




Segunda-Feira, 16 de Fevereiro de 2026 @ 18:04
São Paulo - Data reforçou o papel do meio como fonte confiável de informação em crises humanitárias, emergências climáticas e no ambiente do carro conectado, mesmo diante do avanço da inteligência artificial
Comemorado na última sexta-feira (13), o Dia Mundial do Rádio foi marcado por ações e reflexões em diferentes países sobre o papel do meio em um cenário cada vez mais impactado pela inteligência artificial. O balanço das iniciativas evidencia um ponto em comum: a valorização da conexão humana, da credibilidade e da capacidade de resposta do rádio diante de crises e emergências. Instituições internacionais, emissoras e entidades ligadas ao setor destacaram que, mesmo diante do avanço da IA, o rádio segue como fonte primária de informação confiável, especialmente em contextos de guerra, deslocamentos populacionais e colapso de infraestrutura.
A data também marcou os 80 anos do início das transmissões da Rádio das Nações Unidas, inauguradas em 13 de fevereiro de 1946, em Nova Iorque. Ao lembrar a efeméride, a Organização das Nações Unidas (ONU) ressaltou a importância contínua do rádio em regiões afetadas por conflitos e crises humanitárias, como Gaza, a República Democrática do Congo e a República Centro-Africana.
Segundo a ONU, o meio tem sido essencial também em situações de emergência climática, quando sistemas de internet e telefonia móvel entram em colapso. Nos Estados Unidos, por exemplo, a atuação das emissoras AM/FM durante os incêndios florestais de Palisades e o furacão Helene foi citada como exemplo de eficiência, com locutores assumindo papel central na prestação de informações imediatas à população.
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IA e limites da automação
Durante as comemorações, especialistas ligados à ONU alertaram para os limites do uso de vozes automatizadas e apresentadores gerados por inteligência artificial no radiojornalismo. Embora a IA ofereça velocidade e escala, a avaliação é de que ela ainda não consegue reproduzir a profundidade emocional, as pausas naturais e a empatia características da comunicação humana — especialmente em coberturas que envolvem sofrimento, deslocamento e desastres.
O tema também foi abordado por uma pesquisa da Sounds Profitable, divulgada em 2025. O levantamento aponta que a adoção de vozes geradas por IA pode gerar resistência do público. Quase metade dos ouvintes afirmou que deixaria de acompanhar seus podcasts favoritos caso eles passassem a utilizar vozes artificiais.
Segundo o estudo, 47% dos entrevistados disseram que teriam menos probabilidade de continuar ouvindo um podcast preferido com vozes de IA — sendo que 28% afirmaram que teriam “muito menos probabilidade” de seguir sintonizando. Apenas 21% declararam que estariam mais propensos a interagir com conteúdos aprimorados por inteligência artificial.
A força do rádio no carro conectado
No Reino Unido, a Bauer Media Audio celebrou o Dia Mundial do Rádio com o lançamento do Connected Journeys, campanha coordenada voltada ao rádio em veículos conectados. A iniciativa reuniu 24 emissoras em 15 países europeus em uma mensagem sincronizada transmitida no ar, alcançando cerca de 180 milhões de ouvintes semanais.
A ação destacou o papel do rádio no ambiente automotivo, em um contexto em que os painéis dos veículos se tornam mais complexos e as opções de entretenimento se multiplicam. A campanha incentiva os consumidores a priorizarem o acesso simples e integrado ao rádio ao escolherem seus veículos, reforçando o meio como principal fonte de notícias, cultura e companhia durante a condução.
Dados do relatório “Share of Ear”, da Edison Research, referente ao segundo trimestre de 2025, reforçam essa posição: o rádio AM/FM representa 56% de toda a audição de áudio em carros entre motoristas norte-americanos, com ou sem comerciais. O índice supera com folga o SiriusXM sem anúncios (13%) e o Spotify sem anúncios (6%).
Tobias Nielsen, vice-presidente sênior de Digital da Bauer Media Audio, afirmou que o rádio permanece como companheiro essencial durante a condução. Segundo ele, mesmo com o avanço das tecnologias embarcadas, o meio deve continuar acessível “a apenas um clique de distância”, mantendo seu papel como fonte confiável de informação e companhia em deslocamentos diários e viagens.


