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Você sabe o que o seu ouvinte faz depois de dar o play?

Você sabe o que o seu ouvinte faz depois de dar o play?

Entender a jornada do ouvinte deveria orientar as decisões de conteúdo, tecnologia e investimento de uma emissora. Mas quanto dessas decisões nascem de dados e quanto ainda depende de percepções?


O ouvinte acorda e pede para a Alexa ligar a rádio. Sai de casa e continua ouvindo no carro. No trabalho, abre o site e dá o play. Mais tarde, acessa o aplicativo pelo celular.

Essa imagem de um ouvinte conectado à emissora ao longo do dia faz parte do que discutimos na engenharia do Rádio 3.0: a jornada do ouvinte. Uma jornada que passa por diferentes dispositivos, ambientes e momentos, com expectativas que também podem mudar.

Agora, uma pergunta para proprietários e diretores de rádio: vocês conhecem, com precisão, a jornada do ouvinte da sua emissora?

Sabem por onde ele chega, quanto tempo permanece, quais conteúdos procura e o que faz depois de iniciar a transmissão? Ou essas respostas ainda começam com “eu acho”, “o pessoal comenta” e “nosso locutor percebe que…”?

A experiência de quem trabalha na emissora tem valor. O contato com o público também. Mas precisamos reconhecer quando estamos diante de uma informação medida e quando estamos diante de uma interpretação.

Quem está dentro da rádio vive uma rotina muito diferente de quem a escuta. E imaginar o comportamento do ouvinte a partir dos nossos próprios hábitos pode levar a decisões equivocadas. Sempre digo aos meus clientes: “O rádio perde para redes sociais e empresas investindo em podcasts, youtubers, influencers, quando não entrega resultado, porque o YouTube entrega, o Instagram entrega, o Facebook entrega, o Influencer leva comprador e depois mensura.

As redes sociais e toda a estrutura de mídia que eles criaram faz o que o rádio não faz por padrão. Eles uniram a informação e entregam resultados práticos e em relatórios e telas bonitas, cheias de gráficos e que mostram que o investimento do anunciante valeu a pena. O que o rádio pode fazer? O mesmo processo!”. O primeiro passo é se conhecer melhor e definir sua estratégia.

O play é o começo de qual experiência?

Quando alguém acessa o site e aperta o play, o que acontece depois?

Essa pessoa navega pelas notícias? Consulta a programação? Participa de uma promoção? Clica no anunciante? Ou minimiza o navegador e passa as próximas horas trabalhando enquanto ouve a rádio. No aplicativo, qual é a primeira ação depois do play? O ouvinte procura alguma interação ou simplesmente bloqueia a tela e guarda o celular?

E na Alexa? Depois do comando para ouvir a emissora, por quanto tempo aquela sessão permanece ativa? Em quais horários esse acesso acontece? Há interrupções recorrentes?

São perguntas simples. As respostas, porém, exigem uma estrutura de medição adequada a cada plataforma, além de acompanhamento e análise.

Também exigem cuidado na interpretação. Um player minimizado não significa, por si só, uma audição confirmada durante todo o período. Assim como uma página aberta não garante atenção ao conteúdo ou à publicidade exibida.

Medir a jornada é entender o que cada dado permite concluir.

E há uma possibilidade que precisa ser respeitada: o ouvinte entrou apenas para ouvir. Afinal, ouvintes de rádio gostam de rádio. Nem toda experiência precisa terminar em um clique, uma mensagem ou um vídeo.

Se a pessoa encontra facilmente a transmissão, consegue ouvir sem dificuldades e permanece conectada, isso já pode representar uma entrega importante da emissora.

A próxima novidade e o site esquecido

É comum encontrar disposição para entrar em uma nova rede social, acompanhar uma tendência ou contratar uma ferramenta que promete modernizar a operação.

Mas essa mesma disposição existe para analisar o próprio site?

