




Sexta-Feira, 19 de Junho de 2026 @ 06:44
Belo Horizonte - Levantamento inédito foi apresentado e debatido durante o evento Rádio & Mercado em Sintonia, promovido pela ABERT, AMIRT e SERT-MG
O rádio segue presente na rotina dos mineiros, amplia sua atuação para além do dial e mantém elevada capacidade de influenciar decisões de consumo. Essas são algumas das principais conclusões da pesquisa inédita realizada pela Quaest Inteligência, apresentada nesta quinta-feira (18), durante o evento Rádio & Mercado em Sintonia, em Belo Horizonte. O estudo mostra que o meio consolidou um modelo multiplataforma, definido como Rádio 3.0, ao mesmo tempo em que preserva atributos históricos como credibilidade, proximidade com o público e alta eficácia para campanhas publicitárias. Os resultados também serviram de base para debates entre radiodifusores, agências e anunciantes sobre os desafios e oportunidades do rádio no cenário atual.
Promovido pela ABERT, pela AMIRT e pelo SERT-MG, o encontro reuniu representantes da radiodifusão e do mercado publicitário para discutir a evolução do meio e apresentar dados inéditos sobre a relação dos mineiros com o rádio. Os dados da nova pesquisa foram apresentados por Nathália Porto, diretora de Inteligência de Mercado da Quaest.

Cristiano Flores (presidente executivo da ABERT) e Mayrinck Junior (presidente da AMIRT) durante a abertura do evento / tudoradio.com
Os dados da Quaest
Entre as principais conclusões da Quaest está a permanência do rádio na rotina da população. O levantamento mostra que 75% dos ouvintes escutam rádio há mais de 20 anos, demonstrando uma relação consolidada com o meio e sua capacidade de atravessar gerações. A pesquisa aponta ainda que esse hábito permanece presente também entre os públicos mais jovens, reforçando a continuidade do consumo mesmo diante da expansão das plataformas digitais.
Outro aspecto destacado é que a transformação digital não substituiu o rádio tradicional, mas ampliou sua presença. A pesquisa apresenta o conceito de Rádio 3.0, que define o rádio como um ecossistema de conteúdo distribuído entre o dial, streaming, YouTube, podcasts, redes sociais, aplicativos e outros ambientes digitais. Essa mudança já é percebida pelo público: 31% dos usuários do YouTube afirmam consumir conteúdos produzidos por emissoras de rádio, enquanto 17% dos ouvintes de podcasts acompanham produções das próprias rádios.
Mesmo com essa evolução tecnológica, a essência do meio permanece preservada. Música, notícias e informação seguem sendo os conteúdos mais associados ao rádio e também aqueles mais procurados pelos entrevistados, reforçando características históricas do veículo. A pesquisa também identificou um crescimento expressivo da presença das emissoras nas plataformas digitais, com as menções espontâneas ao ecossistema de rádio saltando de 160 mil para 2,5 milhões entre 2024 e 2026.
O levantamento também destaca a força do rádio para o mercado anunciante. Segundo a Quaest, 65% dos entrevistados acreditam que promoções e sorteios realizados pelas emissoras são honestos, enquanto 62% afirmam confiar mais em marcas anunciadas no rádio do que em anúncios exibidos nas redes sociais e em dispositivos móveis. Os indicadores reforçam a credibilidade do meio como um diferencial competitivo em um ambiente de comunicação cada vez mais fragmentado.
Os debates realizados durante o evento também abordaram a efetividade comercial do rádio. Entre os indicadores apresentados, 71% dos ouvintes mineiros afirmam confiar na divulgação de produtos feita pelos locutores, reforçando o papel do comunicador como influenciador junto à audiência. Outro dado mostra que, no interior de Minas Gerais, 87% dos ouvintes lembram de comerciais ouvidos nos últimos 30 dias e 52% afirmam ter comprado ou pesquisado produtos e serviços após ouvirem publicidade no rádio, evidenciando a capacidade de lembrança e conversão proporcionada pelo meio.

Nathália Porto durante a apresentação dos dados da Quaest / tudoradio.com
A pesquisa também reforça a elevada eficácia comercial do rádio. Segundo o levantamento, 58% dos ouvintes afirmam ter pesquisado um produto ou serviço anunciado no meio, 48% efetivaram a compra e 41% chegaram a recomendar o produto para outras pessoas, formando um funil que destaca a capacidade do rádio de gerar consideração, conversão e fidelização entre os consumidores.
Outro aspecto importante é o peso dos comunicadores nesse processo. 67% dos mineiros afirmam prestar mais atenção em anúncios narrados pelos locutores do que em comerciais gravados, 67% escolhem as emissoras pelos locutores e apresentadores e 64% preferem rádios com profissionais da própria região, reforçando o papel da comunicação local na construção de credibilidade e resultados para anunciantes.
Após a apresentação dos dados da Quaest, a programação contou com um debate sobre os números, em bate-papo com Cristiano Lobato Flores, presidente-executivo da ABERT; Cristiano Stuani, consultor de rádio e especialista em inteligência artificial; Daniel Starck, jornalista e fundador do tudoradio.com; Mayrinck Júnior, presidente da AMIRT; e Nathalia Porto, da Quaest. Foi destacado que a combinação entre alto consumo, presença multiplataforma, credibilidade e resultados para anunciantes fortalece o posicionamento do rádio diante das transformações do mercado de mídia. E a pesquisa da Quaest foi apresentada como mais um instrumento para subsidiar estratégias de comunicação e ampliar o diálogo entre a radiodifusão e o mercado publicitário.

Debate com Mayrinck Júnior (AMIRT), Nathalia Porto (Quaest), Cristiano Flores (ABERT), Cristiano Stuani (CS Mentoria) e Daniel Starck (tudoradio.com)
Veja também:
> SET:30: Painel no NAB Show 2026 destaca conceito de Rádio 3.0 e reforça força do meio no Brasil
> NAB Show 2026 reforça conceito de rádio 3.0 com participação da Abert e foco em dados, híbrido e multiplataforma
> ABERT lança estudo inédito sobre o conceito de Rádio 3.0 e destaca oportunidades para o mercado publicitário
> Avanço do rádio híbrido reforça evolução do Rádio 3.0 no mercado brasileiro


