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Quão importante é para uma estação de rádio FM ter o serviço de RDS ativo, que exibe o nome da estação e outras informações sobre a rádio?

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Quinta-Feira, 23 de Abril de 2026 @ 06:45

Rádio visual ganha protagonismo no NAB Show 2026 e aponta novas oportunidades de receita e posicionamento para o meio

Las Vegas (EUA) - Adequação ao rádio visual passa pelo uso imediato de RDS e metadados nos streamings, ampliando a experiência e o potencial comercial

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O NAB Show 2026 destacou um movimento consistente da indústria de rádio em direção ao chamado rádio visual, conceito que envolve a forma como o conteúdo radiofônico é apresentado em telas, especialmente em painéis automotivos e aplicativos móveis. Isso dialoga diretamente com a definição de Rádio 3.0, apresentada pela ABERT em painel realizado no SET:30, no NAB Show. A tendência reforça uma mudança estratégica no setor, que passa a tratar a interface visual como parte essencial da experiência do ouvinte e também como nova frente de monetização. O tudoradio.com realizou uma cobertura especial do NAB Show 2026, com os apoios da ABERT, a BeAudio, a AMIRT e a MidiacomPB.

Durante o evento, foi destacado que o rádio visual não está necessariamente relacionado ao uso de vídeo, mas sim à apresentação qualificada de informações em tela, como capas de álbuns, dados de programação, identidade visual das emissoras e conteúdos publicitários. Essa abordagem aproxima o rádio da experiência já consolidada em plataformas digitais como o Spotify e o YouTube Music. Várias apresentações indicavam essa comparação e mostravam, de forma didática, que o rádio, quando não conta com RDS e/ou metadados, deixa de oferecer serviços importantes para a audiência e prejudica a percepção do rádio como um meio moderno.


Comparação com o Spotify quando o rádio não utiliza sequer o RDS (a esquerda) e quando utiliza todos os recursos disponíveis de RDS/metadados / tudoradio.com

Experiência visual passa a ser fator competitivo

A comparação direta com o streaming foi um dos pontos mais enfatizados nas apresentações do NAB Show 2026. Enquanto plataformas digitais oferecem interfaces completas e organizadas, o rádio tradicional ainda aparece, em muitos casos, com informações limitadas ou inexistentes nos receptores. E isso tem relação com o modo como as emissoras exploram esses serviços. No caso do FM analógico, o RDS (Radio Data System) precisa ser explorado e da maneira correta.

O esquema recomendável para o RDS - FM Analógico:
PS (Programme service - 8 caracteres) -> nome da emissora
RT (Radio Text - 64 caracteres) -> Informações da programação, como nome da música, ações promocionais, comerciais, canais de contato, etc
PI (Programme Identification) -> Evitar uso de códigos comum quando não há essa informação destinada à emissora via Anatel
PTY (Programme Type) -> Formato/gênero da emissora - existe uma pegadinha sobre padrões EUA/Europa - verificar tabela de conversão para procurar o formato mais adequado para a estação

Rádio com imagem? Ainda estamos errando no básico, prejudicando a experiência do ouvinte

A evolução proposta pelo rádio visual é combinar o alcance e a força do conteúdo do rádio com uma apresentação rica em dados e elementos gráficos. Isso inclui o uso de metadados para exibição de nome de músicas, artistas, capas de álbuns e informações adicionais, elevando o padrão de experiência do usuário, potencializada por dados conectados (seja via receptores híbridos ou aplicativos de rádio via streaming).

Tela do carro se transforma em ativo comercial

Outro destaque observado foi o potencial de monetização associado ao rádio visual. A tela do painel automotivo passa a ser considerada um novo inventário publicitário, ampliando as possibilidades comerciais do meio.

Entre as aplicações apresentadas estão: inserção de campanhas visuais sincronizadas ao áudio, exibição de marcas e ofertas durante a programação e uso de metadados para publicidade dinâmica. Detalhe: no caso norte-americano, o RDS do FM analógico segue a mesma lógica: mostra todas as informações possíveis, inclusive com a exploração comercial do RT (RadioText).

Dados compartilhados durante o evento indicam que anúncios com suporte visual podem aumentar significativamente a lembrança de marca, reforçando o valor estratégico dessa abordagem.


