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Terça-Feira, 17 de Março de 2020 @ 07:32

Especial: Coronavírus muda rotina de trabalho das emissoras e pode reafirmar importância da mídia

São Paulo - Doença covid-19 afeta rotina das emissoras, seja no planejamento de ações, operacional e também em suas grades de programação

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A epidemia do coronavírus começa a mudar a rotina diária de praticamente todas as emissoras de rádio brasileiras. Em algum grau, o planejamento de cada AM e FM foi afetado de alguma forma, seja no operacional para evitar a proliferação do vírus, na programação para prestar serviço ou na interrupção de eventos e promoções. Porém, a covid-19 já está reafirmando a importância dos veículos de comunicação perante toda a sociedade. Outro detalhe é a necessidade de segurança para a prática do trabalho remoto. Acompanhe:

Ontem (16), o tudoradio.com relatou que rádios como Kiss FM 92.5 e Rádio Mix FM 106.3, ambas em São Paulo, já adotaram regime de home office (trabalho remoto em casa) para boa parte de seus colaboradores, exceto aqueles que precisam executar tarefas a partir da sede das emissoras, como a programação ao vivo do ar.  

Segundo o que apurou o tudoradio.com, esse movimento tem sido acompanhado por outras rádios de São Paulo, com a finalidade de evitar a proliferação do vírus entre os profissionais, familiares e também na comunidade. 

Ainda ontem (16), rádios como Transamérica FM 100.1, Massa FM 92.9, Metropolitana FM 98.5, entre outras, definiram as diretrizes operacionais para o período de crise. 

A Transamérica divulgou um comunicado onde afirma que adotará "de imediato o sistema de home office, o horário diferenciado de trabalho e o sistema de rodízio entre seus profissionais", além de orientações sobre "assepsia, normas de convivência neste momento atípico, e cuidados preliminares com eventuais sintomas da doença, colaborando com a saúde física e mental de seus funcionários".

Já a Massa FM afirma que iniciará o regime de home office nas praças de São Paulo, Curitiba, Londrina e Maringá, isso nos departamentos que permitem essa prática em sua operação. No caso da capital paulista, como a rádio segue compartilhando a estrutura do Grupo Estado, se algum caso de coronavírus for confirmado no complexo, o prédio será fechado e a rede será gerenciada a partir de Curitiba.

Bruno Covas, prefeito de São Paulo, editou decreto de situação de emergência, que conta com um conjunto de medidas restritivas, segundo reportagem da jornalista Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo. São iniciativas que têm como intenção reduzir a circulação de pessoas na capital paulista.

Não é só em São Paulo…

A partir de hoje (17), rádios como JB FM 99.9 e Rádio Cidade FM 102.9, ambas do Rio de Janeiro, iniciarão escalas especiais em suas equipes, com base no deslocamento de cada colaborador e também a sua função. A tendência é de que a equipe do ar e artístico permaneçam em operação na sede das emissoras, mas também com escalas diferentes.

Antes, desde a semana passada, várias emissoras já haviam noticiado o cancelamento de ações promocionais e eventos. Conforme noticiado no último sábado (14), a própria Rádio Cidade FM do Rio chegou a emitir um comunicado sobre os cancelamentos de todas as promoções da FM carioca.

O mesmo ocorre em outras praças, inclusive em locais onde a proliferação do vírus ainda não está elevada segundo a contagem de autoridades. É o caso da Mega 94 FM 94.3 de Campo Grande (MS), que avisou a audiência nesta segunda-feira (16) sobre o cancelamento de ações e o fechamento dos pontos de entrega de prêmios.

Em Brasília, a Clube FM 105.5 de Brasília (DF) tem disponibilizado materiais educativos para seus colaboradores, álcool gel, processos de higienização especial de sua estrutura e iniciou a implantação do sistema de home office em vários setores da empresa. A rádio também está disponibilizando kits com álcool gel e repelentes para os ouvintes (este último voltado à dengue, outra grande preocupação sanitária no Brasil)


Campanha realizada pela Clube FM em Brasília, que também é voltada à dengue

Toda essa movimentação das rádios e de empresas de outros segmentos econômicos atendem a orientações de serviços de saúde, na tentativa de impedir que esses sistemas entrem em colapso.

