




Quarta-Feira, 19 de Agosto de 2026 @ 13:12
São Paulo - Painel destacou aplicações práticas da inteligência artificial, evolução do áudio imersivo e os desafios para preservar a qualidade sonora na produção de conteúdo
As transformações tecnológicas no processamento de áudio estiveram entre os temas debatidos na programação do Congresso SET Expo 2026 nesta terça-feira (18), em São Paulo. O painel “Áudio: Imersão, Personalização e Inteligência no Broadcast” reuniu especialistas para discutir como ferramentas de inteligência artificial, áudio imersivo e novos modelos de processamento vêm ampliando as possibilidades de produção para rádio e televisão, sem deixar de lado um aspecto considerado essencial: a percepção humana continua sendo determinante para a qualidade final do som. O tudoradio.com, media partner oficial do SET Expo 2026, acompanha presencialmente a programação do evento.
Áudio imersivo e novas possibilidades para o broadcast
Moderado por Carlos Belmiro dos Santos Ronconi, fundador da Linklab Pro, o painel contou com a participação de Daniel Martins, gerente de Negócios da Dolby Laboratories para a América do Sul; Aldo Soares, sócio-diretor da ARS Comércio e Serviços em Tecnologia; e Luiz Kruszielski, especialista em Novas Tecnologias e IA da Globo.
Na abertura do encontro, Ronconi destacou que a proposta do painel foi apresentar como as novas tecnologias vêm transformando todas as etapas da cadeia de áudio, desde a produção até a distribuição de conteúdo em plataformas como a futura TV 3.0.
IA amplia possibilidades, mas depende da criatividade humana
Representando a Dolby Laboratories, Daniel Martins afirmou que a evolução do áudio deve ser entendida como parte de um ecossistema completo, envolvendo criação, processamento e reprodução. Segundo o executivo, o avanço tecnológico precisa estar acompanhado de ferramentas capazes de simplificar o trabalho das equipes de produção. “O que a gente enxerga na Dolby não é algo pontual, mas um ecossistema. Vai desde as ferramentas e melhores práticas até a forma como processamos esse conteúdo. As ferramentas precisam vir para facilitar a operação”, afirmou.
Já Luiz Kruszielski, da Globo, apresentou aplicações práticas de inteligência artificial já utilizadas em produções televisivas para recriação, restauração e correção de vozes. Entre os exemplos citados estão soluções capazes de recuperar vozes antigas ou corrigir pequenas falhas de gravação sem necessidade de reunir novamente elenco e equipe.
Para o especialista, o maior potencial da IA está na criação de ferramentas adaptadas às necessidades de cada empresa, e não apenas na utilização de soluções prontas disponíveis no mercado. “O uso criativo abre novas possibilidades para o sound design. O mais importante é não esperar que um produto de IA chegue pronto até você. É preciso usar a IA de maneira ativa para criar as próprias ferramentas”, destacou.
Qualidade continua dependendo da escuta
Encerrando o debate, Aldo Soares ressaltou que, apesar dos avanços tecnológicos observados nos últimos anos, os princípios físicos relacionados à percepção sonora permanecem os mesmos. Segundo o especialista, fatores como ambiente de monitoração, acústica e escuta crítica continuam sendo determinantes para garantir a qualidade da experiência entregue ao público. “A tecnologia mudou e evoluiu, mas o som que chega ao nosso ouvido continua obedecendo à mesma física. No fim das contas, ele continua sendo o elo fundamental desse processo”, apontou.
Ao longo do painel, os especialistas convergiram para uma mesma avaliação: a inteligência artificial e o áudio imersivo ampliam significativamente as possibilidades criativas e operacionais do broadcast, mas a qualidade final continua dependendo das decisões técnicas tomadas pelos profissionais responsáveis pela produção. A combinação entre automação, processamento inteligente e conhecimento especializado foi apontada como o caminho para a próxima geração de experiências sonoras em rádio, televisão e plataformas digitais.
O SET Expo 2026 prossegue até esta quinta-feira (20), no Distrito Anhembi, em São Paulo. O último dia do Congresso será dedicado ao Dia do Rádio, com uma programação voltada às principais tendências e desafios da radiodifusão brasileira, acompanhada presencialmente pelo tudoradio.com.

Crédito: SET Expo 2026
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