliado de retransmissores FM por emissoras AM reforça contraste com o modelo brasileiro, que optou pela migração definitiva do serviço para a faixa FM

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Uma coalizão formada por mais de duas dezenas de operadores de rádio AM nos Estados Unidos protocolou, no dia 22 de dezembro, uma petição formal junto à Federal Communications Commission (FCC) solicitando a reabertura das regras que permitem a modificação e a realocação de retransmissores FM vinculados ao programa de revitalização do rádio AM, criado em 2016. 

O pedido foi apresentado por grupos como Press Communications LLC, SSR Communications, Simmons Broadcasting e Kaspar Broadcasting, entre outros licenciados, e busca restabelecer, de forma ampliada e permanente, as chamadas “janelas de retransmissão”, que autorizaram emissoras AM a adquirir retransmissores FM em mercados distantes e realocá-los para uso local.

Pelas regras adotadas em 2016, as emissoras AM puderam adquirir retransmissores FM situados em um raio de até 400 quilômetros (250 milhas) e transferi-los para áreas localizadas a até 40 quilômetros (25 milhas) de seus transmissores AM, com a finalidade de retransmitir integralmente a programação. Os peticionários agora defendem a ampliação desse raio de aquisição para até 800 quilômetros (500 milhas), além da transformação da política em caráter permanente, e não mais limitada a períodos específicos.

Segundo a petição, o programa de revitalização do rádio AM permitiu que centenas de estações permanecessem em operação, ao melhorar a qualidade do áudio, a confiabilidade do sinal e a cobertura noturna por meio do uso de retransmissores FM. O documento argumenta que, desde o encerramento das janelas abertas em 2016 e 2017, os desafios técnicos e econômicos enfrentados pelas emissoras AM se intensificaram, especialmente entre estações de baixa potência e aquelas autorizadas a operar apenas durante o dia.

Entre os fatores citados estão o declínio contínuo da audiência do AM, o suporte limitado em receptores modernos, o aumento do ruído eletromagnético e a redução da cobertura noturna. De acordo com os requerentes, os retransmissores FM seguem sendo a alternativa mais viável, do ponto de vista econômico, para manter o serviço local prestado pelas emissoras AM, sobretudo em comunidades rurais e de pequeno porte.

A proposta também prevê limites para evitar a concentração de espectro. Cada estação AM poderia operar, no máximo, três retransmissores FM, com prioridade para emissoras de Classe D e Classe C, seguidas por estações de Classe B com padrões noturnos críticos. Dados citados na petição indicam que cerca de um terço das estações AM norte-americanas ainda não conta com retransmissor FM.

Como parte do processo, o documento inclui o relato do empresário Kenneth Forte, proprietário da WDKN-AM, de Dickson, no Tennessee, que descreve o impacto positivo da adição de um retransmissor FM na sustentabilidade financeira da emissora, incluindo o crescimento de receita e a ampliação da cobertura noturna.

Os peticionários também destacam o papel do rádio AM nas comunicações de emergência e na segurança pública, argumentando que os retransmissores FM fortalecem a capacidade operacional das emissoras em situações de interrupções e desastres.

Até o momento, a FCC não atribuiu número de processo à petição nem emitiu um Aviso de Proposta de Regulamentação sobre o tema.

Brasil e Estados Unidos adotaram modelos distintos para enfrentar a crise do rádio AM

As recentes discussões nos Estados Unidos sobre a ampliação do uso de retransmissores FM por emissoras de rádio AM evidenciam diferenças significativas em relação ao caminho adotado pelo Brasil para lidar com a crise estrutural do serviço em amplitude modulada.

Nos Estados Unidos, a política regulatória tem como eixo a preservação do rádio AM como serviço principal. O modelo permite que emissoras AM utilizem retransmissores FM de baixa potência para retransmitir sua programação de forma simultânea, ampliando a cobertura local e melhorando a recepção, especialmente no período noturno. A outorga AM permanece ativa, e o sinal em FM funciona como complemento técnico e operacional.

No Brasil, a solução seguiu direção oposta. A partir de 2013, o governo federal implementou o processo de migração das emissoras AM comerciais para a faixa FM. Nesse modelo, a emissora deixa definitivamente de operar em AM e passa a deter uma nova autorização em FM, com classe, potência e cobertura planejadas para substituir integralmente o serviço anterior. O AM, nesse contexto, foi progressivamente desativado, com poucas exceções.

A diferença reflete abordagens regulatórias distintas. Enquanto o modelo norte-americano busca manter o AM em operação, utilizando o FM como ferramenta de apoio, o modelo brasileiro considerou o AM comercial tecnologicamente superado e optou por sua substituição como padrão de radiodifusão sonora. Nos Estados Unidos, os retransmissores FM não possuem programação própria e não competem tecnicamente com as FMs plenas. No Brasil, as FMs migrantes passaram a disputar audiência e mercado em igualdade de condições com as demais emissoras do dial.

Outro ponto relevante é a gestão do espectro. O ambiente regulatório norte-americano conta com longa tradição no uso de retransmissores FM e maior flexibilidade para realocação dessas estações. Já no Brasil, a migração ocorreu por meio de planejamento centralizado, com definição prévia de canais disponíveis, em um espectro FM mais congestionado, especialmente nas grandes áreas urbanas.

Do ponto de vista econômico, o impacto também foi distinto. Nos Estados Unidos, o uso de retransmissores FM tem como objetivo principal garantir a sobrevivência financeira das estações AM, sem reconfigurar de forma ampla o mercado FM. No Brasil, a migração promoveu uma reorganização profunda do dial, alterando a dinâmica concorrencial e os modelos de programação e comercialização.

Assim, embora ambos os países tenham buscado responder à perda de relevância do rádio AM, os instrumentos adotados não são equivalentes. O caso norte-americano representa uma estratégia de reforço e manutenção do serviço AM, enquanto a experiência brasileira consolidou a transição definitiva para o FM como padrão dominante da radiodifusão comercial.

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Crédito: Biblioteca Canva

Com informações do Radio Ink

Tags: FCC, rádio AM, retransmissores FM, Estados Unidos, migração AM-FM, regulação do rádio, radiodifusão

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Carlos Massaro
  • Carlos Massaro – Radialista e jornalista, já atuou como coordenador artístico da Band FM de Promissão/SP e como locutor nas afiliadas da Band FM em Ourinhos/SP e na Interativa FM de Avaré/SP. Também trabalhou como jornalista na Hot 107 FM 107.7 de Lençóis Paulista/SP, além da Jovem Pan FM 88.9 e Divisa FM 93.3, ambas de Ourinhos/SP. É advogado inscrito na OAB/SP e membro efetivo regional da Comissão Estadual de Defesa do Consumidor da OAB/SP. Está no tudoradio.com desde 2009, sendo responsável pela atualização diária da redação do portal. LinkedIn


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