"Estamos chamando todos os países e indivíduos para fazerem tudo o que puderem para pararmos a transmissão", afirmou ontem (16) o diretor-geral da OMS (Organização Mundial de Saúde) Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Riscos tecnológicos do home office

Apesar do home office ser uma prática possível e que está em expansão na organização de várias empresas antes mesmo da pandemia de coronavírus, é importante que as rádios tomem cuidado com a segurança de seus dados.

Há um risco de ataques de hackers, segundo afirmação da Agência de Cybersegurança da União Europeia (Enisa). A entidade faz vários conselhos sobre boas práticas para o trabalho remoto, segundo reportagem veiculada pela Folha de S.Paulo. São elas:

Só usar redes de wifi seguras

Atualizar programas de antivírus, antimalwares e firewalls

Executar varreduras contra vírus e malwares antes de começar o trabalho
Fazer backups frequentes

Bloquear o acesso ao computador se estiver trabalhando em lugar compartilhado

Evitar entrar em sites não profissionais durante o trabalho se possível

Usar aparelhos diferentes para a navegação profissional e a pessoal

Também há uma lista de recomendações para as empresas, como:

Informar claramente aos funcionários as regras de segurança para trabalhar remotamente

Determinar quem deve ser acionado em casos de emergência e comunicar horários e contatos a todos

Dar prioridade para a solução de casos de segurança

Implantar programas de encriptação e assinaturas eletrônicas se possível

Fornecer computadores exclusivamente para o trabalho, com os programas de segurança instalados

Prestando serviços à população

Desde o início da crise sanitária, o rádio tem prestado serviços para a população com orientações de como prevenir a covid-19 e combatendo a enxurrada de notícias falsas propagadas principalmente em redes sociais. E a tendência é de que isso seja ampliado a cada dia.

Recomendamos:
> "Notícia falsa mata", por Fernando Morgado
> Relatório alerta para possíveis mudanças no consumo de mídia devido a tendência de proliferação do coronavírus

Há toda uma movimentação nesse sentido, por parte das equipes próprias de jornalismo e artístico das rádios, mas também de geradores de conteúdo que prestam serviços na área. Empresas têm oferecido materiais informativos sobre o coronavírus (inclusive com notícias atualizadas) sem custo para as rádios.

Com apuração e atualização dos fatos, incluindo as áreas econômica e política (diretamente impactadas pela crise sanitária), é perceptível que os veículos de comunicação tem conseguido reafirmar a sua credibilidade perante a população. 

Entidades estaduais e nacionais da área de comunicação estão reafirmando através de campanhas a importância da informação vinda de meios como o rádio.


Publicação da campanha contra "Fake News" realizada pela ACAERT / Postagem Facebook

Eventos do setor foram cancelados

Conforme noticiado pelo tudoradio.com, vários eventos corporativos de interesse do setor de rádio foram cancelados devido a proliferação do coronavírus. 

Estão na lista programações como NAB Show 2020, SET E Trinta (que terá edição no formato de webinars), Café da Manhã da Radiodifusão, AESP Talks, encontros regionais da AMIRT e ACAERT, entre outros. 

Leia sobre:
> Coronavírus: NAB Show 2020 não será mais realizado em abril. Radiodays Europe é adiado em Portugal
> Coronavírus: Associações cancelam e adiam encontros com radiodifusores em São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina
> Coronavírus: Após cancelamento do NAB Show 2020, SET e Trinta 2020 será realizado em formato de webinars gratuitos
> Lollapalooza Brasil, promovido por 89 FM A Rádio Rock e Rádio Mix FM, é adiado

Tags: Coronavírus, covid-19, home office, São Paulo, Rio de Janeiro, audiência, panorama, Brasília, procedimentos

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Daniel Starck

Daniel Starck é jornalista, empresário e proprietário do tudoradio.com (veiculo que atua há mais de 19 anos voltado aos interesses do rádio brasileiro e de seus ouvintes). Formado em Comunicação Social / Jornalismo pela PUCPR, Daniel também já teve passagens por rádios como CBN, Rádio Clube e Rádio Paraná. Também atua como palestrante e consultor nas áreas artística e digital.



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