Experiência de rádio automotivo em um veiculo da montadora Tesla / tudoradio.com

Tempo de exposição amplia relevância do meio

Outro ponto relevante é o tempo de exposição do usuário às telas automotivas. Estimativas indicam cerca de 2000 minutos mensais de contato com essas interfaces, o que transforma o rádio em um meio não apenas de áudio, mas também de presença visual constante no cotidiano do ouvinte. Esse cenário amplia o papel do rádio, que passa a disputar não só a atenção auditiva, mas também a visual, aproximando-se do modelo de consumo das plataformas digitais.

Rádio híbrido sustenta a evolução tecnológica

Embora o conceito de rádio visual esteja no centro das discussões, a base tecnológica dessa transformação está diretamente ligada ao avanço do rádio híbrido. Soluções como as desenvolvidas por RadioPlayer, Xperi e RadioDNS demonstram como a integração entre broadcast e internet permite a entrega de dados e conteúdos visuais de forma eficiente.

Essas plataformas, muitas vezes ligadas a associações do setor e com atuação sem fins lucrativos (casos das marcas europeias RadioPlayer e RadioDNS), reforçam um modelo colaborativo para a evolução do rádio no ambiente conectado, incluindo integração com montadoras que atuam no Brasil, como a Renault. De acordo com dados coletados pelo tudoradio.com, a adoção da tecnologia por mais montadoras é rápida, após o setor se mobilizar a respeito.

Além disso, diferentes tecnologias seguem sendo utilizadas de forma complementar, como o rádio digital terrestre e o FM analógico com RDS, permitindo a distribuição de informações visuais mesmo em sistemas tradicionais, complementando essa experiência.


Monitoramento das emissoras da Audacy Las Vegas, em painel similar ao automotivo instalado na sede do grupo / tudoradio.com

Desafio passa a ser uso estratégico das ferramentas

Apesar da disponibilidade tecnológica, um dos pontos críticos observados é a necessidade de melhor utilização dos recursos por parte das emissoras. Em muitos casos, a ausência de metadados ou a falta de padronização das informações ainda limita o potencial do rádio visual.

O NAB Show 2026 reforça que o setor já dispõe das ferramentas necessárias para competir em igualdade com plataformas digitais. O diferencial, a partir de agora, está na forma como essas ferramentas são aplicadas na operação diária das emissoras. E, como já destacado pelo tudoradio.com em diferentes oportunidades, esse processo pode ser iniciado agora, com metadados nos streamings de áudio das emissoras e o melhor uso do RDS.

E, com a evolução do rádio visual, o meio amplia seu papel no ecossistema de mídia. A combinação entre alcance massivo, qualidade de áudio e presença em tela posiciona o rádio como uma plataforma completa no ambiente automotivo e digital.

De acordo com os executivos ouvidos pelo tudoradio.com, mais do que um meio exclusivamente sonoro, o rádio passa a oferecer uma experiência multimídia, com novas possibilidades de engajamento e geração de receita. Nesse cenário, a disputa deixa de ser apenas por audiência e passa a envolver também a ocupação estratégica das telas automotiva, televisiva e móvel, consideradas hoje as principais vitrines do conteúdo radiofônico.


Receptor portátil do rádio digital terrestre (HD Radio), na sede da Audacy Las Vegas / tudoradio.com

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Cobertura NAB Show 2026 tudoradio.com

O tudoradio.com acompanhou novamente o NAB Show direto do Las Vegas Convention Center, local onde foi realizado a feira e o congresso entre 18 e 22 de abril, nos Estados Unidos, em trabalho realizado com a Mentoria Cristiano Stuani. Toda a programação paralela ao NAB Show, realizada para radiodifusores brasileiros, também terá atenção especial na cobertura. A Cobertura NAB Show 2026 tudoradio.com tem como parceiros apoiadores a ABERT, a BeAudio, a AMIRT e a MidiacomPB.

+ Confira aqui todas as notícias publicadas pelo tudoradio.com sobre o NAB Show 2026

Tags: rádio visual, NAB Show 2026, rádio híbrido, metadados, RDS, rádio automotivo, streaming de rádio, monetização no rádio

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Daniel Starck
  • Daniel Starck – Jornalista, empresário e proprietário do tudoradio.com, maior portal brasileiro dedicado à radiodifusão, com mais de 20 anos no ar. É formado em Comunicação Social pela PUC-PR e teve passagens por emissoras como CBN, Rádio Clube e Rádio Paraná. Atua como consultor e palestrante nas áreas artística e digital do rádio, com participação em eventos promovidos por entidades como SET, AESP, AMIRT, ACAERT, ASSERPE, AERP e MidiacomPB. Também possui conhecimento na área de tecnologia, com foco em aplicativos, mídia programática, novos devices, inteligência artificial, sites e streaming. LinkedIn


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