



Quinta-Feira, 28 de Maio de 2026 @ 11:22
Rio de Janeiro - Tecnologia amplia integração entre FM e plataformas digitais e acelera movimento do rádio conectado no Brasil
A Rádio JB FM 99.9 do Rio de Janeiro anunciou a adoção da tecnologia de rádio híbrida, tornando-se a primeira emissora do mercado da capital fluminense a operar com o modelo que integra a transmissão tradicional em FM com recursos digitais via internet. A novidade ocorre em um momento em que o rádio híbrido passa a ganhar força no Brasil e já é tratado como uma das pautas prioritárias do setor para 2026, com emissoras e empresas de tecnologia acelerando investimentos na área.
Na prática, o rádio híbrido permite que o ouvinte acompanhe a programação de forma contínua, com alternância automática entre o sinal FM e o streaming, sem interrupções na transmissão. A tecnologia proporciona maior estabilidade de recepção e melhora na qualidade do áudio, especialmente em veículos conectados e dispositivos compatíveis.
Além da transmissão sonora, o modelo híbrido amplia as possibilidades de interação e entrega de conteúdo. Em carros conectados e aplicativos compatíveis, o ouvinte pode visualizar informações em tempo real, como nome das músicas executadas, capas de álbuns, notícias, detalhes da programação e conteúdos interativos. Atualmente, a tecnologia está presente em cerca de 8% da frota de veículos conectados.
O movimento da JB FM acontece em meio ao avanço da infraestrutura tecnológica voltada ao rádio híbrido no Brasil. Recentemente, a Playlist Software, empresa brasileira especializada em soluções para radiodifusão, anunciou a integração de seu sistema com o DTS AutoStage, plataforma internacional da Xperi. A iniciativa já está em operação em emissoras mineiras e representa um dos primeiros movimentos concretos da indústria nacional para uso prático da tecnologia híbrida.

Mapa de calor de consumo da JB FM em automóveis logo após a ativação do sistema de rádio híbrido / XPeri DTSAutoStage
Rádio evolui em telas
O NAB Show 2026, realizado em abril passado nos EUA, reforçou que o setor já dispõe das ferramentas necessárias para competir em igualdade com plataformas digitais. O diferencial, a partir de agora, está na forma como essas ferramentas são aplicadas na operação diária das emissoras. E, como já destacado pelo tudoradio.com em diferentes oportunidades, esse processo pode ser iniciado agora, com metadados nos streamings de áudio das emissoras e o melhor uso do RDS. Iniciativa como a da JBFM, uma das pioneiras na preocupação com o uso digital e apresença no receptor moderno, reforça essa tendência no mercado.
E, com a evolução do rádio visual, o meio amplia seu papel no ecossistema de mídia. A combinação entre alcance massivo, qualidade de áudio e presença em tela posiciona o rádio como uma plataforma completa no ambiente automotivo e digital.
De acordo com os executivos ouvidos pelo tudoradio.com durante a cobertura do NAB Show 2026, mais do que um meio exclusivamente sonoro, o rádio passa a oferecer uma experiência multimídia, com novas possibilidades de engajamento e geração de receita. Nesse cenário, a disputa deixa de ser apenas por audiência e passa a envolver também a ocupação estratégica das telas automotiva, televisiva e móvel, consideradas hoje as principais vitrines do conteúdo radiofônico.
Consumo de rádio já é híbrido
“As pessoas estão nos ouvindo cada vez mais em diferentes formatos”, destacou Daniel Starck, durante 18º Seminário do SindiRádio, que debateu o rádio híbrido no último dia 16. Segundo ele, o rádio já distribui conteúdo em canais como streaming, aplicativos, smart speakers e sistemas automotivos conectados, mas ainda enfrenta o desafio de consolidar sua percepção como mídia multiplataforma. “O rádio já vive uma realidade híbrida. O ouvinte transita naturalmente entre FM, streaming, smart speakers e sistemas automotivos conectados. O desafio do setor agora é transformar essa presença multiplataforma em uma experiência integrada e competitiva frente aos serviços digitais.”, afirma.
Durante a apresentação, Starck também abordou a evolução tecnológica da recepção de rádio e a importância da presença do meio em dispositivos móveis e ambientes conectados. “O rádio precisa estar em todos os locais, com a melhor experiência possível, em nível de igualdade ou superior aos serviços digitais”, afirmou.
“O conceito de Rádio 3.0 mostra que o futuro do meio não depende apenas do áudio, mas também da capacidade de entregar dados, interatividade e conveniência nos diferentes ambientes de consumo, especialmente no automotivo, que se consolida como um dos principais espaços estratégicos para o rádio.” destaca Daniel Starck.
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