Rádio AM/FM lidera consumo de áudio em veículos elétricos nos Estados Unidos, aponta Edison Research
São Paulo - Novo levantamento mostra que o rádio concentra 42% do tempo de consumo de áudio nos carros elétricos, mesmo com a retirada de receptores em modelos de algumas montadoras
O rádio AM/FM segue como a principal plataforma de consumo de áudio dentro dos veículos elétricos nos Estados Unidos. É o que aponta um novo levantamento da Edison Research, divulgado nesta quinta-feira (29), com base nos dados do terceiro trimestre de 2026 do estudo Share of Ear. Segundo a pesquisa, o rádio AM/FM, incluindo suas transmissões via streaming, representa 42% do tempo dedicado ao consumo de áudio dentro dos carros elétricos, mantendo vantagem sobre serviços de streaming musical, rádio por assinatura e podcasts. O resultado reforça uma tendência já observada em pesquisas anteriores e amplia o debate sobre a retirada dos receptores tradicionais de rádio por algumas montadoras.
O levantamento considera a população norte-americana com 13 anos ou mais e mostra diferenças entre o comportamento dos ocupantes de veículos elétricos e o público geral. Entre todos os entrevistados, independentemente do tipo de automóvel utilizado, o rádio AM/FM responde por 53% do tempo de consumo de áudio dentro dos carros. Já entre motoristas e passageiros cujo veículo principal é elétrico, esse índice fica em 42%. Os dados específicos desse segmento foram obtidos a partir de uma amostra de 160 entrevistados.
Apesar da diferença, o rádio mantém a liderança em ambos os cenários. Entre os ocupantes de veículos elétricos, o streaming de música aparece na segunda colocação, com 22% do tempo de consumo de áudio, acima dos 17% registrados entre o público geral. O serviço de rádio por assinatura SiriusXM também apresenta uma participação mais elevada entre os usuários de elétricos, passando de 16% para 20%. Já os podcasts concentram, proporcionalmente, o dobro da participação observada no conjunto da população pesquisada.
Os números reforçam a importância do ambiente automotivo para o consumo de áudio. De acordo com a Edison Research, mais de um quarto de todo o tempo diário dedicado à escuta de conteúdos de áudio ocorre dentro dos veículos, o que corresponde a uma média de uma hora e quatro minutos por dia. Mesmo com o crescimento expressivo das plataformas sob demanda fora dos automóveis, o rádio AM/FM continua concentrando a maior parcela do tempo de escuta durante os deslocamentos.
Outros levantamentos já indicavam a força do rádio entre motoristas de diferentes montadoras
O resultado divulgado agora pela Edison Research complementa outros estudos recentes que já mostravam a força do rádio no ambiente automotivo norte-americano. Conforme destacado pelo tudoradio.com em maio, um levantamento do próprio Share of Ear, com recortes por marcas automotivas, mostrou que o rádio liderava o consumo de áudio sustentado por publicidade em todas as montadoras analisadas, com participações que variavam de 74% a 90%, conforme a fabricante.
Na ocasião, os veículos da General Motors e da Stellantis apareciam com os maiores percentuais, ambos com 90%, enquanto a Tesla registrava 74%. Posteriormente, um novo recorte sobre os motoristas da Tesla, divulgado em julho, mostrou que o rádio AM/FM continuava liderando o consumo de áudio com publicidade dentro dos automóveis da marca, com 67% de participação. Os resultados já chamavam a atenção diante da decisão da fabricante de retirar o receptor FM de determinadas versões de seus veículos.
Vale ressaltar que esses levantamentos anteriores consideram especificamente o universo de áudio sustentado por publicidade, enquanto os novos números referentes aos veículos elétricos abrangem o tempo total de consumo de áudio. Portanto, são recortes diferentes do comportamento dos ouvintes, mas que apontam para a permanência do rádio como uma das principais opções de escuta nos automóveis.
