




Segunda-Feira, 06 de Julho de 2026 @ 06:44
São Paulo - Pesquisa anual da YouGov aponta que o rádio segue entre as principais fontes de informação nos Estados Unidos, com alcance superior ao de podcasts, mídia impressa e ferramentas de inteligência artificial
O rádio segue entre os principais meios de informação dos norte-americanos e mantém alcance mensal superior ao de podcasts, jornais impressos e plataformas de inteligência artificial. É o que aponta a pesquisa anual Trust in Media 2026, realizada pela YouGov, que mostra que 28% dos adultos dos Estados Unidos utilizaram o rádio AM/FM para acompanhar notícias no último mês. O levantamento também indica que o meio preserva elevados índices de confiança, em contraste com redes sociais e outras fontes digitais.
Segundo o estudo, realizado entre os dias 25 e 26 de maio com 2.102 cidadãos adultos dos Estados Unidos, 28% dos entrevistados afirmaram ter utilizado o rádio AM/FM para acompanhar notícias no último mês. O resultado mantém o meio à frente de diversas plataformas de informação, apesar de representar uma oscilação de um ponto percentual em relação ao levantamento de 2025, variação considerada estatisticamente pouco significativa devido à margem de erro de 2,9 pontos percentuais.
O rádio aparece à frente de formatos como podcasts (21%), newsletters por e-mail (20%), agregadores de notícias online (18%), plataformas de vídeo (15%), jornais impressos (14%), revistas (10%), blogs (9%) e ferramentas de inteligência artificial, como chatbots (6%). A pesquisa também detalha o perfil do público que utiliza o rádio como fonte de informação. O consumo é mais elevado entre pessoas com ensino superior, grupo em que 36% afirmaram recorrer ao meio para acompanhar notícias, enquanto entre aqueles sem diploma universitário o índice foi de 24%.
A renda também influencia esse comportamento. Entre entrevistados com rendimento anual igual ou superior a US$ 100 mil, 39% utilizam o rádio para consumir notícias, percentual que cai para 22% entre aqueles com renda inferior a US$ 50 mil por ano. No recorte por idade, o maior alcance foi registrado entre pessoas com 65 anos ou mais, com 34%. Já entre os jovens de 18 a 29 anos, o índice ficou em 17%, o menor entre todas as faixas etárias analisadas.
O levantamento também identificou diferenças conforme o perfil político dos entrevistados. Pessoas de ideologias políticas distintas apresentaram percentuais semelhantes de consumo de notícias pelo rádio, entre 30% e 31%, enquanto os independentes registraram 25%. Considerando o voto na eleição presidencial de 2024 nos Estados Unidos, 36% dos eleitores de Donald Trump afirmaram utilizar o rádio como fonte de notícias, contra 32% entre os eleitores de Kamala Harris. Entre os gêneros, os homens apresentaram maior utilização do meio (32%) em comparação às mulheres (25%).
Confiança segue como diferencial do rádio
Além do alcance, a pesquisa reforça a percepção positiva do rádio em um cenário de crescente desconfiança em relação às plataformas digitais, em linha com o que também é observado no Brasil. Embora as redes sociais permaneçam como uma das principais formas de acesso às notícias, alcançando 60% dos entrevistados, elas apresentaram índices líquidos de confiança negativos. O Facebook registrou -24%, o TikTok -32% e o X (antigo Twitter) -21%.
No levantamento, o jornalismo como atividade obteve saldo positivo de confiança de 23%, enquanto a categoria "mídia de notícias" apresentou resultado neutro. A emissora pública National Public Radio (NPR) também apareceu entre as marcas com avaliação positiva, registrando índice de confiança de +15%.
+ Rádio mantém liderança no consumo de áudio nos EUA e responde por 62% do tempo ouvido
Inteligência artificial amplia presença, mas ainda tem participação limitada
O estudo mostra ainda que o uso de ferramentas de inteligência artificial para consumo de notícias segue em crescimento, embora ainda represente uma parcela reduzida do público. Os chatbots de IA alcançaram 6% dos entrevistados. Entre as plataformas citadas espontaneamente, ChatGPT foi mencionado por 10% dos participantes e o Gemini, do Google, por 7%, como ferramentas utilizadas para acompanhar notícias no último mês.
A pesquisa também revela que 46% dos entrevistados afirmam encontrar diariamente conteúdos que acreditam ter sido produzidos por inteligência artificial na internet. Apesar da diversificação das plataformas, o interesse por informação permanece elevado: 69% dos norte-americanos afirmaram consumir notícias nacionais com frequência, percentual idêntico ao registrado para o consumo de notícias locais.
Leia também:
> Latência nas transmissões esportivas volta ao debate durante a Copa do Mundo e reforça agilidade do rádio
> Estudo aponta que 74% dos ouvintes compram produtos após recomendações no rádio e em podcasts
> Estudos apontam que supervisão humana é fator decisivo para a confiança em conteúdos produzidos com IA
> Avanço do rádio híbrido reforça evolução do Rádio 3.0 no mercado brasileiro
E por qual razão olhar para lá fora?
O tudoradio.com costuma observar esses pontos de curiosidade dos números do rádio internacional para mapear possíveis mudanças de hábitos e a manutenção do consumo de rádio em diferentes países. Assim como ocorreu no ano anterior, periodicamente a redação do portal irá monitorar o desempenho do rádio nos principais mercados do mundo e, é claro, fazendo sempre uma comparação com a situação brasileira. E, como de costume, repercutindo também qualquer número confiável sobre o consumo de rádio no Brasil.
Recomendamos:
> Veja aqui mais notícias sobre o atual momento do rádio em diferentes países
> Confira também as principais tendências para o setor de rádio e tecnologia

ilustração / tudoradio.com