Quais são as páginas mais acessadas? Em quais horários o público chega? De onde vêm esses acessos? Depois da primeira página, para onde o visitante segue? Quantos acessam uma promoção e quantos concluem a participação?

Entre os ouvintes digitais, qual parcela também se interessa pelos conteúdos que cercam a programação? E quais conteúdos despertaram esse interesse?

Sem essas respostas, a emissora pode investir para atrair pessoas a uma experiência que ela própria conhece pouco.

Pode divulgar uma promoção cujo cadastro cria dificuldades. Produzir conteúdo que quase ninguém encontra. Colocar uma informação comercial em uma área pouco acessada. Ou reformular o site inteiro sem compreender o que o público mais utiliza nele.

Enquanto isso, a próxima novidade já está chegando e exigindo mais tempo, mais dinheiro e mais uma adaptação da equipe.

A pergunta deveria vir antes da contratação: qual necessidade do nosso ouvinte esse investimento vai atender?

Vídeo para quem e com qual objetivo?

Essa discussão também passa pelo investimento em vídeo.

Produzir vídeo pode fazer sentido para uma emissora. Mas a decisão precisa vir acompanhada de planejamento, conhecimento do público e um objetivo relacionado ao negócio.

Se a rádio tem uma programação musical forte e um programa esportivo relevante, o que orienta sua produção audiovisual? O interesse de quem acompanha esses conteúdos ou apenas os assuntos que estão em alta naquela semana?

Um tema popular pode até gerar visualizações. Mas essas visualizações aproximam as pessoas da emissora? Estimulam a escuta? Fortalecem um programa? Criam uma oportunidade comercial coerente?

Um conteúdo pode alcançar muita gente e contribuir pouco para os objetivos da rádio.

Antes de cobrar que a equipe produza mais vídeos, vale entender quais assuntos o público procura, quais formatos consegue consumir e como essa produção se conecta à experiência de ouvir a emissora.

Modernização também exige direção

Contratar bons profissionais, assinar ferramentas de inteligência artificial e incentivar a atualização da equipe são iniciativas que podem contribuir com a operação.

Mas profissionais competentes precisam de direção. Ferramentas precisam de finalidade. E a cobrança por inovação precisa estar ligada a um problema ou a uma oportunidade concreta.

Sem conhecer o comportamento do público, a emissora corre o risco de apenas aumentar o volume de tarefas: mais posts, mais vídeos, mais plataformas e mais relatórios que ninguém utiliza para decidir.

Conhecer a jornada do ouvinte ajuda a estabelecer prioridades. Pode revelar que o próximo investimento deve melhorar o acesso ao áudio, simplificar uma promoção, reorganizar o conteúdo do site ou desenvolver um formato que já demonstra interesse entre os ouvintes.

Isso exige medir, interpretar, testar e acompanhar os resultados, respeitando a privacidade do público e os limites dos dados disponíveis.

Na próxima reunião sobre uma nova tecnologia, rede social ou tendência, proponho começar com uma pergunta:

O que sabemos sobre o comportamento do nosso ouvinte que justifica essa decisão?

Se a resposta ainda for apenas uma percepção interna, talvez o primeiro investimento deva ser justamente conhecer melhor quem está do outro lado do play.

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Rodrigo Garcia

Rodrigo Garcia

Rodrigo Garcia é especialista em inovações para a transmissão de áudio e vídeo pela internet, fundamentando sua carreira em estudos avançados e pesquisas sobre tecnologias disruptivas aplicadas ao setor. Com foco em métricas, streaming, inteligência artificial e transformação do rádio, Rodrigo alia conhecimento teórico à prática inovadora para revolucionar a comunicação no universo digital. Atualmente, por meio da WISE TECNOLOGIA, ele lidera projetos que padronizam a tecnologia de streaming, aprimoram a mensuração e o business intelligence (B.I.) da audiência, e Monetizar o digital utilizando estratégias inteligentes e orientadas por dados.

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