Outro movimento observado é a mudança na forma de acesso aos conteúdos. Em setembro, o tudoradio.com destacou que o smartphone havia superado o receptor tradicional de rádio como principal dispositivo utilizado para ouvir áudio dentro dos carros entre norte-americanos de 13 a 34 anos. Nesse grupo, os celulares representavam 46% do tempo de consumo, contra 43% dos receptores AM/FM. Entretanto, parte da escuta realizada pelos dispositivos móveis corresponde justamente às transmissões online das emissoras, indicando uma transformação na maneira como o rádio chega aos ouvintes.
Retirada de receptores amplia discussão nos Estados Unidos
A divulgação da nova pesquisa ocorre em meio às discussões sobre a obrigatoriedade da presença de receptores AM nos veículos novos comercializados nos Estados Unidos. A proposta conhecida como AM Radio for Every Vehicle Act avançou na Câmara dos Representantes em setembro e aguarda tramitação no Senado norte-americano. O projeto conta com apoio bipartidário e mais de 60 copatrocinadores entre os senadores.
A discussão envolve também a resistência de algumas fabricantes de veículos elétricos. Segundo informações publicadas pela Radio Ink, registros de atividades de lobby referentes ao terceiro trimestre apontam gastos de US$ 650 mil pela Tesla e US$ 80 mil pela Lucid USA entre as empresas contrárias à proposta. Considerando montadoras e outras organizações relacionadas que se opõem ao projeto, os gastos somaram aproximadamente US$ 6,3 milhões no período.
Paralelamente, algumas fabricantes já passaram a comercializar modelos sem receptores convencionais de rádio. É o caso da Rivian, cujo modelo R2 foi lançado sem sintonizador ou antena para a recepção de emissoras, enquanto a Tesla retirou o rádio terrestre das versões Standard dos modelos Model 3 e Model Y, conforme informações divulgadas anteriormente pela publicação norte-americana.
Por outro lado, pesquisas de comportamento dos consumidores indicam uma preferência pela manutenção do rádio nos automóveis. Um levantamento realizado pela Critical Mass Insights apontou que 96% dos norte-americanos consideram importante a presença de rádio integrado em veículos novos. Além disso, 89% dos entrevistados afirmaram que a ausência de recepção de rádio pelo ar poderia levá-los a desistir da compra de determinado automóvel.
O cenário também encontra respaldo em outro estudo divulgado pelo tudoradio.com em julho, realizado pela Nielsen em parceria com a iHeartMedia. Na ocasião, mais de sete em cada dez consumidores consideraram o rádio AM/FM um recurso essencial nos automóveis, enquanto aproximadamente metade dos entrevistados afirmou que não compraria um veículo sem o equipamento instalado de fábrica.
Presença do rádio nos carros também mobiliza o setor internacional
O tema também vem mobilizando entidades de radiodifusão em diferentes mercados. Em agosto, o tudoradio.com acompanhou a adesão da National Association of Broadcasters (NAB) à iniciativa internacional Radio Ready, movimento que reúne representantes do setor com o objetivo de garantir que o rádio continue acessível e visível nas centrais multimídia dos veículos conectados.
A preocupação também esteve entre os temas debatidos durante o IBC2026, realizado em setembro, em Amsterdã. Conforme noticiado pelo tudoradio.com, representantes do setor europeu destacaram a necessidade de preservar o acesso direto às transmissões de rádio nos automóveis, considerando questões relacionadas à segurança, à evolução das tecnologias digitais e à expansão dos sistemas híbridos.
Nesse contexto, os novos dados apresentados pela Edison Research reforçam a importância do rádio no ambiente automotivo norte-americano, inclusive entre os motoristas de veículos elétricos, que contam com maior oferta de recursos conectados. Ao mesmo tempo, o avanço dos sistemas multimídia e das diferentes plataformas de áudio mantém em evidência a discussão sobre a presença e a facilidade de acesso às emissoras nos painéis dos automóveis.
Com informações da Radio Ink e Edison Research.
